O Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Santa Maria teve a primeira banca de defesa de doutorado cotutela nesta quinta (26). A tese “Pedagogia subvalorizada: entre a ciência da Educação e a lógica da reprodução”, da acadêmica Luiza da Silva Braido, foi defendida de forma híbrida com membros da banca no Brasil e de professores da Espanha. A agora doutora obteve títulação pela UFSM e pela Universidade de Sevilha.
Luiza Braido teve orientação da professora Liliana Soares Ferreira, docente do PPGE e integrantes do Kairós – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho, Educação e Políticas Públicas/UFSM, e da professora Ana Maria Montero Pedrera, da Faculdade de Ciências da Educação, da Universidade de Sevilha. E, ainda, co-orientação do professor José Leonardo Rolim Severo, do Departamento de Habilitações Pedagógicas, da Universidade Federal da Paraíba. Além das duas orientadoras e do co-orientadors, a banca contou com os seguintes avaliadores: Antônio Matas Terrón, da Universidade de Málaga (Espanha), Encarnación Lissen, da Universidade de Sevilha (Espanha) e João Francisco Lopes de Lima, do PPGE/UFSM).
Conforme a orientadora pela UFSM, professora Liliana Ferreira, a tese foi muito elogiada por abordar a Pedagogia em seus aspectos epistemológicos e científicos, com base em análise dos Projetos Pedagógicos dos cursos de Pedagogia de instituições públicas federais brasileiras. “A autora concluiu que a Pedagogia, como ciência da Educação, devido à ausência de um consenso sobre seu objeto, métodos e fundamentos teóricos reforça sua condição de subvalorização, o que compromete sua legitimidade no campo acadêmico e social”, explicou.
Para a docente, a defesa da Pedagogia como Ciência da Educação leva a uma leitura de que a Educação se encontra em muitas dimensões sociais para além da escola. “Portanto, exige compreender, em acordo com o avanço tecnológico e das relações humanas, que os processos educativos se apresentam espraiados e sem o(a) profissional adequado para trabalhar com estas possibilidades”, acrescientou a orientadora.
A autora finalizou a defesa com a afirmação: “Desejo que a Pedagogia não se acomode em certezas, mas permaneça inquieta, insurgente, curiosa, disposta a repensar-se sempre que necessário. Afinal, se nada será como antes, que seja porque se ousa transformar o mundo pelas palavras, pelos gestos, pelos afetos e pelas ideias que, no chão da escola e no corpo do texto, resistem e persistem”.
A cotutela representa um marco no processo de internacionalização do PPGE e só foi possível devido ao convênio acadêmico existente há dez anos entre as duas universidades, coordenado pela professora-orientadora da tese defendida nesta semana.