Uma pesquisa realizada
pelo Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde
(PRO-Saúde) e pelo Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde)
avaliou a estrutura e o processo de trabalho das equipes de unidades
básicas de saúde de Santa Maria e da 4ª Coordenadoria Regional de
Saúde (4ª CRS) em relação ao enfrentamento de doenças crônicas não transmissíveis
(DCNT) – doenças circulatórias, câncer, doenças respiratórias crônicas e
diabetes.
Entre os meses de março
e dezembro de 2014, três cidades do estado receberam a pesquisa, sendo elas
Santa Maria, São Sepé e Silveira Martins, com cinco unidades de saúde avaliadas
– três delas
Maria. A ideia era integrar ensino-serviço-comunidade,
resultando em um melhor atendimento para a população.
Para alcançar tal
objetivo, foram aplicados diversos questionários, abordando o ponto de vista e
as necessidades dos profissionais de saúde, assim como as dos usuários de tal
serviço.
A Classificação
Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), desenvolvida pela
Organização Mundial de Saúde (OMS), foi uma das bases que norteou a pesquisa. A
CIF determina a incapacidade e a funcionalidade considerando o estado de saúde,
os fatores ambientais/contextuais e pessoais do paciente. A CIF é uma
mudança de paradigma, ela muda o foco da doença para o sujeito, tentando responder
quem é esse sujeito de uma forma singular, porque cada sujeito tem sua
singularidade, e na doença também.
“A ideia era de que
diferentes trabalhadores, em diferentes funções, diferentes níveis respondessem
à pesquisa. Que eles avaliassem se as condições que lhes são dadas para
trabalhar são suficientes para que desenvolvam a ação relacionada às DCNT. São dados
que foram levantados e que hoje, para nós, trabalhadores, foi muito
interessante”, conta Silvana Basso
Miolo, doutoranda em Distúrbios da Comunicação Humana pela UFSM, preceptora do PRO-Saúde
e PET-Saúde.
Um dos pontos
principais da pesquisa foi a opinião do usuário, e uma das necessidades
apontadas por eles é de que haja diálogo, que a sua doença seja discutida. “A
partir do momento que eu sou cuidado, e nesse cuidado eu sou orientado, discuto
e me entendem, eu posso mudar. Só que isso leva tempo, e hoje a gente está num
nível de cuidado em saúde que quanto mais rápido for o atendimento, parece que
mais qualificado ele é; quanto menos eu conversar com a pessoa, menos trabalho
eu tenho com ela e melhor é a ideia que as pessoas fazem de mim”, afirma a coordenadora
do PRO-Saúde e PET-Saúde, Elenir Fedosse, docente do Departamento de
Fonoaudiologia da UFSM.
A partir das respostas
que os profissionais de saúde receberam, fica mais fácil perceber qual o
caminho que devem tomar em relação à formação e mesmo em relação à condução dos
cuidados nos diferentes serviços. Uma das ideias que o grupo já está colocando
em prática, após os resultados da pesquisa, é a criação de uma sala de
espera pré-consulta, onde será verificado o motivo de o paciente ter ido à
consulta, objetivando capacitá-lo para uma consulta médica. “Isso é o chamado
acolhimento, você vai garantir que a pessoa saia devidamente assistida na sua
necessidade de saúde”, explica a professora.
Ela lembra que as
diretrizes curriculares para formar profissionais da saúde voltados para o Sistema
Único de Saúde são as mesmas há mais de 10 anos, e nenhuma mudança efetiva tem
acontecido.
Participaram da pesquisa,
além de Elenir Fedosse e Silvana Basso Miolo, a mestranda Jodéli
Pommerehn e outros 12 acadêmicos da UFSM de diferentes áreas, como medicina,
odontologia, enfermagem, terapia ocupacional e farmácia.
Texto: Luana
Mello, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Foto de capa: Divulgação