A
infecção pelo vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) constitui um grave
problema de saúde pública uma vez que este ataca o sistema imunológico do indivíduo
e pode desencadear sérios sintomas da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).
A magnitude da AIDS se explica pelas várias formas de contágio, já que o vírus
pode ser transmitido por secreções, transfusões de sangue contaminado, e pelo aleitamento
materno quando a mãe for portadora do vírus.
Enquanto
a comunidade científica aprimora o tratamento e estuda possíveis curas para a
doença, as campanhas de conscientização e prevenção se fortalecem. No âmbito
local, os esforços para tal objetivo são corroborados desde 1998, com a criação
do programa de extensão “AIDS, Educação
e Cidadania”, certificado pelo
Departamento de Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde da UFSM.
Criado
sob a influência de um trabalho de conclusão do curso de Enfermagem e de um
estágio supervisionado desenvolvido na Universidade no ano de 1998, o programa
é orientado pelas professoras Cristiane Cardoso de Paula e Stela Maris de Mello Padoin.
As linhas de pesquisa são compostas por grupos interdisciplinares, envolvendo
graduandos e pós-graduandos dos cursos de Enfermagem, Nutrição e Medicina.
O grupo de estudos – que atende desde fases iniciais da vida do paciente portador
do vírus, até a fase adulta – procura coletar dados e balizar seu conhecimento
sobre o assunto a fim de garantir um melhor acompanhamento dos casos.
Posteriormente, o conhecimento é compartilhado com os pacientes tratados no
Ambulatório do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) e seus familiares,
por meio de encontros, brincadeiras lúdico-educativas e oficinas.
Os
encontros duram em média uma hora, dependendo das necessidades dos
participantes. As atividades visam, basicamente, atender e esclarecer os
interesses prioritários dos pacientes e familiares, buscando a interação
dialógica por meio do compartilhamento de vivências. O objetivo é tornar o
serviço ambulatório mais acolhedor e a rotina menos temerosa.
O
desenvolvimento dessas ações de extensão leva em conta alguns referenciais
teóricos e metodológicos já que a AIDS alcança também dimensões biológicas,
socioculturais e políticas. Estratégias de educação em saúde são apontadas
juntamente com questões como a vulnerabilidade, o cuidado familiar, o
preconceito, a discriminação e a problematização da doença. Além disso, são
postas em pauta temáticas como a sexualidade e nutrição dos pacientes.
Parte
dessas pesquisas, análises e debates já foram premiadas e estão refletidas em
três livros: “Experiências
Interdisciplinares em AIDS”, “AIDS: O
que ainda há para ser dito?” e “Amamentação
e HIV/AIDS”, sendo os dois primeiros publicados pela Editora UFSM e o
último pela Editora Moriá.
Tainara
Luísa Liesenfeld