O consumismo – muitas vezes inconsequente – tem
trazido ao meio ambiente diversas consequências.
cidade da região central do Rio Grande do Sul, polo universitário e marcada
pelo comércio, não é diferente.
Pensando nisso, a mestre em Direito pela UFSM
Luiza Rosso Mota apresentou recentemente sua dissertação de mestrado – na linha de pesquisa
“Direitos da sociobiodiversidade e sustentabilidade” – intitulada “O
Instrumento da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos no contexto da
obsolescência programada e percebida: um olhar a partir da cidade de Santa
Maria/RS”.
O trabalho teve por finalidade demonstrar a
situação dos resíduos eletrônicos na Boca do Monte, por meio de uma pesquisa
que apresenta as características do consumo, os pontos de coleta desses
resíduos, sua durabilidade e o conhecimento das pessoas sobre esses produtos
desde a compra até o descarte.
Segundo Luiza, “ao mesmo tempo em que se
buscam soluções para atender às demandas impostas pelo excesso de ‘lixo’ no planeta,
comprar, descartar e comprar novamente, em um breve espaço de tempo, parece ser
uma prática cada vez mais frequente”.
O descarte atinge cada vez mais patamares
assustadores. Por isso, ainda em 2010, o plenário da Câmara dos Deputados
aprovou em votação simbólica um substitutivo ao Projeto de Lei do
Senado que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e impõe
obrigações aos empresários, aos governos e aos cidadãos no gerenciamento dos
resíduos.
Tendo em vista que a PNRS determina a
responsabilidade coletiva desses atores pelo ciclo de vida dos produtos, a
pesquisa envolveu entrevistas com 11 pessoas de todas as esferas, desde o poder
público, setor empresarial até a população santa-mariense.
Além da questão da excessiva quantidade de
poluentes lançados no planeta, Luiza salienta que muitos desses refugos são
perigosos e tóxicos às pessoas e ao meio ambiente em função de seus
componentes, que também influenciam nas suas baixas durabilidades.
Mesmo com a PNRS em atividade, há uma falta de
consideração tanto das pessoas quanto das empresas em lidar com as questões de
meio ambiente. “Não existe ainda a aceitação do fato por parte das pessoas
de que os recursos naturais são finitos e as empresas, por sua vez, maquiam-se
atrás de discursos de sustentabilidade. Enquanto isso, o poder público dá mais
importância a outras pautas que não as ambientais”, destaca.
A análise a partir do estudo de
caso revelou que há um longo caminho a ser percorrido na cidade para diminuir a
distância entre texto (da lei) e contexto (realidade socioambiental) e para
alcançar o mínimo desejado em relação às questões ambientais, especialmente no
que tange aos resíduos eletroeletrônicos.
“As pessoas precisam ser mais conscientes das
suas atitudes. Ainda não têm noção da dimensão dos problemas dos resíduos,
principalmente dos resíduos eletroeletrônicos, que são considerados perigosos.
São poucas as pessoas que têm conhecimento e procuram um ponto de coleta para a
destinação adequada desses resíduos”, reforça Luiza, que é professora da
Faculdade Metodista de Santa Maria.
Para o descarte correto de resíduos
eletroeletrônicos, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente pode informar tanto por
telefone quanto em seu site sobre os pontos de coleta desses resíduos, além da
Químea Soluções Ambientais, que realiza esses tipos de coletas.
“Escolher o destino correto é priorizar uma
qualidade de vida melhor, não somente na esfera individual, mas também na
coletiva”, ressalta Luiza.
Pontos de coleta na UFSM
No âmbito da UFSM, em janeiro foram
instalados três novos pontos de entrega voluntária de resíduos
eletroeletrônicos, numa iniciativa da Comissão de Planejamento Ambiental da Universidade, em parceria com a Químea Soluções
Ambientais. Os pontos estão nos prédios 13 (CCNE), 17 (Departamento de
Geociências) e 18 (Departamento de Química).
Nos locais, são
recebidos diversos resíduos, como computadores, televisores, telefones fixos e
celulares.
Germano
Molardi – acadêmico de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
