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Após dois anos a distância, Flism retorna como presença cultural de Santa Maria

Evento reuniu diferentes autores para celebrar a literatura em todos os seus âmbitos



Na última semana, de 5 a 8 de outubro, aconteceu a 5ª edição da Festa Literária de Santa Maria (Flism) no auditório da Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria (Cesma) e no Espaço Multidisciplinar de Pesquisa e Extensão da UFSM em Silveira Martins. O evento, que teve suas duas últimas edições online devido à pandemia, contou com cerca de 300 inscritos e mais de 500 presentes durante a sua realização. Além de convidados ilustres, a festa literária contou com a presença de seus idealizadores: os professores da UFSM Raquel Trentin (Departamento de Letras Vernáculas), Gerson Werlang (Departamento de Música) e Enéias Tavares (Departamento de Letras Clássicas e Linguística).

O grande retorno: reunir as pessoas em torno da literatura

Para Enéias, que também é diretor da Editora UFSM, as expectativas para a volta presencial da Flism foram realizadas, isto é, reunir pessoas de todos os extratos da comunidade; não somente do âmbito acadêmico, mas também de toda a cidade de Santa Maria. “Nosso objetivo é essa reunião, de pessoas que, de onde quer que venham, adoram discussões culturais, de qualidade, e prestigiar autores de relevância”, relata o professor. Ele celebra que, mais uma vez, foi possível trazer grandes nomes da literatura nacional e promover debates a respeito de outros grandes nomes da literatura mundial e assim, “reunir pessoas numa celebração da literatura e cultura”. Ainda para o docente, essa volta significa sobretudo uma vitória da cidade, da vacina e de tudo que foi feito para combater a Covid-19 e, portanto, retomar os encontros. Aliás, Enéias considera a Flism um convite para a comunidade sair de casa e fazer outras ações, as quais compreendem a festa literária.

O painel sobre a literatura produzida em Santa Maria repete-se a cada edição da Flism

A literatura conduz para além dos muros

O retorno presencial do evento também é decorrente de sua presença em outros setores, que vão desde as redes sociais a escolas públicas, como conta umas das organizadoras, a acadêmica de Licenciatura em Letras/Português da UFSM, Emili Fernandes. Para a mesma, essas ações fizeram com que a iniciativa continuasse forte mesmo quando era realizada via painéis gravados no Youtube. Uma dessas atividades para além dos dias de evento foi a criação do clube de leitura Flism, o qual discute obras dos autores presentes na festa e, dessa forma, fideliza o público, conforme Emili. Outro ponto que chamou sua atenção ocorreu no sábado (8), em Silveira Martins, pois “foi uma ideia muito bacana dos organizadores pensar em explorar a universidade e a sua extensão”, enaltece.

Segundo Emili, a importância da Flism se dá pelo quanto ela sai da universidade, por englobar o público em geral. Através de oficinas em escolas públicas da região, jovens e adolescentes conhecem o evento e seu conteúdo e, com isso, marcam presença nesse espaço. Ademais, Emili reforça o peso que organizar a celebração tem para si e para seus colegas de profissão, porque, ao estarem envolvidos com todo o processo, podem um dia criar outra festa literária ou de fomento à cultura. Ela salienta: “é um espaço que tem a arte ali, que tem a cultura envolvida, isso é super importante para nossa formação como pessoa, como ser humano, como ser social. E é gratuito, então o acesso é facilitado”.

Na Cesma, onde a Flism aconteceu, o público teve a oportunidade de adquirir livros de escritores que participaram do evento, incluindo autores de Santa Maria

Esse sentimento é partilhado pela professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFSM, Eliana Sturza. Além de estar presente no painel “Literatura de/em Santa Maria: Conto, Crônica, Sátira” (o qual acontece em todas as edições), ela lançou o livro Crônicas de Lili, Entre o Salso e a Divisa, seu primeiro passo como autora. Ela conta que, pelo fato de o projeto Flism ser de um grupo de professores, consequentemente atua em extensão. Inclusive, é mantido um acervo de literatura, principalmente local, no centro de documentação do Espaço Multidisciplinar da UFSM em Silveira Martins. O evento não só proporciona a vinda de autores consagrados à cidade, mas também de quem está no começo de sua trajetória literária, como é o caso da própria docente. “Por estar iniciando, confesso que não sei muito me comportar como autora, foi um privilégio participar do painel com os meus colegas. Esse momento, reservado a autores locais, dá-nos visibilidade, não somente para o público professor/aluno, mas para todas as pessoas da cena cultural de Santa Maria”, explica Eliana. Essa oportunidade faz com que a informação de que é autora e possuiu um livro circule e, como já houve com ela, permite que sua obra receba comentários, algo extremamente gratificante em seu entendimento.

O nascimento de uma tradição

“Devido à convergência entre escritores contemporâneos e clássicos e o diálogo entre academia e sociedade, a Flism está começando a se tornar tradicional na cidade”, acredita Eliana. Para a mesma, o evento é envolvente. Envolve a Cesma, o público, a universidade, as escolas, os professores de diversas instituições, dentre outros. Com isso, ele começa a fazer parte da cena cultural de Santa Maria. Esse fator igualmente chama a atenção de Enéias. Ele conta que, após a Feira do Livro no primeiro semestre, a cidade fica carente de um momento para discutir literatura no decorrer do ano. Vazio que é hoje ocupado pela festa literária. Ademais, o reconhecimento chegou à Prefeitura de Santa Maria, visto que neste ano esta passou a apoiar a realização. Por outro lado, com o corte de verbas na educação, a universidade não pode dar todo o auxílio financeiro necessário. “Essa situação me fez perceber a alegria de um lado, e a tensão de outro, vinda da insegurança dos cortes. É por isso mesmo que deve haver a Flism, para criar momentos de divertimento em meio a uma atmosfera tensa como esta”, aponta.

A diversidade cultural

De Emily Brontë a Carolina Maria de Jesus, a variedade de autores abordados nos painéis é uma característica presente em todas as edições da Flism, e nesta não foi diferente. Isso foi o que chamou a atenção da advogada Azânia Valmerate, que prestigiou o bate-papo com a tradutora Márcia Heloísa a respeito da autora de um de seus livros favoritos, O Morro dos Ventos Uivantes. Sobre o momento, ela comenta: “Foi extraordinário participar do painel e ver por que a Emily é tão famosa e as pessoas gostam tanto dela. Uma pessoa simples, mulher do campo, nunca ia imaginar que atingiria todos os confins do mundo, por abordar a questão das emoções, tão bem trabalhada no livro”.

Outrossim, Azânia não tinha conhecimento do evento: “realmente merece o título de festa literária, porque é uma diversidade infinita, fiquei tocada com a abordagem a cada autor de diferentes épocas, pessoas que fizeram diferença no mundo ao enriquecerem nossas culturas”. Além disso, a advogada achou fantástico a Flism trazer pessoas do mundo das editoras, e conta que ficou emocionada, porque nunca participou de um evento dessa forma, com tamanha interação. “A gente tem a oportunidade de conhecer autores diversos com temas e ideais diversos, isso foi feito. Com certeza, pretendo voltar em edições futuras”, finaliza.

Texto e fotos: Gabrielle Pillon, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Lucas Casali

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