A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) teve 12 propostas de novos cursos de graduação recomendadas pelo Ministério da Educação (MEC) no âmbito do Programa Universidades Transformadoras. Distribuídas entre os quatro campi da instituição, as propostas preveem a criação de 382 novas vagas de ingresso.
Lançado pelo MEC, o Programa Universidades Transformadoras tem como objetivo promover a revisão curricular e estrutural das instituições a partir de três eixos: inovação, inclusão e estratégia. O primeiro prevê a criação de cursos nas áreas de ciência de dados, Inteligência Artificial, transição energética e metodologias ativas na educação superior. O segundo busca a criação de cursos voltados à educação inclusiva, aos direitos humanos, à acessibilidade e às áreas do cuidado. Já o terceiro envolve readaptar cursos com baixa ocupação e alta evasão.
Segundo a reitora da instituição, Martha Adaime, a iniciativa dialoga com um movimento que a universidade já vinha desenvolvendo de revisão de sua oferta de graduação, estimulando as unidades acadêmicas a modernizarem seus cursos e proporem novas formações alinhadas às demandas da sociedade. Para ela, trata-se de “um movimento necessário de inovação e oxigenação para a UFSM” e reforça que “a universidade tem que estar em movimento se quiser ser competitiva”. A reitora destaca ainda que esse processo é especialmente importante para cursos que enfrentam vagas ociosas e índices de evasão, permitindo repensar a formação oferecida pela instituição.
Cursos recomendados
As propostas contemplam os quatro campi da UFSM:
- Cinema e Audiovisual – Santa Maria
- Gestão de Recursos Hídricos – Frederico Westphalen
- Terapia Ocupacional – Palmeira das Missões
- Ciências Exatas (ênfase em Física e Matemática) – Cachoeira do Sul
- Educação Especial – Palmeira das Missões
- Pedagogia Bilíngue – Santa Maria
- Letras – Linguagens, Textos e Tecnologias – Santa Maria
- Inteligência Artificial e Negócios – Palmeira das Missões
- Inteligência Artificial – Santa Maria
- Engenharia da Computação – Cachoeira do Sul
- Mecatrônica Industrial – Santa Maria
- Segurança Cibernética – Santa Maria
Martha Adaime ressalta que os campi fora de sede tiveram papel importante na elaboração das propostas. Segundo ela, as equipes locais apresentaram alternativas para enfrentar problemas como o não preenchimento de vagas e a evasão estudantil, propondo novos cursos alinhados às características e necessidades de cada região.
Recomendação não significa criação imediata
A recomendação do MEC representa uma etapa importante do processo, mas não implica a criação automática dos cursos nem a garantia integral de recursos para sua implantação.
Na UFSM, a criação de um curso de graduação segue as etapas previstas na Resolução UFSM nº 255/2026. Primeiro, é aprovada uma proposta simplificada de criação do curso. Em seguida, é elaborado e aprovado o projeto pedagógico. Por fim, ocorre a publicação da resolução de criação do curso, após análise técnica da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP) e Pró-Reitoria de Planejamento (PROPLAN), além da aprovação pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) e pelo Conselho Universitário (Consu). Conforme explica a pró-reitora de Graduação, Claudia Barin, somente após esse processo o curso fica autorizado institucionalmente para ser implantado.
Além dos trâmites internos, a universidade ainda negocia com o MEC a disponibilização de códigos de vagas docentes e demais condições necessárias para o funcionamento dos cursos. Segundo a reitora, a UFSM deve receber, em 2026, 30 códigos de vagas para docentes, com previsão de outros 30 em 2027, etapa considerada fundamental para viabilizar a implantação dos novos cursos.
Alguns dos cursos recomendados têm previsão de oferta em 2027, enquanto outros poderão iniciar apenas em 2028, conforme o cronograma indicado pelo MEC.
Texto: Jéssica Mocellin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Lucas Casali e Mariana Henriques, jornalistas