Os
principais professores do Brasil foram elencados a partir de um ranking que
determina os três mil mais citados em revistas científicas, teses e sites
informativos de todo o mundo. Dentre eles, 15 dão aula
docentes da UFSM. O mais bem colocado entre eles é o professor João Batista
Teixeira da Rocha, do Departamento
Bioquímica e Biologia Molecular, que aparece na 28ª posição, com mais de 14 mil citações. O ranking,
formulado com dados do Google Escolar, foi levantado pelo site Ranking Web
Universities.
O alto
número de citações é um bom indicativo de que o trabalho feito pelo professor é
bem recebido, e aparecer em um ranking ajuda na visibilidade das pesquisas, mas
como afirma João Batista, “não vale a pena publicar várias pesquisas
ruins, a gente sofre de um histórico em que fomos estimulados a focar mais na
quantidade do que na qualidade”.
No
momento, o número de citações não é uma preocupação para o professor, mas sim a
necessidade de melhorar a educação de modo geral no Brasil, focando em sua área
de estudo, a ciência. “O Brasil precisa aumentar o número de cientistas,
precisa aumentar o número de pessoas envolvidas com a ciência, só que o
problema é muito mais grave, porque a gente não tem nem educação”,
declara.
Desde
1996, o professor João Batista trabalha em escolas com o objetivo de melhorar o
ensino, mas durante esse tempo a ajuda financeira para o projeto não foi
constante. Atualmente, a expectativa é que a fundação Ayrton Senna dê suporte
à causa.
Em
2002, quando seu trabalho em escolas recebeu o primeiro financiamento, é que ele
e seus alunos passaram a conhecer a realidade do sistema educacional.
“Trabalhamos principalmente em escolas do estado, a maioria com
laboratório, mas o professor não o usa porque não recebeu treinamento. As
pessoas não querem sair do conforto que têm, então é mais fácil chegar lá e
passar o livro do que fazer o aluno enxergar alguma coisa, ter
questionamentos”, analisa.
Junto com seus alunos, o
professor aplica uma metodologia alternativa nas escolas. Para isso, utiliza
gibis, planeja aulas em que o sujeito deve ser ativo para resolver problemas,
entre outras atividades. “Um dos objetivos é ver se essas atividades
experimentais causam alguma coisa mais significativa do que a prática
tradicional”, conclui ele, que é doutor
e Bioquímica pela UFRGS e tem pós-doutorado na UFRJ. Professor
da UFSM desde 1989, ele já trabalhou com pesquisas na área de toxicologia, como
contaminação por mercúrio, e sobre o uso de insetos e baratas para substituir
ratos e camundongos em pesquisas científicas.
Os demais
docentes presentes no ranking são: José Miguel Reichert (401º colocado), Carlos
Fernando Mello (554º), Bernardo Baldisserotto (654º), Telmo Amado (1.223º),
Gervásio Annes Degrazia (1.309º), Janio M. Santurio (1.428º), Paulo Bayard
Gonçalves (1.520º), Rogemar A. Riffel (1.552º), Nilton Cáceres (2.053º), Félix
Alexandre Antunes Soares (2.254º), Denis Broock Rosemberg (2.649º), Marta Gomes
da Rocha (2.917º) e Roselei Fachinetto (2.930º).
Pesquisadores importantes podem não aparecer na
lista se não tiverem cadastro online no Google Escolar.
Texto: Luana Mello, acadêmica
de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Divulgação
