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Sedufsm completa 25 anos de luta nesta semana



No ano de 1989, as lesões desferidas nos porões do regime militar brasileiro recém ensaiavam uma tímida cicatrização. Durante os vinte anos de ditadura no país, a classe trabalhadora e suas entidades representativas sofreram golpes que acabaram por desestruturar boa parte do movimento sindical, calando os focos de insurgência com a repressão desmedida do Estado. Contudo, no final dos anos 1970, o proletariado nacional deu indícios de que o apassivamento acabara: grandes greves paralisavam o setor produtivo e suas assembleias enchiam estádios de futebol. A soberania do poder militar gozava de seus últimos suspiros, tendo levado o golpe fatal em 15 de janeiro de 1985.

Com o processo de redemocratização, os direitos foram, gradativamente, devolvidos à classe trabalhadora. No que tange aos servidores públicos federais, a Constituição de 1988, além de recuperar liberdades civis e políticas, traz um avanço salutar: agora as categorias do funcionalismo público poderiam se organizar em sindicatos. Esse elemento foi um dos que balizou a decisão tomada por aproximadamente 100 docentes que se encontraram em assembleia no dia 7 de novembro de 1989, numa sala da Antiga Reitoria da Ufsm: a fundação da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Santa Maria (Sedufsm). No ano em que a Sedufsm completa seu quarto de século de existência, cabe rememorar os primeiros passos de um sindicato que, desde sua fundação, trazia a firmeza necessária para lutar, com independência e autonomia, pelos direitos da categoria docente. Não se esgotando nas defesas das demandas específicas, a entidade sempre reservou energias para movimentos amplos que pautassem uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.

O prédio da Antiga Reitoria, no campus de Santa Maria, foi aquele que abrigou a sede provisória da seção sindical, instalada em uma pequena sala do oitavo andar e coordenada por Cristina Rosa, primeira funcionária da entidade. Ela dividia o espaço, de aproximadamente sete metros quadrados, com uma escrivaninha, um telefone e alguns armários para arquivos. Computador pessoal, naquela época, era um artigo de luxo acessível a poucos.

Da ANDES para o ANDES-SN

Não descolada do contexto de um país que dava seus primeiros passos rumo à restituição do sistema democrático, a fundação da Sedufsm ocorreu oito anos após a criação da Associação Nacional dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior, a ANDES. Quem rememora um pouco do cenário que gestou a entidade nacional é o ex-secretário geral do ANDES-SN, Márcio de Oliveira. “Foi um período muito fecundo, pois havia um sentimento de unidade. Muitas entidades nasciam e estávamos todos juntos na luta pela redemocratização, pelas liberdades, por uma vida sindical independente”, explica o sindicalista, lembrando que, naquele momento, surgia uma nova concepção de organização sindical: independente do estado e autônoma frente aos partidos políticos. É só em 1988, com a nova Constituição, que a Associação torna-se Sindical Nacional, o ANDES-SN.

No contexto de efervescência política e social por que o país passava, a classe trabalhadora apontava para a construção de instrumentos organizativos que capitaneariam a luta em seus mais variados âmbitos, dentre esses, no sindical. Surgia a Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1980, a partir de um processo no qual a ANDES teve um papel ativo, embora só fosse se filiar à central no ano de 1989. “O que se queria era o fim da ditadura, a redemocratização do país e o estabelecimento de uma nova proposta de sociedade”, lembra o docente.

Sedufsm se consolida

Se colocada numa linha histórica, a Sedufsm, desde sua fundação, demonstra uma curva ascendente. Tal constatação não significa ausência de perdas ou fraquezas, mas o acúmulo de uma série de vitórias que permitem à entidade, hoje, manter-se firme mesmo quando as investidas do capitalismo tentam fazer desmoronar a organização sindical. Essas vitórias vieram tanto no plano objetivo quanto no subjetivo: de uma sede provisória, a seção sindical instalou-se em uma casa própria na rua André Marques; de entidade que ainda engatinhava para firmar-se como referência para a categoria docente, a Sedufsm consolida-se como a entidade representativa legítima da categoria, obtendo sucesso em campanhas de sindicalização e congregando grande número de docentes em suas atividades.

Uma das primeiras lutas que impulsionou os demais avanços foi a travada em torno dos 84,32%, no início da década de 1990. Após ingressar com uma ação na Justiça do Trabalho, a seção sindical conquistou decisão favorável. Em janeiro de 1993, os docentes que anteriormente à Constituição de 88 eram regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) receberam reajuste de 84,32% em suas folhas de pagamento. Dessa vitória jurídica e política é que surgiu a sede própria do sindicato, benesse dos advogados responsáveis pela ação, que abriram mão de parte de seus pagamentos para que o sindicato pudesse adquirir a propriedade.

Desde então, diversos projetos nasceram e se fortaleceram tendo a entidade como propositora: Cultura na Sedufsm, espaço de debates sobre temáticas pertinentes não só ao universo docente, mas a toda sociedade; Vivências na Sedufsm, iniciativa de reaproximação de docentes já aposentados ou em vias de se aposentar; Reflexões Docentes, publicação sindical que reúne artigos escritos pela categoria; dentre outros diversos eventos e parcerias travadas pela seção sindical com outros movimentos sociais locais e nacionais.

No âmbito da universidade, a Sedufsm encampou lutas contra as fundações público-privadas e em denúncia tanto à Medida Provisória 520 quanto ao Projeto de Lei que instituiu a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), investida do governo federal contra o caráter 100% público dos hospitais universitários. Junto ao Sindicato Nacional, a entidade ainda engrossou movimentos contrários à Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp) e pela legitimação do ANDES-SN como representante legítimo dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), quando da tentativa do Proifes de tomar a carta sindical obtida pela entidade.

Ao rememorar os 25 anos que a Sedufsm completa nesta sexta-feira, 7, torna-se difícil separar a trajetória da entidade dos momentos ímpares vividos tanto no lócus da Ufsm – incluindo seus quatro campi – quanto na cidade de forma geral, do que é exemplo a parceria social construída pela entidade com os movimentos que pedem justiça pela tragédia na boate Kiss.

Mais informações no site da Sedufsm.

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

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