Na tarde deste domingo (11), foi realizada a última prova do Vestibular e do Processo Seletivo Seriado (PSS) de 2026 da UFSM. Desta vez, o tema da prova foi “Mundo do Trabalho” e a redação abordou “A flexibilização nas relações de trabalho no Brasil”. Nas duas primeiras provas, realizadas na tarde de sábado (10) e nesta manhã, os temas abordaram os “Geoparques e sua importância no desenvolvimento científico, tecnológico e econômico nos territórios que os abrigam” e “As diferentes acepções do livro, seja físico, digital ou interativo”.

Abstenções na terceira prova
Desta vez, o índice de abstenção registrado foi de 35% na prova do Vestibular, um aumento de 1% em relação à segunda prova. Já o PSS, segundo o coordenador de Tecnologia Educacional da UFSM e coordenador geral do Vestibular e do PSS, Jerônimo Tybusch, teve abstenção de 7,4%, levemente maior em relação à segunda prova do PSS.
Trânsito e ocorrências médicas
Ainda conforme Tybusch, não foram registradas intercorrências no trânsito ou de saúde. Além disso, segundo o chefe do Núcleo de Ingresso e Seleção Acadêmica (Nisa), Tarcísio Ceolin Júnior, a abertura e fechamento dos portões e início das provas foram realizadas nos horários corretos.
Os próximos passos
Ainda de acordo com Tarcísio, o próximo passo será o recolhimentos dos malotes da terceira prova em todas as cidades. Ele previu que os exames realizados em Santa Maria e cidades próximas chegarão ao campus sede ainda hoje. Já os de cidades distantes, como Uruguaiana e Florianópolis, têm previsão de chegada na tarde de segunda-feira (12). O chefe do Nisa ainda destacou que existe a expectativa de iniciar a correção dos cartões ainda na próxima semana.
PSS finaliza seu primeiro ciclo
A terceira etapa do Processo Seletivo Seriado, que se iniciou hoje (11), às 13h30min, marca a conclusão de um ciclo que começou em 2024 e vai culminar com a primeira turma de alunos que entra na UFSM desde que o processo seletivo voltou a ser oferecido pela universidade.
O coordenador Jerônimo Tybusch avalia que o baixo índice de abstenção registrado no PSS ao longo dos últimos três anos confirma a escolha acertada da universidade ao destinar 40% das vagas ao modelo seriado. Segundo ele, o PSS possui um “DNA feito para a escola, desde a escola e com a escola”, por se tratar de uma prova realizada ao final de cada ano do ensino médio, o que favorece o acompanhamento contínuo dos estudantes. “Esse contato permanente faz com que a abstenção seja baixíssima e, provavelmente, a evasão também”, afirmou.
Para Tybusch, os resultados também são fruto de uma estratégia consistente de comunicação e aproximação com a comunidade. Ele destaca a divulgação antecipada do edital, lançada em junho, e o papel da Coordenadoria de Comunicação nesse processo.
O coordenador ainda ressaltou que durante o Descubra UFSM, cerca de 27 mil pessoas foram impactadas, muitas delas realizando inscrições tanto para o Vestibular quanto para o PSS. Além disso, Tybusch destacou o apoio das coordenadorias regionais de educação, das escolas e da formação de redes de contato como fatores essenciais. “Não se faz um processo seletivo sem esse vínculo com a comunidade”, concluiu.

A reitora da UFSM, Martha Adaime, avalia que os resultados do PSS 3, com índice de abstenção de 7,4%, reforçam a consolidação do Processo Seletivo Seriado e o encerramento positivo de seu primeiro ciclo de três anos. Para ela, o número é significativamente inferior ao observado em vestibulares e outros concursos, cuja média de abstenção costuma chegar a cerca de 30%. “Isso demonstra um pertencimento maior do candidato ao fazer o PSS”, destacou.
Segundo a reitora, o resultado foi bastante positivo e é indicativo de que a decisão de destinar 40% das vagas da UFSM ao PSS foi acertada. Ela ressaltou, no entanto, que a universidade seguirá avaliando o modelo de forma contínua nos próximos anos, à medida que o sistema se estabilize e amplie seu alcance.
Por fim, a reitora agradeceu às equipes que fizeram parte da organização do Vestibular e previu para fevereiro a divulgação da lista de aprovados. “Queremos agilizar esse processo e dar início ao processo de matrículas na sequência”, afirmou.
Professora avalia tema de redação
A professora de redação Vanessa Pagnussat avalia que o tema da redação do Vestibular surpreendeu tanto pelo gênero quanto pela abordagem escolhida. Segundo ela, havia a expectativa de que a prova retomasse o formato de carta aberta, adotado em 2024.
Para a docente, o artigo de opinião dialoga diretamente com a proposta temática, que tratou das flexibilizações nas relações de trabalho no Brasil, pois permite que o candidato se posicione criticamente e explore diferentes pontos de vista sobre o assunto.
Na análise prévia, Vanessa destacou que a temática envolve questões como terceirização, flexibilização das leis trabalhistas e a chamada “uberização” do trabalho, fenômenos que evidenciam mudanças profundas no mercado, muitas vezes associadas à precarização e à perda de direitos.
Ela ressaltou que o gênero exige que o estudante assuma uma voz autoral, dialogando ou contrapondo-se a outras perspectivas, o que abre espaço para referências teóricas como Karl Marx, Milton Santos, Zygmunt Bauman e Manuel Castells, especialmente nas discussões sobre tecnologia, trabalho e relações sociais.
Texto: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias
Fotos: Paulo Baraúna, estudante de Desenho Industrial e bolsista na Agência de Notícias
Edição: Lucas Casali