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Grupo de pesquisa da UFSM desenvolve ferramenta de análise de risco para transtornos psicológicos

A Calculadora SMFQ aponta a probabilidade de depressão, ansiedade, pânico e estresse pós-traumático em pacientes



A união entre medicina e tecnologia resultou na criação de uma ferramenta online gratuita para auxiliar profissionais da saúde mental no diagnóstico de transtornos psicológicos, liderada por pesquisadores da UFSM do grupo Mental Health Epidemiology Group. A Calculadora SMFQ recebe esse nome por conta do seu questionário, que utiliza a escala Short Mood and Feelings Questionnaire (SMFQ).

Essa escala geralmente é utilizada para a avaliação de quadros de depressão, mas no projeto ela é aplicada para outros diagnósticos, como ansiedade generalizada, ansiedade social, pânico e estresse pós-traumático. As respostas dadas às 13 questões são analisadas por meio da Teoria de Resposta ao Item (TRI), a mesma ferramenta utilizada pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para calcular o desempenho dos estudantes, que atribui uma taxa de probabilidade diagnóstica e o nível de sintomas para cada um dos quadros.

O TRI não analisa apenas as respostas do paciente, mas também a estrutura do questionário e permite a estimativa do transtorno psicológico e seu nível de intensidade com base na probabilidade de cada resposta. Essa metodologia oferece mais precisão que a Teoria Clássica dos Testes (TCT), que se baseia apenas no total de pontos obtidos no questionário.

“A ideia não é substituir o diagnóstico psiquiátrico, que é complexo e sempre deve ser feito por um profissional, mas ser uma ferramenta de auxílio, baseada em evidências científicas e dados estatísticos, para o rastreio rápido de múltiplas condições”, destaca Gabriele dos Santos Jobim (estudante do oitavo semestre de Medicina da UFSM e bolsista de iniciação científica), que é a autora principal do projeto.

Além da aplicação para múltiplos diagnósticos e da utilização da TRI para analisar o padrão de respostas e oferecer resultados mais precisos e personalizados, o projeto se destaca pela utilização das calculadoras de risco, já populares em outras áreas da medicina, mas ainda pouco utilizadas na psiquiatria. O trabalho foi publicado como um artigo no Journal of Psychiatric Research, revista de alcance internacional na área de saúde mental.

O trabalho foi orientado pelo professor de Medicina da UFSM Maurício Hoffmann e contou com a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro e Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (Cism). A Calculadora SMFQ está disponível online. Para utilizar a ferramenta é preciso cadastrar o e-mail do profissional responsável pelo acompanhamento.

Inovação na aplicação dos questionários e metodologia de cálculo

A ideia para o projeto surgiu quando Gabriele analisava a base de dados da Brazilian High Risk Cohort Study (em português, “Estudo de Coorte de Alto Risco para Condições Mentais no Brasil”), um estudo que aplicou vários questionários sobre transtornos psicopatológicos desde 2010. Nessa pesquisa foram aplicadas várias escalas para compreender os sintomas e a frequência com que eles apareciam.

Durante a análise, Gabriele começou a pensar em aplicar essas escalas – que eram utilizadas para transtornos específicos como ansiedade e depressão – de uma forma mais abrangente, que não fale sobre condições específicas, mas sobre um espectro, o espectro internalizante que abrange condições como transtorno depressivo maior, transtorno de ansiedade generalizada, ansiedade social e transtorno do pânico. Segundo a estudante, essa análise dimensional das patologias psicológicas tem se popularizado dentro da psiquiatria.

“A gente chegou nessa escala, a SMFQ, que tradicionalmente é usada para o rastreio da depressão. Mas, fazendo as análises das propriedades da escala, a gente viu que ela funcionava muito bem para detectar outras condições do espectro internalizante dentro dessa base de dados”, lembra.

O espectro internalizante se refere a condições de saúde mental em que os indivíduos frequentemente direcionam seu sofrimento e emoções negativas para dentro de si. Alguns de seus quadros são ansiedade, depressão, ansiedade generalizada, ansiedade social, pânico e estresse pós-traumático, que são avaliados pela calculadora, e outros relacionados.

Dentro do seu grupo, o Mental Health Epidemiology Group, o professor João Pedro Gonçalves Pacheco e o médico João Villanova do Amaral trabalhavam em um aplicativo para aplicação digital de uma outra escala, com o objetivo de melhorar a sua precisão estatística.

“As ideias de digitalizar a escala, de utilizá-la para rastrear mais de uma condição e incorporar a Teoria de Resposta ao Item para cálculos que não podem ser feitos com uma simples soma à mão, foram se integrando e alinhando na ideia de fazer essa calculadora.”

Geralmente essas escalas são aplicadas de forma impressa e a pontuação é avaliada com base na Teoria Clássica dos Testes, que soma as respostas de cada item para gerar uma pontuação final. No entanto, essa forma de análise dos resultados tem sido criticada pelos pesquisadores da área e a aplicação da TRI tem sido vista como uma alternativa mais eficiente, mas que precisa de mais recursos para ser aplicada.

“A TRI tem cálculos bem complexos que não teriam como ser feitos no papel, é preciso algum software para empregá-lo na prática clínica com agilidade. A calculadora consegue fazer isso”, explica Gabriela. Com a análise dos dados da Coorte de Alto Risco, foi gerada uma TRI específica para a escala SMFQ.

Texto: Bernardo Silva, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Arte gráfica: Daniel De Carli

Edição: Lucas Casali

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