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Banco vermelho é inaugurado no CCS e reforça debate interseccional sobre violência contra mulheres

Ação reúne comunidade acadêmica para discutir desigualdades que atravessam diferentes marcadores sociais



Banco vermelho do CCS tem citação da filósofa Djamila Ribeiro

“Não se pode ter seletividade quando o assunto é o combate ao machismo”. A frase de Djamila Ribeiro é o que estampa o mais novo banco vermelho da UFSM, inaugurado no Centro de Ciências da Saúde (CCS) na última quarta-feira (15). O momento foi pensado para conscientizar a comunidade acadêmica acerca do combate ao feminicídio. Na Universidade, a iniciativa parte do Gabinete da Reitora e da Pró-Reitoria de Extensão (PRE), por meio da Casa Verônica. 

Para a ocasião, o evento contou com a roda de conversa “Gênero, raça e violências: lutas e desafios no enfrentamento à violência contra as mulheres”, coordenada pela professora Monalisa Siqueira, presidente da Comissão de Igualdade de Gênero na UFSM, no auditório do prédio 26B. Ela comenta: “trata-se de um debate que atravessa nossos corpos, nossa vida pessoal e profissional”.

Monalisa, Martha e Cláudia participaram de roda de conversa

Uma luta para pensar gênero, raça e classe

Para somar à discussão, fizeram-se presentes professores, estudantes, servidores e autoridades. A professora Cláudia Bassoaldo, coordenadora da Política de Promoção da Igualdade Racial do município, alerta sobre o racismo estrutural presente neste tipo de violência. Os números não negam: conforme dados divulgados em 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mulheres negras continuam sendo o maior alvo de feminicídio no Brasil, representando 62,6% das vítimas entre 2021 e 2024.

Cláudia vê o banco vermelho não apenas como um espaço de reflexão, mas de denúncia, ao evidenciar que diferentes vidas são atravessadas por desigualdades que as tornam mais vulneráveis à violência. Ela chama a atenção para o fato de que, mesmo com todos os avanços da sociedade contemporânea, ainda é muito raro ver mulheres negras ocupando os espaços públicos. A professora conclui: “enquanto eu puder falar, falarei, mesmo que incomode. Se a gente não incomodar, isso será naturalizado”. 

Somente em 2026, o Rio Grande do Sul já registrou, até o momento, 27 casos de feminicídio. O número acende um alerta, mas também aponta para a necessidade de compreensão. O conceito de interseccionalidade, formulado por Kimberlé Crenshaw e reiterado por pensadoras como Djamila Ribeiro, fala justamente dessas desigualdades, que incidem de forma desproporcional sobre as mulheres.

Professores, estudantes, servidores e autoridades presentes na inauguração do banco vermelho do CCS

Liderança feminina à frente da mudança social

Encerrada a roda de conversa, a professora Monalisa realizou o protocolo inaugural do banco vermelho, localizado no hall do CCS, entre os prédios 26A e 26B. Ela comenta: “fica, então, a reflexão para o CCS, majoritariamente composto por mulheres”. Além da grande presença feminina de estudantes, o centro possui uma mulher à frente do cargo de direção: a professora Maria Denise Schimith. A diretora percebe o papel da área da saúde no combate à violência contra a mulher e conclui: “precisamos pesquisar, estudar, fazer a extensão e o cuidado. A gente deve formar os profissionais da saúde para que eles não repliquem atos machistas e misóginos”. 

Primeira mulher a ocupar o cargo de reitora da UFSM, a professora Martha Adaime reafirma o compromisso com a campanha dos bancos vermelhos, fomentada tanto por ela quanto pelas demais reitoras do estado. Ela conta que, ao falar sobre a proposta ao restante das chefias universitárias do Brasil, a reação foi de estranheza: muitos sequer conheciam a iniciativa. 

Banco vermelho: da Europa ao Brasil

Símbolo internacional de enfrentamento ao feminicídio, o banco vermelho é um marco visual que busca chamar a atenção para a violência contra as mulheres. A campanha originou-se na Itália em 2016 e visa ocupar espaços públicos com bancos pintados de vermelho para representar o sangue derramado pelas vítimas e os lugares vazios deixados por mulheres assassinadas. No Brasil, a ação foi oficializada pela Lei nº 14.942/2024 e executada pelo Instituto Banco Vermelho em parceria com municípios e instituições de ensino. 

Dentro da UFSM, o primeiro banco foi inaugurado em dezembro de 2025, no hall do Restaurante Universitário 1 (RU1). Até o momento, já são quatro: além do RU1 e CCS, há bancos vermelhos também no Centro de Educação (CE) e no Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH). A ideia é que todos os centros sejam contemplados com a iniciativa, que se soma a outras ações voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao combate às violências, fortalecendo o compromisso da Universidade com a pauta. 

Iniciativa é executada, no Brasil, pelo Instituto Banco Vermelho

Denuncie

A Casa Verônica, vinculada ao Observatório de Direitos Humanos (ODH), disponibiliza em seu site uma seção específica com orientações sobre onde procurar ajuda em casos de violência. A página reúne informações sobre serviços de atendimento nos diferentes campi da Universidade, além de indicar caminhos para denúncia e proteção. 

A denúncia é um passo fundamental para o enfrentamento da violência e para a proteção das vítimas. Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados por meio do telefone 180, canal nacional de atendimento que funciona gratuitamente em todo o país.

Conheça outros contatos úteis:

  • Direitos Humanos: 100
  • Centro de Referência da Mulher (CRM): (55) 3174-1519, opção 2, e (55) 99139 4971 (WhatsApp)
  • Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM): (55) 3174-2252
  • Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA): (55) 3174-2225
  • Polícia Civil: 197
  • Brigada Militar: 190 
  • Guarda Municipal: 153 (Ciosp)
  • Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Santa Maria: (55) 3222-8888
  • Ministério Público: (55) 3222-9049
  • Defensoria Pública: (55) 3218-1032

Texto: Camille Moraes, estudante de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnicki, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Lucas Casali e Ricardo Bonfanti, jornalistas

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