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UFSM conquista reconhecimento nacional no Prêmio FORTEC de Inovação 2026

O CIGIR foi premiado na categoria Inovação Social ou Ambiental, enquanto o Firmware RUFXMX venceu em Programa de Computador na etapa Regional Sul



Duas tecnologias da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foram reconhecidas na edição deste ano do Prêmio FORTEC de Inovação. O CIGIR – Sistema Informatizado de Gerenciamento de Irrigação e o Firmware RUFXMX venceram suas respectivas categorias na etapa Regional Sul. O CIGIR também foi premiado na etapa nacional.

Promovido pela Associação Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (FORTEC), o prêmio reconhece iniciativas de destaque relacionadas à inovação, à propriedade intelectual e à transferência de tecnologia no país.

Na categoria Inovação Social ou Ambiental com Base em Propriedade Intelectual, o CIGIR conquistou o primeiro lugar nas etapas Regional Sul e Nacional. Desenvolvido pelo professor Reimar Carlesso, o sistema utiliza informações sobre clima, solo, culturas e histórico de irrigação para indicar o momento adequado e a quantidade de água necessária para cada plantação.

A tecnologia começou a ser desenvolvida na UFSM em 1998, foi registrada como programa de computador e posteriormente deu origem ao Sistema Irriga, plataforma comercial voltada ao gerenciamento da irrigação agrícola. Atualmente, a solução monitora mais de 400 mil hectares em aproximadamente 20 países e está adaptada a mais de 40 culturas.

Os resultados obtidos com a aplicação da tecnologia indicam uma redução de aproximadamente 20% a 25% no consumo de água e de 20% a 30% no consumo de energia elétrica relacionado à irrigação. O CIGIR também foi a primeira tecnologia licenciada pela UFSM.

Para Reimar Carlesso, criador do CIGIR, a tecnologia modernizou o manejo da irrigação ao oferecer recomendações fundamentadas em dados climáticos, características do solo e modelagem agronômica. “O reconhecimento nacional demonstra a relevância e a excelência tecnológica do CIGIR e da UFSM, validando sua contribuição para a inovação no agronegócio e para a sustentabilidade ambiental”, afirma. 

Enquanto o CIGIR está voltado à agricultura, o Firmware RUFXMX, vencedor regional na categoria Programa de Computador, atua no setor elétrico. O programa permite transformar medidores eletrônicos convencionais em equipamentos capazes de realizar remotamente a leitura do consumo, o monitoramento, o corte e o religamento de energia, sem a necessidade de substituir toda a infraestrutura existente.

A tecnologia utiliza uma rede de comunicação de longo alcance e baixo consumo de energia, o que possibilita sua aplicação inclusive em regiões rurais ou com limitações na infraestrutura de telecomunicações.

O Firmware RUFXMX foi desenvolvido por Carlos Henrique Barriquello, Daniel Pinheiro Bernardon, Tiago Bandeira Marchesan, Filipe Gabriel Carloto e Lucas Maziero. A tecnologia possui cotitularidade da UFSM, da Mux Energia e da Fox IoT. Graduada pela Pulsar, a Fox IoT foi posteriormente selecionada em edital para integrar o InovaTec como residente pós-incubada. 

Um lote-piloto com cerca de 300 unidades já está em operação. Os resultados dessa aplicação apontam uma redução estimada de 87% nas horas de trabalho das equipes responsáveis pela leitura dos medidores e de mais de 95% nos custos dos processos de corte e religamento.

Para Carlos Henrique Barriquello, um dos desenvolvedores do Firmware RUFXMX, o principal benefício da tecnologia é a modernização do setor elétrico, com ganhos para distribuidoras e consumidores. “Esta premiação valoriza o esforço da equipe de ir além da pesquisa e do desenvolvimento da tecnologia, levando-a, de fato, à sociedade que a financiou”, afirma. 

Para Letícia Cruz, chefe do Núcleo de Propriedade Intelectual da Proinova/UFSM, as premiações demonstram a capacidade das pesquisas desenvolvidas na Universidade de gerar benefícios para a sociedade.

“Receber esses prêmios é motivo de muita alegria para toda a comunidade da UFSM. Eles mostram que o conhecimento produzido na Universidade tem qualidade, gera inovação e pode chegar à sociedade de diferentes formas, seja por meio de parcerias com empresas ou da transferência de tecnologias que fazem a diferença na vida das pessoas”, afirma.

Segundo Letícia, o reconhecimento reforça a importância de proteger os resultados das pesquisas e de criar caminhos para que eles gerem impacto além da Universidade. Para ela, as conquistas também podem incentivar outros pesquisadores a reconhecer a propriedade intelectual como uma ferramenta para ampliar o alcance de seus trabalhos.

Nos dois projetos, a Proinova participou dos processos de proteção da propriedade intelectual e de transferência das tecnologias para o setor produtivo. O CIGIR tornou-se a primeira tecnologia licenciada pela UFSM, enquanto o Firmware RUFXMX chegou ao mercado por meio da colaboração entre a Universidade e as empresas parceiras.

Texto: Gabriela Alves, bolsista de jornalismo da Proinova

Revisão: Debora Seminoti Tamiosso, comunicação da Proinova

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