De quinta-feira (10) até domingo (13), no prédio 44F do campus sede da UFSM, ocorre o 6º Seminário de Monitoramento e Avaliação de Bacias Hidrográficas do Cone Sul e 5º Fórum de Geo-Bio-Hidrologia. O evento, que reúne professores e estudantes de universidades de todo o país e também instituições internacionais, promove o intercâmbio de conhecimentos, apresentação de avanços científicos e discussões sobre metodologias inovadoras para compreender processos hidrológicos e ambientais.

Organizado pelo Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Erosão e Hidrologia de Superfície (Gipehs) da UFSM, o evento integra pesquisadores de diversos núcleos da universidade, bem como pesquisadores externos. A docente Miriam Fernanda Rodrigues, do Departamento de Solos, destaca as várias possibilidades de integração para troca de conhecimento entre as diferentes especialidades dos profissionais.
Essa troca permite pensar e discutir estratégias para formar redes de monitoramento para que se possa ter informações sobre o andamento da gestão dos solos e da água. Assim, pensa-se em “como podemos prevenir que os desastres e a degradação do solo e da água aconteçam, e também para que se consigam estabelecer redes de monitoramento que tenham informação contínua, que possa ser disponibilizada e usada para modelagem. Para que a gente possa usar essas informações para prever cenários, condições e evitar danos futuros com essas previsões preditivas”, explica Miriam.
O professor Jean Minella, docente do Departamento de Solos da UFSM e organizador do encontro, explica que esse evento é voltado para integração dos grupos de pesquisas, onde cada grupo traz suas experiências, dúvidas e desafios relacionados ao monitoramento de bacias e, principalmente, processos hidrológicos e sedimentológicos. O encontro também incluiu uma visita de campo à bacia do Rio Guarda-Mor, na região da Quarta Colônia de Imigração Italiana.
“Essa bacia, apesar de não estar dentro do campus da UFSM, faz parte dela. Porque é um laboratório a céu aberto, onde muitos estudantes, de pelo menos três centros [Centro de Ciências Rurais, Centro de Ciências Naturais e Exatas e Centro de Tecnologia], podem colocar em prática seus conhecimentos com base na nossa condição de solo, de relevo, de clima”, afirma Minella.
Jean destaca a importância do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) no andamento do projeto. Além da Fapergs, o Comitê de Apoio para Eventos Extremos e Emergências (Care), vinculado ao Gabinete da Reitoria da UFSM, criado após as cheias de 2024, foi muito importante para a recuperação da bacia do Guarda-Mor. Ao longo dos últimos dois anos, o grupo recebeu recursos para realizar o monitoramento da bacia.

Com apoio da fundação e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP) da UFSM, foram distribuídos recursos para reconstruir e comprar novos equipamentos, que haviam sido destruídos. O projeto também mantém uma parceria com os cursos de Comunicação Social, com as professoras Ada Silveira e Aline Dalmolin, por meio da qual se busca levar para a comunidade a ciência produzida na universidade de forma acessível e eficaz.
A professora Lidiane Buligon, do Departamento de Matemática da UFSM, pesquisou no seu mestrado o transporte de poluentes e contaminantes, através da matemática computacional. Ela destaca as torres de fluxo, que medem os gases do efeito estufa e como eles são emitidos para a atmosfera. “A parte do transporte de calor no solo tem a parte numérica, de equações diferenciais, que é a minha área de formação”.
Lidiane passou a trabalhar com a professora Débora Roberti, do Departamento de Física, na área das propriedades térmicas do solo, com uma pesquisa realizada em áreas agrícolas, que tinha muita influência na umidade do solo. “Ali, conheci o professor Jean, que trabalhava com essa parte de interfaces entre hidrologia e ciência dos solos”.
O evento recebe apresentações de instituições estrangeiras, como o Instituto de Hidrología de Llanuras, da Argentina; Universidad de la República e Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria, do Uruguai; e Laboratoire des Sciences du Climat et de L’environnement, da França. Participam também pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e UFSM.
O encerramento do seminário acontece no domingo à tarde, na Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo, também na UFSM. Esse é um encontro regional que envolve os estados do Sul do Brasil, onde os pesquisadores trazem suas experiências em relação à ciência do solo.
Texto: Júlia Zucchetto, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Illnick, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Lucas Casali