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“Ciência acima da polarização”: Agência de Notícias entrevista a pesquisadora Ana Bonassa 

Palestra reuniu a comunidade acadêmica para discutir temas como desinformação e divulgação científica



Foto horizontal colorida de uma mulher branca, adulta, com cabelos longos e lisos na cor ruivo. Ela está sentada em uma cadeira preta, em frente a uma parede clara e lisa. Veste uma blusa sem mangas de cor branca e um lenço colorido no pescoço. No braço, há várias tatuagens coloridas visíveis. A imagem tem enquadramento médio, focado do peito para cima.
Bióloga e youtuber Ana Bonassa, do canal Nunca Vi um Cientista, foi a convidada da recepção institucional da UFSM

A bióloga e doutora em Ciências Ana Bonassa defende que a ciência precisa ultrapassar os muros da universidade e conversar diretamente com a sociedade. Cofundadora do canal Nunca Vi 1 Cientista”, ao lado da bioquímica Laura Marise, ela reúne quase 1 milhão de seguidores nas redes sociais ao abordar temas como vacinação, mudanças climáticas e desinformação científica.

Criado em 2018, o canal trata de temas que estão em alta no debate público a partir de evidências científicas, mas com tom descontraído. A  proposta é aproximar o público geral do conhecimento produzido dentro da universidade.    

Ana também é autora do livro “Super-Heróis da Ciência: 52 cientistas e suas pesquisas transformadoras”, voltado para o público infanto-juvenil. No texto, a pesquisadora e youtuber apresenta grandes nomes da ciência brasileira e explica, de forma acessível, o que é fazer ciência.   

Na manhã desta segunda-feira (2), Ana atraiu mais de mil estudantes e servidores ao Centro de Convenções da Universidade Federal de Santa Maria. Todos vieram conferir a palestra “Você não é confiável, por isso a ciência existe”, que integra a programação institucional da recepção estudantil. Na ocasião, ela concedeu uma entrevista à Agência de Notícias. 

Agência de Notícias: Você começou sua trajetória como pesquisadora na área de fisiologia e metabolismo. Em que momento você percebeu que produzir ciência já não era suficiente, que era preciso também comunicar ciência por meio das redes sociais?

Ana Bonassa: Se apaixonar pela ciência é muito fácil, né? Mas, com o passar do tempo, a gente percebe que falar sobre ciência nas redes sociais é uma necessidade muito grande da sociedade. Isso é muito importante, porque as pessoas estão vulneráveis, caindo em fake news e em desinformação. Isso pode prejudicar a própria saúde delas. Então, fomos percebendo isso e pensamos: vamos usar todo o conhecimento que estamos aprendendo aqui para explicar à sociedade o que é o método científico e deixá-la mais protegida contra a desinformação.

Agência de Notícias: O canal de vocês surgiu em 2018, durante um período marcado pela desinformação científica no Brasil. Como você enxerga o papel dos seus conteúdos para tentar mudar esse contexto nos dias de hoje?

Ana Bonassa: Olha, em 2018 a gente viu uma polarização muito forte. E eu acho que a ciência chega justamente para dizer que está um pouco acima dessa disputa. Não deveria ser pauta de um lado ou de outro, mas das pessoas. As pessoas precisam entender a ciência e não se deixar levar por manipulações. A gente tenta dizer: coloca um pouco de lado aquilo em que você acredita, sai dessa caixinha e tenta compreender. Ciência não é uma questão de acreditar ou não. Eu não acredito em vacina, eu entendo a vacina e a importância dela. Acho que a nossa função é oferecer ferramentas para que a sociedade consiga se proteger.

Agência de Notícias: No perfil de vocês tem uma afirmação que diz “vai ter piada ruim sim e até interpretação de novela mexicana”. Como funciona o processo de criação de conteúdo que também utiliza de humor para chamar a atenção das pessoas no meio desse mar de conteúdos que são as redes sociais?

Ana Bonassa: Acho que parte muito do princípio de que nós também somos consumidoras das redes sociais. Então, o que gostaríamos de ver? Há público e espaço para aulas mais formais. Mas, quando estamos nas redes, nem sempre queremos isso. Às vezes, buscamos entretenimento, queremos esbarrar em um conteúdo leve e sair dali aprendendo alguma coisa. Pensando nisso, tentamos sempre trazer algo mais descontraído, com humor nem sempre dá, claro. Mas produzimos como consumidoras do tipo de conteúdo que gostaríamos de encontrar nas redes. E eu acho que tem dado certo.

Agência de Notícias: Você chegou a ser processada por desmentir informações falsas na internet. Como esse processo impactou você, não apenas como cientista, mas como comunicadora que decidiu ocupar o espaço público? 

Ana Bonassa: Eu fiquei mais nervosa que a Laura. Ela dizia: ‘não, está tudo bem, relaxa’. Mas eu fiquei bastante abalada. Quando veio a condenação foi um choque para mim. Eu realmente fiquei mal. Ao mesmo tempo, todo esse processo acabou nos dando mais gás, mais energia. Recebemos tanto apoio da mídia, de jornalistas, dos nossos pares e da população, que isso virou combustível para continuarmos. Pensamos não vamos arredar o pé. Não vamos baixar o tom, vamos subir o tom, porque é preciso. Depois conseguimos uma jurisprudência favorável, o que nos deu mais segurança. Mas nós poderíamos ter simplesmente pago o dano moral, apagado o vídeo e encerrado ali. Mas uma decisão desfavorável seria ruim para todos os divulgadores científicos. Então fomos até o fim para reverter isso. E acho que essa vitória foi importante para toda a comunidade.

Agência de Notícias: Pela sua vivência no ambiente acadêmico e como divulgadora científica, você considera que pesquisadores e pesquisadoras entendem a importância de comunicar o que estão produzindo?

Ana Bonassa: Acho que cada vez mais os pesquisadores estão entendendo essa importância, sim. Mas ainda há muita gente que mantém o conhecimento dentro dos muros da universidade. É difícil, porque ao longo da carreira acadêmica aprendemos a construir nossa comunicação muito mais voltada aos pares e especialistas do que à população em geral. Então, ainda há quem não compreenda a importância de levar para fora todo o conhecimento que é produzido dentro das universidades. Mas esse cenário está mudando. Principalmente quando os pesquisadores percebem que a população fica vulnerável e que isso traz consequências reais, como a queda na vacinação ou a adesão a tratamentos sem comprovação científica. Talvez essa mudança aconteça devagar, talvez ainda aquém do necessário. Mas estamos caminhando. Cada vez mais precisamos de divulgadores científicos e quanto mais tivermos, melhor.

Agência de Notícias: Se você pudesse dizer algo para estudantes que estão começando agora na universidade, o que seria?

Ana Bonassa: “Eu acho que vocês precisam se jogar. Se apaixonem pelo curso, se apaixonem pelas disciplinas  é uma fase muito gostosa da vida. Nem todos vão seguir carreira acadêmica, porque a gente nunca sabe o que a vida reserva. Mas quem decidir fazer pesquisa científica precisa levar em consideração que, mesmo sem se tornar divulgador científico, deve saber explicar muito bem o próprio trabalho. É preciso conseguir contar a sua pesquisa para a sua avó, para a sua mãe, para uma criança, para um idoso para qualquer pessoa que não seja da área.

E quem não for seguir a carreira acadêmica, aproveite do mesmo jeito. A universidade é uma época maravilhosa, sensacional e merece ser vivida intensamente.”

Você pode acompanhar o trabalho da Ana nas redes sociais: 

Instagram: @aanabonass e @nuncavi1cientista

Youtube: @nuncavi1cientista

Tik Tok: @nuncavi1cientista

X: @_NV1C

Entrevista: João Victor Souza, estudante de Jornalismo e estagiário na agência de notícias. 

Fotos: Daniel Michelon De Carli, designer, e Jessica Mocellin, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias

Edição e supervisão: Maurício Dias, jornalista 

Foto colorida horizontal de mulher ruiva com blusa branca e lenço vermelho. Ela está de lado e segura um microfone. Atrás dela uma projeção colorida. A foto mostra a mulher de lado e do peito para cima.
Cientista e youtuber conversou com estudantes e servidores da UFSM
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