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Projeto da UFSM coleta dados sobre mobilidade urbana

Informações sobre o fluxo de circulação nos acessos ao campus sede visam auxiliar no planejamento de futuras intervenções viárias na Faixa Nova



Projeto de duplicação da Faixa Nova (Arte: Daer)

O Laboratório de Mobilidade e Logística (Lamot) e o curso de Arquitetura e Urbanismo formaram o Grupo de Trabalho (GT) para desenvolver um estudo sobre o fluxo de veículos, ciclistas e pedestres nos acessos ao campus sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Solicitado pela Reitoria, o levantamento teve sua primeira etapa realizada entre os dias 16 e 18 de junho, com a contagem de veículos em pontos estratégicos da região. O objetivo é gerar dados que qualifiquem as discussões sobre mobilidade urbana em Camobi, especialmente diante das intervenções previstas para a Faixa Nova.

Entre as mudanças em análise está a proposta do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) para o cruzamento da RSC-287 com a Avenida Roraima. O projeto prevê a construção de um viaduto sobre a atual rotatória, de modo que as quatro pistas da rodovia passem sobre a avenida. Com isso, o acesso ao campus seria reorganizado por meio de vias laterais e retornos sob a estrutura.

A coleta de dados foi realizada em três pontos estratégicos: os cruzamentos da Avenida Roraima com a Faixa Nova e com a Faixa Velha de Camobi, além do acesso ao Aeroporto Regional de Santa Maria. Segundo a assessora do Gabinete da Reitoria e professora do curso de Arquitetura e Urbanismo, Isis Portolan dos Santos, a iniciativa surgiu da necessidade de compreender a dinâmica de deslocamento no entorno da universidade e os possíveis impactos da construção de um viaduto. “O trânsito da universidade é caótico, então isso já era um ponto focal a ser trabalhado”, afirma.

Estudantes da Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo realizam coleta de dados

O que foi feito na primeira etapa

A primeira etapa do estudo consistiu na coleta de informações sobre os deslocamentos nos principais acessos ao campus sede. A metodologia adotada teve como base conceitos da Engenharia Civil e da Arquitetura e Urbanismo, com referência na Hierarquia da Mobilidade, abordagem que orienta o planejamento urbano a partir da prioridade aos modos de transporte mais vulneráveis.

Nessa lógica, pedestres ocupam o primeiro nível de prioridade, seguidos por ciclistas e demais meios não motorizados, transporte coletivo, veículos de carga e, por último, automóveis e motocicletas. Para o coordenador do Laboratório de Mobilidade e Logística (Lamot) e do Grupo de Trabalho, Alejandro Ruiz, essa perspectiva foi fundamental para o levantamento. “A circulação de pedestres e ciclistas é algo que entendemos que deve ser potencializado, e não atrapalhado”, afirma.

Além da contagem de veículos, a equipe observou a forma como a população utiliza a região no dia a dia. O projeto considerou a presença de atividades já consolidadas ao longo da Avenida Roraima, como feiras e práticas esportivas. Segundo Alejandro, o objetivo é construir um diagnóstico capaz de identificar de que forma as intervenções previstas podem afetar essas dinâmicas. “Almejamos apresentar à Reitoria um relatório que permita avaliar se o viaduto previsto pode impactar negativamente a mobilidade e, em caso positivo, apontar possíveis alternativas”, explica.

A definição do período de coleta também seguiu critérios técnicos. Os levantamentos ocorreram entre terça e quinta-feira, antes do início das férias acadêmicas, período considerado mais representativo da rotina universitária. “Esses levantamentos de tráfego precisam ser realizados em dias típicos, que possam ser representativos do movimento normal da universidade”, destaca Alejandro.

Com a etapa de campo concluída, o material reunido passa agora por análises que irão medir a capacidade das interseções e o nível de serviço oferecido à população. Esses indicadores permitem verificar se a infraestrutura atual atende à demanda existente e qual é a qualidade dos deslocamentos nos pontos observados.

Estudo pretende entregar relatório até o final do ano

Mobilidade além do trânsito

A contribuição da Arquitetura e Urbanismo amplia o olhar sobre a região. Coordenadoras do projeto pelo curso, as professoras Fabiana Bugs e Michelle Morais destacam que a análise não se limita ao comportamento dos veículos, mas busca compreender a relação das pessoas com os espaços urbanos e as atividades que acontecem no entorno da Avenida Roraima, área que se aproxima do conceito de “parque linear”, caracterizado por uma faixa contínua de espaço urbano ao longo de vias, rios ou corredores de mobilidade, destinada à circulação, convivência e lazer.

Segundo Fabiana, a próxima etapa da pesquisa terá como foco os usos do solo e a forma como diferentes grupos ocupam a região. A equipe irá mapear a presença de serviços, equipamentos públicos e espaços de convivência, para compreender como essas dinâmicas se articulam com os deslocamentos cotidianos. “O trabalho é muito mais diverso do que apenas estimar o fluxo de veículos”, ressalta.

Esses elementos, segundo Fabiana, ajudam a compor o que o urbanismo define como vitalidade urbana, conceito que se refere ao nível de ocupação, diversidade de usos e presença ativa de pessoas nos espaços da cidade ao longo do dia, indicando o quanto uma área é viva e dinâmica. “Vemos nesse projeto uma oportunidade de discutir mais sobre esse tema, inclusive pela relação dessa mobilidade mais ativa com a vitalidade urbana que já existe em Camobi”, afirma.

A etapa seguinte do estudo deve ocorrer no segundo semestre, em paralelo à análise dos dados já coletados em campo. “Essa etapa vai acontecer entre agosto e setembro, e nesse meio tempo a gente vai trabalhando com os dados que foram coletados na semana passada”, explica a professora Michelle Morais.

Bolsistas e voluntários colocam aprendizado de sala de aula em prática

O papel dos estudantes

Ao concluírem as atividades de campo, os estudantes agora irão fazer parte de todas as etapas do estudo, da interpretação dos dados à formação de resultados, em uma experiência aplicada da formação acadêmica em um caso real.

O bolsista do projeto e estudante de Arquitetura e Urbanismo Anthonio Saraiva evidencia a aproximação entre teoria e prática no desenvolvimento do projeto. “Nós debatemos frequentemente questões relacionadas ao planejamento urbano em aula. Poder acompanhar esse processo na prática foi o principal motivo para eu ingressar no projeto”, afirma.

A bolsista do projeto e estudante de Arquitetura e Urbanismo Mirella Berger ressalta a contribuição do trabalho para a formação profissional. “Fizemos a coleta e agora vamos participar da análise dos dados, o que amplia muito nosso aprendizado”, explica.

O professor Alejandro Ruiz destaca a importância da integração entre os cursos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo, que amplia a troca de diferentes perspectivas na análise dos problemas urbanos e fortalece a formação dos estudantes. “Foi uma integração muito interessante. Esse aprendizado que fica para os alunos já é para nós um primeiro resultado muito importante”, afirma.

Próximas etapas

Além dos registros feitos na última semana, serão incorporados dados complementares sobre uso do solo, geoprocessamento e planejamento da região. O objetivo é consolidar um diagnóstico abrangente dos acessos ao campus e dos possíveis impactos das intervenções previstas para Camobi.

A expectativa é que o relatório técnico final seja concluído até o fim do ano e entregue à Reitoria da UFSM. O documento reunirá os resultados das diferentes etapas do estudo e servirá de recurso para discussões futuras sobre projetos viários na região.

Segundo a assessora da Reitoria, Isis Portolan, a universidade pretende ampliar o diálogo com a comunidade após a finalização do estudo. “Quando tivermos os dados, pensamos em realizar uma apresentação formal e uma audiência pública para também recolher as percepções da comunidade”, afirma.

Mais informações sobre o projeto podem ser acompanhadas pelo Instagram do Laboratório de Mobilidade e Logística (Lamot): @lamot_ufsm_sm.

Texto: Giovanna felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Banco de Imagens da Agência de Notícias, Michelle Morais e Fabiana Bugs
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

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