Na maioria dos países, o Dia do Físico é comemorado em 14 de
março, data do aniversário de Albert Einstein. No Brasil, a data foi alterada
para 19 de maio. Isso porque o dia 19/05 é uma alusão ao ano de 1905, conhecido
como o “Ano Miraculoso de Einstein”, por ter sido o período em que
ele publicou alguns de seus principais artigos.
Para homenagear o Dia do Físico, o professor Lucio
Strazzabosco Dorneles, do Departamento de Física da UFSM, publicou um breve texto
na revista Benjamin, o qual é reproduzido a seguir:
Olhamos ativamente.
Ainda que com a ajuda das lentes, temos uma precisão enorme e olhamos para onde
queremos. Com esforço, e às vezes até sem, conseguimos desviar obstáculos e
conseguimos ver exatamente como desejamos, no ângulo exato.
Há os mais sensíveis,
e percebem quando alguém “lança” um olhar enfeitiçado, que pode ajudar o
“olhado”. Ou atrapalhar.
Há a nossa imaginação,
e os super-heróis conseguem lançar olhares poderosos que podem ver através das
paredes, que podem destruir as paredes, e podem até mesmo construir as paredes.
Há o olhar dela.
Desvia. Enfeitiça. Penetra a pele. Atravessa qualquer parede.
É assim que percebemos
o olhar. É assim que olhamos.
Mas a nossa percepção
nos engana. O olhar é passivo. Nosso olho é um receptor, um sensor de luz.
Passivamente, observamos.
E o que pode ou não
ser visto é determinado pelas leis da física. São elas que ditam o caminho a
ser percorrido pela luz, desde aquela obra de arte até o seu olho. São elas que
determinam como cada uma das cores vai se desviar antes de atingir a sua
retina. E com que intensidade cada uma delas vai pintá-la.
E, no entanto, ainda
que aparentemente contrariando as leis da natureza, o nosso olhar teima em
escolher sua obra de arte preferida; seu olhar preferido.
Há física em tudo que
você vê. Literalmente.