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Pesquisadores do Cappa, da UFSM e da USP descobrem mais antigo dinossauro de pescoço longo

Dois pesquisadores trabalham na rocha enquanto um terceiro olha para um bloco coberto com gesso
Registro da escavação em que o fóssil foi encontrado (Foto: Arquivo CAPPA)

Pesquisadores brasileiros acabam de publicar um estudo no periódico britânico Biology Letters onde apresentam uma nova espécie de dinossauro descoberto no Brasil. O animal, que recebeu o nome de Macrocollum itaquii, foi descrito a partir de três esqueletos fossilizados escavados em rochas triássicas do município de Agudo, no interior do Rio Grande do Sul. Além de estarem associados e muito bem preservados, os materiais representam a primeira ocorrência de esqueletos completos de dinossauros no Brasil.

Com cerca de 3,5 metros de comprimento, o que mais chama a atenção nesses animais é o pescoço bastante longo. Esta é uma das principais características do grupo de dinossauros que inclui os gigantes pescoçudos, os saurópodes, como Brachiosaurus e Apatosaurus. Um ponto importante acerca da nova descoberta é que Macrocollum itaquii é muito mais antigo do que qualquer outro dinossauro de pescoço longo já descrito, uma vez que as rochas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos. Isso faz com que o novo dinossauro brasileiro passe a ser o mais antigo pescoço longo já descoberto.

Desenho do dinossauro mostra uma cauda de um metro
Representação esquemática do Macrocollum itaquii (Desenho: Rodrigo Müller)

 

Essa idade também o torna muito especial, pois existia uma lacuna no registro fóssil de dinossauros, com vários esqueletos de idades um pouco mais antigas e um pouco mais recentes, mas aqueles com aproximadamente 225 milhões de anos são muito raros. O momento é importante para a história evolutiva dos dinossauros, porque antecede o período em que os dinossauros se tornaram dominantes em quase todo o planeta. Assim, o Macrocollum itaquii ajuda a entender como eram os dinossauros que antecederam esse momento e também quais características podem ter levado ao grande sucesso posterior do grupo.

Pescoçudo viveu na Era Mesozoica 

Desenho de grupo de dinossauros pescoçudos
Grupo de Macrocolluns em uma floresta do Triássico (ilustração por Márcio Castro)

A dentição do novo dinossauro indica que ele se alimentava de plantas. Deste modo, o pescoço longo pode ter permitido que os animais dessa espécie alcançassem a vegetação mais alta, a qual outros animais da mesma época não eram capazes de alcançar. Essa habilidade provavelmente foi uma das principais responsáveis pelo sucesso do grupo dos sauropodomorfos – do qual o Macrocollum itaquii faz parte – durante a Era Mesozoica. 

Por meio do estudo da anatomia dos esqueletos também foi possível traçar como foi a evolução de determinadas características nos sauropodomorfos.

Fóssil bem preservado ajudou a traçar a evolução de características dos sauropodomorfos

Ao utilizar como bases fósseis de outros animais desse grupo no Rio Grande do Sul, mas de diferentes idades, os pesquisadores concluíram que durante um intervalo de oito milhões de anos, a dieta herbívora foi aprimorada no grupo, os sauropodomorfos cresceram significativamente e o pescoço tornou-se proporcionalmente duas vezes mais longo.

Outra novidade revelada pelos esqueletos excepcionalmente bem preservados é que esses animais possivelmente andavam em grupos, um comportamento chamado de gregarismo. Essa também é a mais antiga evidencia desse tipo de hábito em sauropodomorfos.

Origem do nome

O nome “Macrocollum” significa pescoço longo, em referência a principal característica do animal. Já “itaquii” faz homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio a Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, onde os fósseis do dinossauro estão depositados.

Achado ocorreu em 2013

Em primeiro plano se nota o crânio de um animal na mão de uma pessoa e, ao fundo, desfocada, a imagem de um fóssil completo de um pescoçudo
Pesquisador compara tamanho do crânio do animal com fóssil completo

Os esqueletos foram coletados no início de 2013 e passaram por um cuidadoso trabalho de preparação durante os últimos anos, com o objetivo de extraí-los da rocha em que seus restos foram preservados. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo são o paleontólogo Rodrigo Temp Müller, do Centro de Apoio a Pesquisa Paleontológica da UFSM, o professor Max Cardoso Langer, da Universidade de São Paulo, e o professor Sérgio Dias da Silva, da UFSM.

Os fósseis da nova espécie ficarão depositados no Cappa, em São João do Polêsine, onde poderão ser visitados, tanto por pesquisadores como por quaisquer pessoas interessadas que queiram conhecê-los.

Texto: Rodrigo Temp Müller, paleontólogo

Edição: Agência de Notícias