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UFSM incorpora primeiro carro elétrico à sua frota

Audi e-tron foi a entregue à Reitoria da UFSM após anos de testes no projeto Rota Elétrica Mercosul



Foto colorida, em formato horizontal. Em uma área coberta da UFSM, três pessoas posam ao lado de um veículo elétrico identificado com a marca “UFSM Sustentável”. Da esquerda para a direita, estão o vice-reitor Tiago Marchesan, usando óculos e casaco escuro; a professora Alzenira Abaide, vestindo casaco preto sobre roupa em tons claros; e a reitora Martha Adaime, usando blusa rosa e calça preta. Todos sorriem para a câmera.
O vice-reitor Tiago Marchesan, a professora Alzenira Abaide e a reitora Martha Adaime (da esq. para a dir.) posam ao lado do Audi E-Tron doado para a UFSM

Em cerimônia realizada no hall do prédio da Reitoria na segunda-feira (15), a UFSM incorporou oficialmente o primeiro automóvel 100% elétrico de sua frota. O Audi E-Tron foi entregue ao Gabinete da Reitoria durante o evento que marcou o encerramento do projeto Rota Elétrica Mercosul – Suporte ao Desenvolvimento e Gerenciamento para Mobilidade Inteligente.

A doação simboliza o encerramento de um ciclo de pesquisa liderado pela professora Alzenira Abaide, do Departamento de Eletromecânica e Sistemas de Potência. Utilizado como plataforma de coleta de dados para estudos, o veículo contribuiu para análises sobre autonomia, desempenho e comportamento da eletromobilidade em diferentes condições de uso. “O interessante é que nós conseguimos finalizar esse projeto com todos os objetivos alcançados”, afirma a professora.

Durante a cerimônia, os presentes também conheceram mais sobre o funcionamento do automóvel e os impactos da eletrificação, especialmente em relação à sustentabilidade e à redução das emissões de poluentes, em comparação com carros movidos a combustão.

Um corredor elétrico no Mercosul

Antes de integrar oficialmente a frota da UFSM, o Audi E-Tron desempenhou papel central no projeto. Entregue ao projeto Rota Elétrica Mescosul em 2022, ele passou a atuar como unidade de testes e coleta de dados para pesquisas em eletromobilidade. Com ele, a equipe analisou, na prática, o desempenho, a autonomia e o comportamento de automóveis elétricos em diferentes condições de uso. “O veículo foi um laboratório móvel para nós”, afirma a coordenadora, Alzenira Abaide.

A escolha do modelo não ocorreu por acaso. Segundo a pesquisadora, era necessário um automóvel com autonomia suficiente para percorrer o estado de norte a sul e, ao mesmo tempo, capaz de registrar detalhadamente os dados de operação para análise posterior.

Foto colorida, em formato horizontal. A imagem mostra o veículo elétrico Audi E-Tron estacionado no prédio da Reitoria da UFSM. O carro, na cor cinza-escuro, aparece em destaque em perspectiva frontal lateral, com a identificação “UFSM Sustentável” adesivada na porta. Ao fundo, há uma fachada envidraçada e três lixeiras para coleta seletiva. À direita, árvores e veículos estacionados são vistos na área externa do campus.
O projeto Rota Elétrica Mercosul utilizou o Audi E-Tron como laboratório móvel

Ao longo dos testes, o Audi percorreu diversas vezes os cerca de 900 quilômetros de uma ponta a outra da rota, permitindo à equipe verificar o funcionamento dos carregadores e coletar informações sobre deslocamento e velocidade. Os estudos também indicaram que a autonomia dos veículos elétricos varia conforme o tipo de trajeto, com melhor desempenho em ambientes urbanos do que em rodovias.

Entre os principais resultados da iniciativa estão a instalação de 12 estações de recarga rápida: 10 ao longo do corredor elétrico e duas nos campi da UFSM, em Santa Maria e Cachoeira do Sul. Além disso, foi possível a criação de uma estrutura de monitoramento remoto e a consolidação de uma rede de dados sobre eletromobilidade no estado. “Na época, quando esse projeto foi proposto, não havia nenhuma estação de recarga rápida no Rio Grande do Sul. Hoje, se abrir o mapa, vai ter uma quantidade enorme”, ressalta Alzenira.

Esse avanço já aparece na infraestrutura gaúcha. Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com 1.770 eletropostos, para uma frota de 38.632 veículos eletrificados, o que representa uma média de 21,8 automóveis por ponto de recarga, um dos melhores índices de cobertura do país.

Em 2022, o campus de Cachoeira do Sul recebeu uma unidade de carregamento rápido com capacidade para abastecer dois automóveis simultaneamente a partir de fontes renováveis. No ano seguinte, o campus sede, em Santa Maria, ganhou outro ponto de recarga rápida, instalado ao lado do prédio 9E.

Eletrificação e sustentabilidade

A incorporação também amplia o debate sobre sustentabilidade no setor de transportes. Diferentemente dos modelos a combustão, carros elétricos não emitem gases de escape durante a operação, o que contribui para a redução da poluição do ar e das emissões de carbono, especialmente em centros urbanos. Além disso, por utilizarem motores elétricos, também reduzem significativamente a poluição sonora.

Foto colorida, em formato horizontal. A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas no hall do prédio da Reitoria da UFSM durante uma cerimônia. Em primeiro plano, os participantes observam o discurso. Ao centro, a professora Alzenira Abaide fala ao microfone enquanto está ao lado do vice-reitor Tiago Bandeira Marchesan e da reitora Martha Adaime, e o público está a sua frente. Ao fundo, através das portas de vidro, é possível ver o veículo elétrico Audi E-Tron identificado com a marca “UFSM Sustentável”. O ambiente é amplo, iluminado por luz natural.
O evento simbolizou o encerramento do projeto Rota Elétrica Mercosul, iniciativa que colocou o Rio Grande do Sul em destaque na eletromobilidade

Segundo a pesquisadora, o Brasil reúne condições favoráveis para a expansão do setor de mobilidade elétrica por possuir uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo. A geração de energia no país é baseada principalmente em usinas hidrelétricas, além da crescente participação das fontes eólica e solar e de biomassa. Esse cenário diferencia o país de regiões onde a eletricidade ainda depende majoritariamente da queima de carvão, gás natural e petróleo.

Na prática, isso significa que os veículos elétricos podem reduzir as emissões locais de poluentes e também as emissões associadas ao consumo de energia ao longo de sua operação. Para Alzenira Abaide, essa característica torna a eletrificação dos transportes especialmente promissora no contexto brasileiro. “A eletromobilidade foi feita para nós, brasileiros, porque a nossa energia é limpa, o combustível que o carro usa é limpo”, afirma.

Esse princípio orientou o próprio projeto Rota Elétrica Mercosul. Além da instalação de 12 estações de recarga rápida ao longo do corredor elétrico, a iniciativa incorporou fontes renováveis à infraestrutura. Parte das unidades recebeu painéis fotovoltaicos para auxiliar no abastecimento, enquanto a estação de Osório passou a contar com geração eólica e sistemas de armazenamento de energia.

As estações de recarga rápida do projeto operam com potência de 60 kW. Segundo Alzenira, um automóvel com as características do Audi E-Tron, equipado com bateria de aproximadamente 90 kWh, leva cerca de uma hora e meia para uma recarga completa.

Para o vice-reitor Tiago Bandeira Marchesan, a UFSM teve papel decisivo no avanço da eletromobilidade no estado. “Se o Rio Grande do Sul tem hoje essa capacidade em eletromobilidade, é porque a universidade foi protagonista nesse processo”, afirma. A chegada do Audi E-Tron à frota institucional simboliza anos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Segundo a reitora Martha Adaime, o automóvel traduz o impacto da iniciativa para além da tecnologia. “Ele carrega muito mais do que um Audi elétrico. Carrega consigo muitas partes da Universidade Federal de Santa Maria”, destaca.

O projeto Rota Elétrica Mercosul resultou em cinco teses de doutorado e quatro dissertações de mestrado, além de contribuir para a consolidação de uma rede de conhecimento sobre o tema no estado. Para a coordenadora Alzenira Abaide, os avanços conquistados representam apenas uma parte do trabalho. “É só uma etapa concluída, tem muita coisa para ser feita ainda”, afirma.

Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Lucas Casali

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