Publicada na manhã desta sexta-feira (19), a nota técnica elaborada pelo Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Direito e o projeto de extensão “Prevenir é Direito” da UFSM, alerta para a necessidade de preparação antecipada dos serviços públicos diante da alta probabilidade de ocorrência de um novo El Niño. As recomendações são direcionadas, em particular, ao Sistema Único de Saúde (SUS), à Defesa Civil e aos serviços de saneamento e de assistência social.
No Brasil, os efeitos típicos do fenômeno incluem chuvas acima da média na Região Sul, com aumento do risco de tempestades, enxurradas, inundações e deslizamentos. Já o Norte e parte do Nordeste tendem a registrar redução das chuvas, com intensificação da seca, do estresse hídrico, das queimadas e consequente piora da qualidade do ar. O documento ressalta, entretanto, que o El Niño não deve ser entendido como a causa isolada dos eventos extremos. Seus impactos dependem da interação com outros fatores climáticos e das condições de vulnerabilidade dos territórios, como degradação do solo, desmatamento, urbanização desordenada, saneamento inadequado e capacidade de resposta dos serviços públicos.
A nota recomenda a ativação preventiva de salas de situação climática e sanitária, com monitoramento de dados oceanográficos e meteorológicos, revisão de planos de contingência, reforço da vigilância epidemiológica e fortalecimento das ações de comunicação de risco voltadas às populações mais vulneráveis.
Outro destaque é a importância de um papel ativo dos serviços de atenção básica na identificação, no acompanhamento e na manutenção do cuidado de grupos mais suscetíveis aos efeitos das emergências climáticas, como crianças, gestantes, idosos, pessoas com deficiência, pacientes com doenças crônicas, povos indígenas, comunidades quilombolas e ribeirinhas, além de pessoas desabrigadas ou em situação de vulnerabilidade social.
Ao considerar os efeitos do último El Niño, ocorrido entre 2023 e 2024, o documento demonstra que os impactos sanitários não se limitam ao momento do evento meteorológico. Enchentes, secas e queimadas produzem tanto efeitos imediatos quanto prolongados, desorganizam serviços, deslocam populações, ampliam exposição a agentes infecciosos e ambientais, interrompem tratamentos e agravam situações de sofrimento mental.
Desse modo, a principal recomendação da nota técnica é que as autoridades não aguardem a confirmação de desastres para mobilizar recursos. A gestão do risco climático na saúde, segundo o texto, deve ser preventiva, territorializada, intersetorial e orientada por evidências.
Acesse a nota técnica completa aqui.
Texto: Subdivisão de Comunicação do Centro de Ciências Sociais e Humanas