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Último dia da 1ª Jornada Multidisciplinar do Enfrentamento da Covid-19 destacou a valorização da ciência



Após cinco dias de debates e reflexões acerca de temas importantes para a compreensão do momento que estamos vivendo, o último dia da 1ª Jornada Multidisciplinar Online sobre o Enfrentamento da Covid-19 na UFSM, realizado na sexta-feira (19), destacou a importância de valorizar, fazer e dar credibilidade à ciência. O encerramento do evento contou com a participação das professoras do Centro de Ciências da Saúde (CCS) Priscila de Arruda Trindade, Sandra Trevisan Beck e Marinel Mór Dall’Agnol.

As professoras do CCS iniciaram a palestra “SARS-COV-2 e os testes disponíveis e utilizados no Brasil” mostrando a estrutura do novo vírus através de ilustrações, exemplificando suas proteínas, seu genoma e outras características que conseguem especificar o vírus. Também explicaram como ele reage no corpo do infectado e como é possível identificá-lo através dos testes.

Após, fizeram um comparativo com termos técnicos sobre os diferentes testes para identificar a Covid-19 – disponíveis no site da Anvisa -, dividindo-os em moleculares e sorológicos. Os primeiros, segundo Priscila, confirmam o vírus através da detecção do RNA (da molécula) da pessoa, e os segundos, de acordo com Sandra, verificam a resposta imunológica do corpo em relação ao vírus.

As professoras ainda explicaram a dinâmica de dois anticorpos no corpo com Covid-19: o IgM e o IgG. O primeiro indica que a infecção está na fase ativa, sendo os primeiros anticorpos a aparecer quando o vírus ou bactérias nocivas atacam o corpo. Já os anticorpos IgG atuam na fase mais tardia da infecção. Além disso, comentaram que estudos estão sendo desenvolvidos para detectar a existência de anticorpos neutralizantes capazes de proteger o corpo do infectado.

Independente do tipo de teste realizado, explicou a professora Priscila, todos devem seguir diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Deve-se olhar se estão registrados na Anvisa e precisam possuir algumas características, como processo de validação, sensibilidade e especificidade analítica e diagnóstica e intervalo reportável.

Palestrante destacou a importância da ciência e fez comparativo entre epidemias que assolaram o Brasil

Para concluir a 1ª Jornada Multidisciplinar Online sobre o Enfrentamento da Covid-19, a professora Marinel Mór Dall’Agnol, do Laboratório de Epidemiologia da UFSM, por meio da palestra “Pandemia Covid-19: Epidemiologia e saúde coletiva, importância e papel da ciência no momento atual”, fez algumas reflexões sobre o valor da ciência, principalmente em contextos como o que estamos vivendo. Com um resgate histórico de pandemias que marcaram o Brasil no passado, como a Febre Amarela e a Gripe Espanhola, Marinel realçou a contribuição de cientistas nesses períodos.

Descumprimento de isolamento social, desvalorização de cientistas e ataque à mídia foram alguns dos outros assuntos pincelados pela professora e citados em comparação com o contexto atual. Segundo Marinel, o cenário se repete e, se nada for feito, pode-se chegar a milhões de óbitos, assim como aconteceu em pandemias anteriores. “Há uma curva ascendente no Brasil que não demonstra nenhum sinal de estabilizar e muito menos de descender, ela segue subindo. Precisamos de debates e reflexões de como chegamos até aqui e como podemos sair melhores de tudo isso”, comentou.

A epidemiologista ainda retratou dados sobre a situação atual da Covid-19 no mundo, no país, no estado e em Santa Maria, e apontou a falta de investimento em testes e em pesquisas. Além disso, mencionou a demora de resultados dos testes e a falta de clareza em sua divulgação. Em contrapartida, destacou os 11 estudos que vêm sendo desenvolvidos em busca de uma vacina que cure o vírus – dois deles no Brasil, no Instituto Butantã, em São Paulo – e falou sobre a notícia do primeiro tratamento que reduz a mortalidade em doentes graves, a dexametasona.

Por fim, refletiu sobre a relação do ser humano com o ambiente e a necessidade de se ter mais respeito com os animais e a natureza. “Precisamos pensar nossa relação com o meio ambiente. Se não tivermos uma relação de respeito, novos vírus e epidemias estão por vir. As epidemias não vêm do além”, explicou.

O encerramento das palestras ficou sob responsabilidade do pró-reitor adjunto de Pós-Graduação, Thiago Machado Ardenghi, que agradeceu os dois grupos de pesquisa responsáveis pelo evento, o Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Bioestatística (GEPEBio) e o Grupo de Pesquisa em Comportamento Inovador, Estresse e Trabalho (GPCET). “Mostra um pouco sobre o que a Universidade tem feito e está fazendo no enfrentamento da crise. Espero que esses encontros e essas adversidades nos deixem mais unidos”, destacou Ardenghi.

Todo o evento pode ser reassistido na plataforma Farol UFSM.

Texto: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias da UFSM
Revisão: Ricardo Bonfanti, jornalista da Agência de Notícias da UFSM


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