Preocupada com o que vem sendo divulgado nas redes sociais sobre o caso da cadela que teria sofrido maus tratos (algum tipo de violência) no Campus Sede da UFSM, a Administração Central esteve reunida na tarde desta quinta-feira (2) com representantes de Organizações Não Governamentais (ONGs) de Proteção dos Animais para apresentar o relatório técnico do atendimento prestado ao animal, realizado pelo Hospital Veterinário Universitário (HVU). Além dos representantes das ONGs 4 Patas, Focinhos Felizes e Protetores Independentes, o encontro contou com a participação do veterinário e vice-reitor, Paulo Bayard; do assessor de Gabinete, Caio Gomes; da diretora do HVU, Anne Amaral; do chefe da Vigilância da Universidade, Eduíno Jesus Martins Simões; e da ouvidora da UFSM, Sonia Roselaine Deprá Venturini.
O vice-reitor iniciou o encontro salientando que o motivo da reunião teve como base o anseio pela veiculação da verdade e não do sensacionalismo. Segundo ele, que é o responsável pelo Projeto Zelo, iniciativa da Instituição com o objetivo de acabar com o abandono de cães na UFSM e estimular a guarda responsável, o caso tomou proporções sem fundamentação alguma da realidade.
Conforme declaração de Simões, o caso está sendo investigado pela Polícia Civil – Boletim de Ocorrência (BO) 9155-2015 -, como todos os demais que possam configurar maus-tratos e/ou abandono de animais ocorridos na UFSM. Ele, que já prestou depoimento no órgão, revelou para os presentes que a cadela foi atropelada na noite do domingo (22 de março) no quebra-molas, em frente ao prédio 17, sendo encontrada na manhã da segunda-feira (23), nas proximidades da Pista de Caminhada. Vigilantes socorreram o animal, conduzindo-o ao HVU, e fizeram o BO na Polícia Civil, que está com as imagens cedidas pelo setor de Vigilância da Instituição para auxiliar nas investigações.
Após toda a veiculação distorcida do caso na mídia e nas redes sociais, que deu origem às mais diferentes e absurdas interpretações, três vigilantes que “tratavam” o animal, por já ser da comunidade acadêmica, relataram a Simões terem presenciado o ocorrido: “após a cadela ser atropelada, ela saiu correndo. Por isso, não achamos que tivesse se machucado”, contou um deles. O atropelamento teria sido causado por um veículo, que comumente faz a reposição de material em um estabelecimento comercial aos domingos à noite, que não teria percebido o atropelamento, provavelmente, por não ter sido ocorrido um impacto maior. O que justificaria o fato do animal ter saído correndo após o acidente.
A médica veterinária Anne, do HVU, explica o que poderia ter causado o ferimento: “circunstância de atropelamento em que o rabo tenha sido puxado, tracionado pela roda do carro e, nesse mesmo movimento, tenha sido arrastado no chão, sem necessariamente que o carro tenha passado sobre o corpo do animal. Por isso a laceração cutânea (corte) e o edema (inchaço) no períneo”. A diretora ressalta ainda a realização de exames citológicos do cólon e do reto, que não apontam a ocorrência de qualquer material estranho nestes órgãos.
Após a exposição, Martha Segatto, representante da ONG Focinhos Felizes, comunicou que estava de acordo com o que foi apresentado, destacando que achou perfeita a postura da Reitoria, já que pela primeira vez, acompanha a mobilização da Administração da UFSM, no que se refere aos cuidados e zelos para com os animais. “Estamos juntos. Surge uma parceria”, disse ela, fazendo menção ao trabalho desenvolvido pela Instituição.
Paulo Bayard, por sua vez, ressaltou que para qualquer indício de maus-tratos a animais no âmbito da Instituição, será aberta investigação e o caso será levado às autoridades. “Se o mau trato ou abandono for configurado, será aberta sindicância, com as responsabilizações no âmbito da UFSM e responsabilidade criminal. Abandono é crime”, salientou. O vice-reitor lembrou ainda que animais que são abandonados no Campus estão expostos a perigos constantes, pelo tráfego de veículos e pelas atividades constantes inerentes à atividade acadêmica. Ele contou ainda que o Projeto Zelo, em parceria com o Hospital Veterinário, realizou um cadastro dos 74 cães que hoje transitam no Campus Universitário, através de fichas com fotos e características de cada um deles, sendo o próximo passo a colocação de chips de identificação em todos.
Destacou, por derradeiro, que está descartada a hipótese absurda de violência de caráter sexual para com a referida cadela, portanto, rechaça com provas e documentos qualquer tentativa de quem quer que esteja, de forma oportunista, tentando auferir algum tipo de vantagem com este lamentável episódio, que além do trauma ao animal, trouxe também agressões e suspeições descabidas a diversos setores da UFSM. Sendo assim a UFSM considera que as repercussões deste ponto em diante serão de inteira responsabilidade dos autores das denúncias infundadas.
O relatório técnico do atendimento realizado pelo Hospital Veterinário pode ser conferido, na íntegra, aqui.