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UFSM tem papel central no avanço da acácia-negra no Rio Grande do Sul

Trabalho de pesquisadores da Universidade nos últimos 10 anos tem sido essencial para a cultura



Pesquisadores do Núcleo de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas em trabalho de campo

A UFSM tem desempenhado um papel estratégico no desenvolvimento da acácia-negra no Rio Grande do Sul, por meio de pesquisas aplicadas e da coordenação técnica de programas de melhoramento genético da espécie. Nos últimos 10 anos, uma parceria em melhoramento genético entre o Núcleo de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas (MPVP), do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais (CCR), e a empresa Seta S/A Extrativa Tanino de Acácia tem reafirmado a atuação contínua da UFSM na geração de conhecimento científico e tecnológico, na seleção de materiais genéticos superiores e na adaptação da espécie às condições edafoclimáticas do território gaúcho.

Recentemente, o coordenador do projeto, Dilson A. Bisognin, professor do Departamento de Fitotecnia, entregou à Seta um relatório dos principais avanços com pesquisa científica e tecnológica alcançados nos últimos 10 anos de parceria. A Seta é parceira da UFSM e vem financiando as pesquisas com melhoramento genético de acácia-negra desde 2015, tendo como base plantas introduzidas da Austrália, que é o centro de origem e diversificação da espécie. A área experimental da empresa fica em Encruzilhada do Sul.

Segundo o professor, fica muito claro que os trabalhos conduzidos com participação da Universidade permitiram avanços significativos em produtividade, uniformidade dos plantios e qualidade da madeira e do tanino. A atuação da UFSM envolve desde a pesquisa básica até a aplicação prática no campo, conectando ciência, setor produtivo e produtores rurais.

Além dos ganhos econômicos, o estudo ressalta a contribuição da UFSM na promoção de manejo florestal sustentável, com foco na conservação do solo, no uso racional dos recursos naturais e na longevidade dos plantios. Esse conjunto de ações fortalece a competitividade da cadeia produtiva da acácia-negra e amplia seus impactos sociais e ambientais.

Dessa forma, com forte presença na pesquisa florestal e histórico de colaboração com o setor produtivo, a UFSM consolida-se como uma das principais instituições responsáveis pelo avanço tecnológico da acácia-negra no Rio Grande do Sul, reforçando o papel da ciência no desenvolvimento regional.

Equipe da UFSM entregou relatório à empresa parceira no final de 2025

Banco Ativo de Germoplasma

Um resultado importante do trabalho conduzido pela UFSM nos últimos 10 anos foi a estruturação e organização do banco ativo de germoplasma (BAG) com as sementes das plantas selecionadas e que estão sendo utilizadas para compor a variabilidade genética do programa. Essas sementes, que representam todas as progênies das plantas mais bem adaptadas que foram introduzidas da Austrália, necessitam ser conservadas para avaliação e contínua utilização no melhoramento genético.

“É a variabilidade genética que possibilita selecionar plantas cada vez mais adaptadas, com características superiores, como resistência a pragas e doenças, e de maior produtividade e qualidade da madeira e do tanino”, explica Dilson. Assim, o BAG é crucial para o melhoramento genético, estabelecimento de áreas demonstrativas e de novos pomares de sementes melhoradas para a produção das mudas que são fornecidas para os produtores.  

Reunindo materiais genéticos de diferentes origens, o banco formou uma base diversificada que permitiu a realização contínua de avaliações, seleções e intercruzamentos planejados, essencial para os avanços obtidos e para sustentar o contínuo progresso genético. Durante esse período, o BAG garantiu a conservação e a organização do material genético utilizado nas pesquisas, assegurando continuidade, segurança científica e suporte às decisões técnicas do programa.

Mais do que um repositório de variabilidade genética, o BAG é um ativo estratégico construído ao longo de uma década, fundamental para a evolução do melhoramento genético e para a sustentabilidade das ações futuras. A estruturação de um BAG caracterizado possibilita estratégias mais assertivas de melhoramento genético que maximizam o aumento de produtividade e qualidade.

Segundo Dilson, o aumento de qualidade da produção é um dos enfoques mais importantes para os próximos cinco anos de atividades dessa parceria consolidada entre a UFSM e a Seta. 

Acácia-negra ocupa 67 mil hectares no RS

Importância econômica, social e ambiental

A acácia-negra (Acacia mearnsii) é uma das principais espécies florestais cultivadas no Rio Grande do Sul, com grande relevância econômica, ambiental e social. O estado concentra praticamente toda a produção nacional da espécie, especialmente na região Sul e Centro-Sul, onde as condições de clima e solo são favoráveis. Segundo a Associação Gaúcha de Empresas Florestais, os plantios de acácia-negra ocupam cerca de 67 mil hectares de área, distribuída em 120 municípios do estado.

A acácia-negra é amplamente utilizada na extração de tanino e na produção de madeira, para fins energéticos e industriais. A espécie é uma fonte de renda muito importante para pequenos e médios produtores rurais. Tem papel estratégico na cadeia florestal gaúcha, integrando sistemas produtivos e promovendo desenvolvimento regional. “As parcerias e investimentos contínuos em pesquisa, melhoramento genético e manejo sustentável são fundamentais para manter a competitividade da cadeia produtiva e ampliar seus benefícios econômicos e sociais no estado”, destaca Dilson.

Além do papel econômico, a acácia-negra tem relevância ambiental importante no Rio Grande do Sul, especialmente quando manejada de forma adequada. A espécie é reconhecida por sua capacidade de proteção e recuperação do solo, sendo frequentemente utilizada em áreas degradadas ou suscetíveis à erosão. Além disso, contribui para a fixação biológica de nitrogênio, melhorando a fertilidade do solo e favorecendo sistemas produtivos mais equilibrados. Sua rápida cobertura vegetal auxilia na redução do impacto das chuvas sobre o solo, diminuindo perdas por erosão e assoreamento de cursos d’água.

Outro destaque é o papel da cultura na captura de carbono, colaborando para a mitigação das mudanças climáticas. Os plantios florestais de acácia-negra funcionam como reservatórios temporários de carbono, especialmente quando integrados a práticas de manejo sustentável e rotação de culturas.

Estudos também apontam que, dentro de sistemas bem planejados, a espécie pode contribuir para a estabilidade ambiental das propriedades rurais, conciliando produção florestal com conservação. Especialistas reforçam, no entanto, que o uso da acácia-negra deve sempre estar associado a planejamento técnico, evitando impactos negativos e garantindo equilíbrio com a vegetação nativa.

Fotos: Divulgação

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