Reunidos
no auditório Wilson
Aita,no
Centro
de Tecnologia (CT),
docentes da UFSM debateram, na sexta-feira (31), o modo como os
conteúdos são ensinados dentro das salas de aula, tanto nas
escolas, como nas universidades. O evento, organizado pelos projetos
CT
Ação e Prograd em Movimento, através da Unidade de Apoio
Pedagógico do Centro de Tecnologia da UFSM (UAP/CT), foi ministrado
pelo estudante de design da UFRGS Bruno Queiroz, de 21 anos, que tem percorrido o mundo em busca de contato com metodologias educacionais transformadoras e contou suas experiências dentro e
fora
do Brasil.
Na
universidade e nas escolas que
visitou, como a Riverside School, na Índia e Schumacher College, na
Inglaterra, Bruno constatou que várias atitudes, como dar voz aos
estudantes para que eles digam o que desejam aprender, não são
iniciativas
usuais
no Brasil. A escola que limita as crianças ao ambiente da sala de
aula e exige delas uma maturidade ainda não desenvolvida, não
percebe que está freando o aperfeiçoamento de habilidades que os
alunos possuem em outras áreas. Bruno acredita na capacidade das
crianças em propor e executar ações exemplares, como o abaixo-assinado que os estudantes indianos realizaram contra o trabalho
infantil. Bruno visualiza que, através de um ensino eficaz, os
alunos possuirão as ferramentas necessárias para colocar em prática
as suas ideias. “As crianças não sabem menos, elas sabem outras
coisas. Todo mundo sabe uma coisa para ensinar”, afirmou.
A
importância da relação entre professores e alunos no
desenvolvimento de novas formas de aprendizagem também foi defendida
por Bruno, que acredita que a hierarquia entre essas duas classes não
deva
existir. “Quando tu começa a entender cada aluno, tu quebra essa
hierarquia”. A inspiração para essa mudança pode ter como base
escolas aqui no país.
Bruno mostrou exemplos brasileiros, como a Amigos do Verde, de Porto
Alegre e a Ayni, de Guaporé, que desenvolveram modelos educacionais
mais reflexivos, criativos e solidários. Ainda durante o evento, os
professores que estavam presentes relataram experiências pelas
quais passaram, tanto na vida acadêmica, quanto na docência, e
expuseram suas expectativas em relação ao futuro da educação no
Brasil.
O
objetivo do evento, segundo o professor e diretor do Centro de
Tecnologia, Luciano Schuch, é fazer com que os professores dialoguem
entre si e encontrem uma solução ao ensino nas universidades.
Segundo Schuch, os professores não sabem como reagir ao modelo
amarrado do Projeto Pedagógico de Curso, que tem como consequência
prender o aluno na sala de aula. “Esse
é um problema estrutural do nosso país e temos
que enfrentar. Como enfrentamos
isso? Conversando, parando de trabalhar, trazendo
pessoas que tenham uma vivência já disso”, afirmou o professor.
Schuch também acredita na importância de mostrar exemplos positivos
aos professores, para que eles sintam-se motivados a romper com os
paradigmas. “O que a gente quer na nossa universidade é fazer
diferente”.
Ciclo
de palestras
O CT Ação, através da UAP/CT, promoverá novas oficinas de formação continuada aos docentes do CT e da UFSM, intituladas “Conversa de Professor”, durante o ano letivo. Está prevista uma oficina a cada mês. O objetivo dos eventos é trazer professores e alunos que tenham vivência em outras universidades e escolas e compartilhar essas experiências com os professores da UFSM.
Nos meses de maio e junho, está prevista a parceria desta ação com a Prograd Movimento para divulgar, respectivamente, o curso Reforma e o projeto Atitude Empreendedora.
Mais informações podem ser obtidas através dos emails uapct@ufsm.br ou simoni.hermes@ufsm.br.
Texto e fotos: Gabrielle Ineu Coradini, acadêmica de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: João Ricardo Gazzaneo
