
Desde maio, os moradores de Frederico Westphalen dispostos a se movimentar passaram a ter os fins de tarde das terças-feiras mais agitados que o costume. O projeto “Corre Junto”, da UFSM/FW, promove encontros de corrida de rua com o objetivo de, além de incentivar a prática de exercícios físicos, oferecer um espaço de leveza e acolhimento semanalmente.
O início das atividades é às 17h30min, na pista do campus do Instituto Federal Farroupilha (IFFar), e conta com a supervisão de um profissional de Educação Física para a condução dos trabalhos. O grupo é voltado a iniciantes na modalidade, mas acolhe diferentes níveis de prática, e é aberto à comunidade externa. Para participar, basta responder o formulário.
Saúde física e mental na mesma pista
As responsáveis por coordenar o Corre Junto são as técnicas-administrativas em educação da UFSM/FW, Gracieli Fernandes e Laís Piovesan. A primeira vive as corridas de rua desde 2020 e havia colocado como meta para 2026 incentivar mais pessoas a aderirem à modalidade, devido aos benefícios que a prática proporciona. A segunda atua no Núcleo de Atenção ao Estudante (NAE), conhece a rotina dos acadêmicos e sentia falta de um projeto que unisse saúde mental e saúde física.
“A ideia surgiu da percepção de que muita gente gostaria de fazer alguma atividade física, mas acabavam não tendo condições financeiras, ou desistindo por falta de companhia, orientação ou incentivo. Então, conversando com a Graci, nasceu a proposta de criarmos um projeto de corrida no Campus, que unisse tudo isso e ainda promovesse a integração entre a universidade e a comunidade”, afirmou Laís. A iniciativa foi selecionada pelo Fundo de Incentivo à Extensão (FIEX) e, dessa forma, vale destacar que conta com uma bolsista – a estudante de Agronomia, Lucinara Camara.
O objetivo do Corre Junto não é fazer com que os participantes corram cada vez mais rápido, mas sim que seja uma oportunidade de fazerem algo em prol do próprio bem-estar, a longo prazo “Há pessoas que eu já conhecia e que me falavam ‘isso não é para mim, eu não vou gostar’, mas que se permitiram experimentar, acabaram gostando e hoje vão toda semana. Queremos que, mesmo que em algum momento a gente precise interromper as atividades, aqueles que fizeram parte sigam praticando”, disse Gracieli.
A questão do clima, conforme apontam as técnicas-administrativas em educação, é uma adversidade. Entretanto, conforme foi mostrado com o decorrer das semanas, a dupla de coordenadoras mostrou que não são os desafios que vão impedir a comunidade de Frederico Westphalen de continuar “correndo junto”. Em dias de chuva, existe a possibilidade de o grupo usar o espaço de um ginásio do IFFar e trabalhar uma série de exercícios de fortalecimento.
“Conforme os desafios vão surgindo, a gente vai resolvendo”, contou Gracieli. Ela, inclusive, foi a responsável por solucionar o primeiro grande obstáculo do Corre Junto, ainda na origem das atividades: encontrar alguém que tivesse a formação profissional de Educação Física, conhecimento sobre corrida e pudesse auxiliar na condução dos encontros.

Cada um no seu ritmo
O escolhido para a função foi o treinador João Vitor Barbieri, também conhecido como Big John. A coordenadora com experiência na modalidade já fazia parte da turma assessorada por ele e, após apresentar a ideia da iniciativa, houve interesse de ambas as partes.
De acordo com Big John, embora os encontros sejam realizados em grupo, são respeitados a individualidade e o nível de cada pessoa. Há progressões semanais dos treinos, alternando entre corrida e caminhada visando o ganho inicial de resistência física e cardiovascular. A metodologia inclui aquecimento leve, exercícios para melhora da mobilidade articular, exercícios educativos para a melhora da técnica de corrida, além de um desaquecimento no final com alongamentos.
“O principal erro que a grande maioria dos corredores iniciantes cometem é, sem dúvidas, não seguir uma estrutura progressiva de treinos. Eles acabam correndo sempre na intensidade máxima tentando diminuir o tempo ou aumentar as distâncias em todo treino e isso acaba gerando dores e lesões, impedindo uma evolução segura”, garantiu o treinador.
A convivência acaba desenvolvendo naturalmente o outro lado proposto pelo Corre Junto: a integração. “É muito espontâneo. Como as pessoas treinam juntas, elas acabam conversando, se incentivando e criando vínculos. A gente também procura manter um ambiente receptivo, em que cada um respeite o ritmo do outro. Ter um objetivo em comum ajuda muito na aproximação”, salientou Laís, que, além de coordenadora, é uma das participantes que nunca havia corrido.
O futuro no alcance
Outra integrante do projeto é a técnica da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Cassieli Miotto. Ela buscou a modalidade para tratar da ansiedade e, apesar de não conseguir marcar presença nas atividades todas as terças-feiras em função de demandas do trabalho, pontua: “ter a oportunidade de treinar em grupo, sob a supervisão de um profissional, fez com que eu mudasse a minha percepção sobre a corrida”.
Após conhecer o Corre Junto, chegou a disputar sua primeira corrida de rua e sustenta que é uma experiência única. “Não tem como explicar em palavras, é muito gratificante. Só participando para entender. Atravessar a linha de chegada é sensacional, libera muita adrenalina e emoção. Pretendo me envolver com outras competições. Quem sabe um dia correr meia maratona”, declarou Cassieli.
De acordo com Gracieli, um dos objetivos é que o projeto não fique somente nas pistas de corrida. “A gente também está agora pensando em fazer algumas rodas de conversa com profissionais para falar sobre diferentes temas, como: saúde mental, fortalecimento para corrida, alimentação e outros assuntos que possam estar envolvidos com essa prática”, revelou.
Para mais informações, acesse o perfil do Corre Junto no Instagram.
Texto: Pedro Pereira, jornalista
Fotos: Sk4riot Foco Radical/Divulgação