Ir para o conteúdo UFSM Ir para o menu UFSM Ir para a busca no portal Ir para o rodapé UFSM
  • International
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

Radar Esportivo volta a transmitir o Gauchão de futebol após sete anos longe das cabines

Projeto de extensão retorna na mesma temporada em que o Inter-SM reencontra a elite estadual



Grupo da iniciativa acompanhou a equipe da cidade nos seis jogos da fase inicial do Estadual

Depois de sete temporadas longe das transmissões radiofônicas do Campeonato Gaúcho Série A, o Gauchão, o projeto de extensão dos cursos de Comunicação Social da UFSM, Radar Esportivo voltou em 2026 aos gramados para narrar os jogos do Inter de Santa Maria na elite. A retomada acontece de forma simbólica: ao mesmo tempo em que o clube retorna à primeira divisão estadual, o grupo universitário reconquista um espaço que não ocupava desde 2019.

O movimento marca uma nova fase do projeto, que desde 2024 vinha realizando coberturas esportivas exclusivamente pelas redes sociais, por meio do Instagram, com lances das partidas, entrevistas com atletas e dirigentes, artes para atualização de placar e bastidores. Nesse período, o Radar acompanhou modalidades e equipes como UFSM Futsal e UFSM/Dallas Futsal (time feminino), futebol americano com o Santa Maria Soldiers, o próprio Inter-SM e eventos como o Festival Paralímpico e o Festival Internacional LGBTQIAPN+ de Voleibol.

Agora, em 2026, o retorno às coberturas em rádio amplia o alcance dessas ações e recoloca os estudantes em transmissões ao vivo de grande porte. Segundo a coordenadora de Comunicação Social da UFSM, Solange Prediger, o apoio institucional foi decisivo para viabilizar as jornadas esportivas. A Universidade ofereceu transporte para as coberturas, além de suporte técnico e logístico.

Ela explica que a Coordenadoria atua em parceria constante com os cursos da área: “nosso compromisso sempre é dar suporte para que iniciativas como essa sejam desenvolvidas e aconteçam da melhor maneira possível”.

Para Solange, a volta do clube à Série A foi o principal gatilho para a retomada específica das transmissões no Gauchão. Ainda assim, ressalta que outras coberturas já vinham ocorrendo com apoio da UFSM e destaca a postura dos estudantes: “É importante destacar a proatividade da equipe envolvida com esse projeto. A iniciativa e o comprometimento deles é o fator principal para que o projeto tenha êxito”.

Ela também observa o impacto formativo e institucional da ação: “para a UFSM, é uma alegria imensa ver nossos estudantes e servidores envolvidos em um projeto de tamanha grandeza. A experiência adquirida em um evento desses é única e gera um impacto positivo para a visibilidade da Universidade na cidade e na região”.

Na avaliação da coordenadora, a presença da UFSM no campeonato dialoga com o papel da comunicação pública. “Grande parte da cidade se mobilizou com a retomada do Inter para a Série A e nada mais justo do que a maior universidade da nossa cidade se envolver também. O rádio chega a grande maioria dos lares e é o elo que leva informação para os mais diversos públicos. Além disso, falar de esporte é falar de saúde física e mental”, completa.

Estrutura técnica e protagonismo estudantil

Pela Rádio UniFM 107.9, a volta das transmissões exigiu reorganização interna e readaptação de processos. O responsável pelo Núcleo de Rádios, Jonathan Ferreira, explica que, após o hiato provocado pela pandemia e pela redução de equipes técnicas, a articulação foi retomada integrando diretamente os estudantes à operação.

Entre os principais desafios, ele aponta limitações orçamentárias, atualização tecnológica e formação técnica dos alunos para operar equipamentos complexos. A solução passou por simplificar a estrutura: adaptar e configurar materiais que fossem fáceis de transportar e manusear, garantindo autonomia às equipes tanto em Santa Maria quanto fora da cidade.

Jonathan destaca que, embora o Radar Esportivo tenha cerca de 30 anos e histórico de premiações, a grande novidade desta fase é o protagonismo discente. Hoje, os processos técnicos e operacionais, antes conduzidos por profissionais da casa, estão sob responsabilidade direta dos estudantes.

Para a programação da UniFM, a retomada também tem peso estratégico. “A volta das transmissões tira a rádio do estúdio e a leva para o ‘chão do estádio’, onde o veículo demonstra sua maior força: o ao vivo. Isso gera audiência, movimenta a grade e cumpre o papel extensionista da UFSM ao oferecer informação local gratuita à comunidade”, afirma.

Ele acrescenta que a cobertura do Gauchão pela rádio pública envolve três dimensões principais: pedagógica, ao funcionar como laboratório real para os alunos; social, ao democratizar o acesso ao esporte regional; e institucional, ao reafirmar o compromisso da Universidade com a extensão.

Pedro Pereira atua como repórter e é responsável por coordenar a equipe de transmissões (Foto: Renata Medina/Inter-SM)

O retorno começou antes da bola rolar

O jornalista da UFSM Pedro Pereira foi um dos responsáveis por coordenar o retorno das transmissões e lembra que o convite surgiu poucas semanas após o acesso do Inter-SM. Antigo integrante do projeto de extensão e atual apresentador do programa UniFM Esporte Clube, para ele, o processo foi tão empolgante quanto exaustivo, principalmente por causa das questões estruturais.

“Não foi nem a quantidade de coisas para fazer, mas a dor de cabeça com transporte, alimentação e arrecadação de dinheiro para conseguir recursos”, relata. Para complementar os custos, os próprios estudantes organizaram uma ação entre amigos com a venda de rifas para arrecadar recursos destinados a despesas adicionais das viagens e das transmissões.

Ele também menciona a dificuldade para organizar escalas e logística em fins de semana específicos, como quando uma partida coincidiu com o vestibular da Universidade. Apesar disso, Pedro destaca o caráter formativo da experiência. Durante os jogos, a orientação constante aos estudantes se transformou em reuniões, conversas e avaliações pós-transmissão, com foco em identificar erros, acertos e possibilidades de evolução individual e coletiva.

Segundo ele, a proposta da UFSM se diferencia de rádios comerciais ao levar equipes maiores aos estádios e permitir rodízio de funções. No total, chegaram a atuar onze estudantes de Jornalismo, que passaram por papéis como narrador, repórter, comentarista, técnico, além de três acadêmicos de Relações Públicas, que exerceram a função de plantonista.

“É levar qualidade e informação para quem está ouvindo, mas também o desenvolvimento profissional de cada um dos estudantes”, resume. Para Pedro, ter alunos a partir do terceiro semestre participando de uma Série A estadual representa um diferencial expressivo na formação e no currículo.

O jornalista também reconhece o desafio de equilibrar exigência profissional e caráter pedagógico. Ele diz que errar faz parte do processo, mas não pode ser justificativa para estagnação. “A evolução é nítida transmissão a transmissão”, observa, destacando que muitos estudantes voltaram mais preparados nos jogos seguintes, com menos nervosismo e maior domínio técnico.

O simbolismo da retomada também chama atenção. Pedro lembra que o Radar Esportivo nasceu nos anos 1980 e acompanhou equipes da região por décadas. Voltar justamente no ano do retorno do Alvirrubro à primeira divisão, após mais de uma década fora da elite, reforça esse peso histórico. “É a porta de entrada perfeita. Não poderia ser melhor essa abertura”, define.

Aprender no ar: formação dentro do estádio

Narrador das partidas, o estudante Gabriel Ferraz, do terceiro semestre de Jornalismo, conta que imaginava que o maior obstáculo seria financeiro. Contudo, logo percebeu que os desafios se espalhavam por credenciais, equipamentos, articulação com a rádio e, principalmente, a necessidade de um grupo disposto a fazer acontecer.

Fã de narração esportiva desde criança, ele revela que jamais imaginou estrear no Gauchão. O primeiro jogo foi marcado por medo e tensão; depois, veio a adaptação ao ritmo do rádio, onde o silêncio vira inimigo e a improvisação se torna essencial. 

No início do segundo ano do curso, Gabriel ainda não cursou disciplinas específicas de radiojornalismo, mas não teve medo de assumir a função de narrar as partidas. A experiência, acompanhada de perto por profissionais da rádio e integrantes mais antigos do projeto, transformou-se em uma imersão prática na rotina do jornalismo esportivo.

Com experiência prévia em equipamentos por, além do estudo, dividir uma carreira musical com a irmã, o aluno precisou também aprender as especificidades técnicas do meio de comunicação e destaca a parceria com Jonathan Ferreira durante a preparação. “Dedicamos manhãs e tardes só para simular a montagem de tudo. Além de evoluir, fiz um amigo”, confessa.

Para ele, narrar o duelo entre Inter-SM e Internacional no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, foi inesquecível. Mesmo torcedor do clube da capital, fez questão de manter a imparcialidade no ar e guarda a experiência como um marco pessoal e profissional. Gabriel acredita que a cobertura permite vivenciar a rotina real do jornalismo esportivo, com erros e correções ao vivo, contato com grandes profissionais e pressão constante.

Participar do Radar, segundo ele, também envolve responsabilidade histórica: integrar uma linhagem de comunicadores que há décadas privilegiam o esporte regional. Seu conselho aos futuros integrantes é direto: empenho, constância e estudo. “Em breve, transmissões como essa vão ser só mais uma história do passado. O diferencial será como os novos membros lidarão com esses fatos”.

Marina dos Santos é uma das alunas de Jornalismo que integram o Radar Esportivo

Um sonho antigo concretizado

Uma das integrantes mais antigas da atual formação, a estudante Marina dos Santos, do sétimo semestre de Jornalismo e bolsista do projeto, lembra que a ideia de voltar a transmitir o Inter-SM circulava desde 2023, muito antes da confirmação do acesso. Ela explica que a viabilidade foi construída aos poucos, com uma força-tarefa envolvendo rádio, Coordenadoria de Comunicação Social da UFSM e apoios institucionais. A confirmação definitiva, diz, só veio no dia da primeira viagem para Porto Alegre, quando a equipe partiu para a estreia fora de casa.

“Foi a realização de um sonho”, sintetiza. Para quem acompanhou a fase pós-pandemia, marcada por perda de recursos e retração das atividades presenciais, a volta ao rádio representa um divisor de águas. Marina lembra que, nesse período, o Radar Esportivo se reinventou nas redes sociais para continuar presente na comunidade, até que as transmissões voltaram a se tornar realidade.

Ela descreve o nervosismo das primeiras jornadas, a pressão do ao vivo e a adrenalina das viagens, mas conta que, depois do início, tudo passou a fluir. Para Marina, pisar nas cabines, entrar nos estádios e saber que a transmissão chegava à população de Santa Maria reforçou o sentido extensionista do projeto.

Comparando com programas regulares de rádio e coberturas digitais, ela reitera que os jogos exigem improviso constante e leitura rápida de campo. “São 90 minutos de intensidade, muito diferentes do que a gente faz no dia a dia. Isso nos desenvolve para trabalhar sob pressão”, afirma.

A estudante vê o legado da experiência ligado à palavra “retomada”: para a cidade, para o clube e para os próprios alunos. “são 14 anos longe da primeira divisão. É uma retomada para Santa Maria e para nós podermos participar ativamente disso”, diz, torcendo para que as coberturas tenham continuidade nos próximos anos.

Entre os momentos mais marcantes, Marina cita a estreia fora de casa contra o São José e também a partida no Beira-Rio, quando foi repórter de campo e sentiu a vibração das torcidas durante a narração de um gol. “Deu um arrepio nos braços”, recorda. Experiências como essa, segundo ela, ajudam a dimensionar o impacto formativo da retomada das transmissões – que não se resume aos resultados em campo, mas ao aprendizado vivido jogo a jogo pelos estudantes da UFSM.

No mesmo ano em que a cidade volta a ouvir o Inter-SM na Série A, volta também a escutar, pelas ondas do rádio, uma nova geração de narradores, repórteres e comentaristas formados dentro da Universidade. Mesmo com a não classificação do Alvirrubro às quartas de final, o grupo segue transmitindo as partidas do time no quadrangular do rebaixamento pela rádio UniFM 107.9.

As transmissões retornam já na quinta-feira (05), contra o Avenida, de Santa Cruz do Sul, em casa, no Estádio Presidente Vargas, às 21h30min. Em algumas partidas, a cobertura também pode ser acompanhada ao vivo pelo canal do Radar Esportivo no YouTube, além das atualizações e bastidores publicados no Instagram do projeto.

Foram sete anos para o Radar Esportivo voltar às transmissões radiofônicas do Gauchão e 14 para o Inter-SM reencontrar a elite. Em comum, as duas histórias compartilham a persistência: o Radar nunca deixou de planejar o retorno às cabines e, agora, cabe ao clube e à torcida, por mais seis jogos, se agarrar ao verbo que move o futebol – acreditar.

Texto: Marina Brignol, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos: Arquivo pessoal

Edição: Pedro Pereira, jornalista

Divulgue este conteúdo:
https://ufsm.br/r-1-71944

Publicações Recentes