A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio de parceria entre o Comitê de Igualdade de Gênero e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), promoveu, na tarde de 31 de março, o seminário Políticas de Equidade na Pós-Graduação. O evento reuniu coordenadores de programas de pós-graduação para discutir desigualdades estruturais e estratégias institucionais voltadas à promoção da equidade na pós-graduação stricto sensu.
Com a participação das professoras Fernanda Staniscuaski (UFRGS) e Ana Luisa Araujo de Oliveira (UNIVASF), integrantes do Comitê Permanente de Ações Estratégicas para Equidade de Gênero com suas Interseccionalidades da CAPES, foram apresentadas recomendações do grupo para a avaliação quadrienal dos programas de pós-graduação.
Durante a programação, a professora Fernanda Staniscuaski abordou a baixa representatividade de mulheres em cargos de gestão na educação e na ciência brasileira, além de discutir causas da desigualdade de gênero, estereótipos, assédio e parentalidade. Também apresentou o novo comitê permanente da CAPES dedicado ao tema e suas diretrizes para a avaliação dos programas.
Na sequência, a professora Ana Luisa Araujo de Oliveira, vinculada ao Observatório das Políticas Afirmativas Raciais (Opará) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), apresentou a temática “Raça e Gênero na Carreira Docente”. A pesquisadora trouxe dados recentes que evidenciam a persistência de desigualdades raciais e de gênero no ensino superior brasileiro.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), pessoas negras e indígenas correspondem a 44,26% dos concluintes do ensino superior. No entanto, essa presença não se reflete na composição do corpo docente das instituições públicas, onde esse grupo representa 29,5%. A desigualdade se intensifica na análise de gênero: mulheres negras somam apenas 12,9% do total de docentes, evidenciando barreiras estruturais ao acesso e à progressão na carreira acadêmica.
Durante o seminário, também foram discutidas propostas para o enfrentamento do racismo nas universidades. O debate reforçou a necessidade de avançar na implementação de políticas de equidade na pós-graduação, reafirmando o compromisso institucional com a construção de um ambiente universitário mais inclusivo, diverso e socialmente comprometido.
Com informações da PRPGP