Ir para o conteúdo UFSM Ir para o menu UFSM Ir para a busca no portal Ir para o rodapé UFSM
  • International
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área Restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

Quarto imersivo e contação de história trazem legado de Quintana para a Saldanha Marinho

Programação contou atividades que resgaram obra do poeta das coisas simples



Foto colorida horizontal de uma mesa de trabalho com uma máquina de escrever com uma folha parcialmente escrita. Ao lado, um relógio, uma bergamota, um chimarrão, copo de café pela metade, uma térmica, um óculos redondo, um jornal dobrado. Mais ao lado, uma estante cheia de livros
Quarto imersivo de Quintana trouxe objetos que remetem ao autor, como a máquina de escrever, os óculos redondos e os livros

Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro, considerado um dos principais expoentes da segunda geração do modernismo no país. O homenageado da 53ª Feira do Livro de Santa Maria, conhecido como “o poeta das coisas simples” nasceu em Alegrete há 120 anos. Sua obra é marcada pela linguagem simples e pela abordagem de temas cotidianos e contemplativos.

Na década de 1920, Mário Quintana passou a residir em Porto Alegre. E entre 1968 e 1980, morou em um quarto do Hotel Majestic – prédio conhecido por sediar a Casa de Cultura Mário Quintina (CCMQ). Naquele período, o autor atuava como desempacotador de livros na Livraria do Globo, redator no jornal O Estado do Rio Grande, e escreveu Caderno H (1973), Apontamentos de História Sobrenatural (1976) e A Vaca e o Hipogrifo (1977). A primeira obra data de 1940, a Rua dos Cataventos. Quintana ainda foi tradutor, ao trazer para o português Virginia Woolf e Marcel Proust.

Na edição de 2026 da Feira do Livro de Santa Maria, o público pôde visitar um espaço imersivo inspirado no quarto de hotel onde o poeta morou, instalado no centro da Praça Saldanha Marinho. Dentro do lugar, que remetia à uma pequena casa, viam-se elementos que constituem um quarto: cama, escrivaninha e estante. A máquina de escrever, o chimarrão, as bergamotas, os muitos livros e o óculos redondo sinalizaram que ali viveu um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Foto colorida de horizonal de três pessoas em pé à frente de uma maquete do Hotel Majestic, conhecido pelo tom rosado. Os dois homens e a mulher, todos jovens, usam roupas formais típicas dos anos 1960 ou 1970
Estudantes Eric Vieira, Manoela Michelin e Guilherme Bueno transportaram os frequentadores da Feira do Livro para o quarto de Quintana no antigo Hotel Majestic

“O segredo não é correr atrás atrás das borboletas, mas cuidar do jardim”

Três estudantes dos cursos de Licenciatura em Teatro e das Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) transformaram o quarto imersivo de Quintana na Feira do Livro de Santa Maria em um palco. O trio trouxe de forma dinâmica e delicada a história do “poeta das coisas simples” Quintana para a comunidade santa-mariense. 

A universitária Manoela Michelin, do curso de Artes Cênicas, conta que a experiência foi muito positiva e as trocas com o público marcaram o Espaço Imersivo. “É uma coisa que sempre nos enriquece enquanto artistas e, também, enquanto pessoas. A gente vive nessa correria e poder escutar uma criança falando ou uma pessoa idosa lendo um poema, sempre traz uma nova visão daquele mesmo texto que a gente está lendo há 10 sessões naquele dia”, compara. Para a atriz, ver a arte ocupar a cidade fora do meio universitário e do meio da pesquisa, é algo muito bonito e especial. 

Já o estudante de Licenciatura em Teatro, Guilherme Bueno, reforça a importância de homenagear o poeta: “Acredito que é importante lembrar o trabalho dele para as novas gerações. Como ele mesmo escreveu, ‘o segredo não é correr atrás das borboletas, mas cuidar do jardim para que elas venham até você’. Então acho que a gente faz a manutenção desse jardim para as novas gerações”, reflete.

Os artistas avaliam a recepção positiva do público: sessões lotadas e, principalmente, o desligamento do mundo externo. “Eles respeitam o uso do celular dentro do espaço e aguardam para fazer fotos e vídeos somente no final. Eles ficam, de fato, imersos e conseguem mergulhar na proposta do trabalho”, conta Guilherme.

Foto colorida horizontal das duas estudantes na feira do livro. Uma está em pé com o livro em mãos e a outra está sentada com a boneca no colo. As duas estão trajadas com roupas que remetem a crianas
Renata Gassen e Victoria Leal, respectivamente, durante a contação de histórias de "Lili Iventa o Mundo"

“Uma vida não basta ser apenas vivida, também precisa ser sonhada”

Já na outra ponta da Praça Saldanha Marinho, no estande da Associação dos Professores Universitários de Santa Maria (APUSM), acontecia, simultaneamente, a contação de história de “Lili Inventa o Mundo”, de Mário Quintana. O livro de poesias foi originalmente publicado em 1983 e acompanha uma menina que “vive no mundo do faz de conta”.

Na abertura do livro, Quintana reflete sobre a imaginação:  “As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas. Nada lhes ficou. Nada lhes sobrou. Uma vida não basta ser apenas vivida: também precisa ser sonhada”. E foi baseada nessa leitura que o Coletivo Elipso, em parceria com a APUSM, desenvolveu sua atividade.

As atrizes do coletivo, Victoria Leal e Renata Gassen, egressas do curso de Licenciatura em Teatro e Artes Cênicas da UFSM, respectivamente, contracenaram com uma boneca e levaram ao palco uma proposta de cena animada. Com músicas, coreografias e momentos contemplativos, a apresentação evitou o didatismo excessivo para incentivar a contemplação de Lili, para que a criança pudesse agir com ela “de igual para igual”.

A marcante característica do autor de trazer o cotidiano da personagem para dentro da história foi o que possibilitou ao coletivo criar uma narrativa a partir dos poemas. A gente cria uma ordem desses poemas para contar um pouco de como é o dia a dia da Lili, da perspectiva dela. Sempre trazendo essa associação que o Mário Quintana faz com os elementos da natureza, o vento e as coisas que a criança sente: o medo, a alegria da vida aos dançar na chuva”, explica Renata. 

A estudante reflete que, hoje em dia, os conteúdos consumidos pelas crianças têm se tornado cada vez mais óbvios, ou seja, menos lúdicos e imaginativos. É aqui que entra a importância de trazer o autor para o espaço infantil. “Ele é muito importante, porque resgata o lúdico pelo contato com as crianças. Quando ele poetiza sobre assuntos do cotidiano, quando ele traz para as infâncias, é o olhar da criança sobre aquilo”, observa Victoria.

Renata explica que a contação de história se baseia no público a quem é direcionada. Contudo, as atrizes relatam que, na feira, receberam pessoas de todas as idades e, com isso, perceberam que essa era uma atividade para todo mundo. “Quando a gente chegou, tinham pessoas mais idosas assistindo, e elas começaram a rir também, se divertiam. A gente consegue envolver os espectadores pela música e pela narrativa. Com a boneca, a gente percebeu que estimulamos a imaginação das pessoas junto com aquilo. Então tudo isso é a soma da sutileza da escrita do Mário Quintana”, conclui.

 

Texto: Júlia Zucchetto, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias, e Ellen Schwade, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Fotos: Giulia Maffini, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Maurício Dias, jornalista

 
Divulgue este conteúdo:
https://ufsm.br/r-1-73879

Publicações Recentes