A Agência de Notícias encerra
nesta quarta-feira (7) a publicação das entrevistas com os candidatos à
Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria. Conforme sorteio, realizado na
presença dos representantes das três campanhas, a ordem foi a seguinte: Chapa 2
na segunda (5), Chapa 3 na terça (6) e Chapa 1 na quarta (7).
O entrevistado de hoje é o professor
Paulo Burmann, do Curso de Odontologia, do Centro de Ciências da Saúde (CCS). Burmann concorre à reeleição pela Chapa 1, Pra mudar ainda mais, e tem como vice o
professor Luciano Schuch, do Curso de Engenharia Elétrica, do Centro de Tecnologia (CT).
Agência de Notícias – Qual o perfil adequado para o(a) reitor(a) da
UFSM, e como sua trajetória está adequada ao desempenho desta função?
Paulo Burmann – A principal característica que um reitor deve
apresentar é a humildade. É saber que nada se faz sozinho em uma universidade
como a UFSM. O perfil do reitor da UFSM deve ser de abertura e disposição ao
diálogo com toda a comunidade, com as lideranças locais, regionais, nacionais e
internacionais. Deve ter trânsito natural em todos os setores da comunidade,
espírito de liderança, posicionamento, capacidade de articulação com a equipe
da gestão em todos os níveis, ser agregador, responsável para com a amplitude
da gestão pública transparente, com visão estratégica e democrática. Os valores
e as características apresentadas acima são os que busco para nortearem o meu trabalho desde
minha atuação no movimento estudantil na década de 70, passando pela atuação
profissional, docente, sindical e de gestão, até o atual momento. Esta busca
permanente é o que, ao meu ver, me credencia a fazer um trabalho e uma gestão
com acuidade e participação de todos, respeitando as diferenças “Pra Mudar
Ainda Mais”.
Agência de Notícias – A UFSM tem quatro campi físicos (Santa Maria,
Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul). Após um período
de expansão, as universidades federais passam por um momento de redução de
investimentos. Como sua gestão pretende enfrentar esta situação, garantindo a
manutenção da estrutura e dos recursos humanos necessários?
Paulo Burmann – A característica multicampi da UFSM e a presença
constante da gestão em Frederico Westphalen, Palmeira das Missões, Silveira
Martins, Cachoeira do Sul e Santa Maria exercem um papel fundamental no desenvolvimento
econômico e social das respectivas regiões. Exatamente no momento da
consolidação do processo de expansão, tivemos
uma redução de mais de cem milhões no orçamento e estamos fazendo uma gestão presente,
responsável, moderna e eficiente. A participação dos gestores em todos os
níveis definiu estratégias de investimento, que permitiram avanços necessários.
O fortalecimento do fórum de diretores e vice-diretores de unidade, o PDI e os
debates que definem as políticas institucionais nos conselhos superiores têm
sido decisivos para a definição dos rumos da UFSM. Precisamos fortalecer ainda mais
o modelo de gestão participativa das ações em curso e as estratégias de
articulação com as lideranças regionais e que facilitem o acesso aos órgãos de
governo.
Agência de Notícias – O perfil do aluno da UFSM tem mudado, com a
consolidação do acesso aos cotistas provenientes de escolas públicas,
portadores de deficiência, indígenas, afrodescendentes e refugiados. Qual sua
política para o sistema de cotas e para a assistência estudantil a este
público?
Paulo Burmann – As políticas de ações afirmativas, tratadas até
então de forma isolada, foram assumidas de forma institucional, culminando com
a criação da Coordenadoria de Ações Educacionais, que vem, cada vez mais,
aperfeiçoando as políticas de permanência e acessibilidade, fomentando um espaço de aprendizagem
extracurricular que reduz a evasão e a retenção na UFSM. É fundamental
manter o foco na construção de saberes que elevem os processos educacionais
dialógicos e as propostas inclusivas, bem como o debate participativo acerca da
pluralidade, da diversidade de gênero, da diferença e das identidades
étnico-racial, cultural e social. A ampliação de um dos maiores programas de
assistência estudantil da América Latina, a partir do aumento na cobertura do
benefício socioeconômico (mais de 4.000 estudantes), da criação de mais de 400
novas vagas na moradia estudantil, da ampliação nos restaurantes universitários
(área física e número de refeições), a atenção à saúde (SEU – serviço de
atendimento pré-hospitalar), à segurança, ao
lazer e à cultura são ações que serão fortalecidas, “Pra mudar ainda mais”,
aumentando a inclusão e a permanência.
Agência de Notícias – O sistema de ponto eletrônico para os servidores
técnico-administrativos em educação foi um dos grandes debates na eleição
anterior. Qual sua posição sobre o atual sistema? Há outra alternativa para o
controle da carga horária dos técnico-administrativos?
Paulo Burmann – O ponto
eletrônico, que não é a solução para o cumprimento e desempenho das atribuições
dos servidores públicos, resultou da assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em 2012. Nesta gestão, desde
2014, venho dialogando com o
Ministério Público Federal, na defesa da autonomia da UFSM. Entendo que um
dos obstáculos são as particularidades da atuação do servidor
público em uma instituição de educação, com a
compreensão de que ponto eletrônico não está correlacionado com a eficácia no
desempenho da função pública e burocratiza as relações de trabalho. Todavia, o
entendimento do Ministério Público é diverso, não apresentando alternativas.
Agência de Notícias – Qual a sua avaliação sobre a influência e a
relação da UFSM com a comunidade de Santa Maria e para o desenvolvimento deste
e dos demais municípios em que atua? A crítica histórica de que a UFSM é uma
instituição fechada em seus muros é pertinente?
Paulo Burmann – Encontramos a
UFSM encastelada em seus muros quando assumimos. Hoje a realidade é outra. Temos
desenvolvido ações concretas para ampliar o diálogo com a comunidade regional,
incluindo-a na tomada de decisões e no planejamento da UFSM. Temos recebido a
visita de lideranças comunitárias, empresariais, políticas e sindicais. Nestas
oportunidades, reiteramos o entendimento do papel da UFSM no desenvolvimento
econômico e social da região e do Brasil.
Reforçamos a
atuação da UFSM como polo de tecnologia, ensino, pesquisa e extensão do país.
Incluímos a participação das prefeituras no Plano de Desenvolvimento
Institucional, criamos o Fórum Permanente de
Extensão e fortalecemos a Incubadora Social com objetivo de aproximar a UFSM da
comunidade. O Descubra e a AGITTEC são outros exemplos do compromisso e
inserção regional. Agora a comunidade
ocupa o campus nos finais de semana. Promovemos a cidadania por meio de
atividades de esporte, arte, cultura e lazer.
Ao mesmo tempo que estamos atentos às demandas locais e regionais, voamos
alto, projetando e lançado no espaço o primeiro nano satélite brasileiro e
participamos da instalação da estação do sistema glonass.
