Ao menos duas vezes por semana, uma movimentação chama a atenção de quem frequenta o Restaurante Universitário central da Universidade Federal de Santa Maria. Acadêmicos, professores e servidores, além da gurizada – filhos dos funcionários que moram na Instituição – reúnem-se ali, no coração do campus, para reavivar uma prática antiga, o futebol de mesa.
Desde meados de 2007, o grupo da região central do estado pratica o Futebol de Botão. Por ser uma paixão antiga, o seleto grupo tinha necessidade de criar um site para divulgar esse popular esporte. Então, em 2013, os ventos passaram a soprar a favor dos apaixonados pelo esporte. Ainda em 2012, foi criado o Núcleo Universitário de Futebol de Mesa (NUFUME), apoiado pela Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) e pela diretoria da Casa do Estudante II. Esse foi o estopim para o projeto começar a ser moldado.
O grupo, encabeçado pelo funcionário da Comunicação Social, Otacílio Neto, levou a proposta de criação de um site específico do Núcleo para a PRAE. A ideia foi aceita e então, o sonho tornou-se realidade. O site foi desenvolvido pelo acadêmico de Ciências da Computação da UFSM, Leandro Minato, com suporte da jornalista, e filha de Otacílio, Dandara Flores.
Além de a PRAE ter aceitado a ideia da criação do site, a Diretoria da Casa também dá o devido apoio, permitindo que os desportistas utilizem a União Universitária para a realização dos torneios e treinos do esporte. “Nós temos dias marcados para jogar e, em contrapartida, damos oficinas ao pessoal que mora na União, além das pessoas que trafegam, como universitários, professores, servidores e simpatizantes. Eu faço com prazer, com carinho essa demonstração e ensino esse resgate do que muitas vezes fica escondido”, ressalta Otacílio.
O NUFUME também realiza campeonatos uma vez por mês. Essa regra foi estipulada por uma diretoria composta por Otacílio, pelo professor de Ciências Econômicas, Sérgio Prieb, Pedro Fontoura, acadêmico da Engenharia Acústica e por Eduardo Ribeiro Albuquerque, da Educação Física. Além da diretoria, o Núcleo também possui uma comissão de ética, formada pelos botonistas Jorge Luiz, José Ademir e Paulo Ricardo. Todas terças e quintas-feiras são realizados treinos. “Se eu tivesse mais tempo ficaria fazendo oficinas no RU, na hora do almoço, por exemplo, porque muita gente passa por ali”, comenta Otacílio. Há 25 atletas que jogam, desde o ano passado, compondo o ranking. Neste, há regras internas para quem quiser participar efetivamente. Segundo o idealizador, é através desse ranking que incentivam a criação em coletivo.
Neste ano, o NUFUME conseguiu um patrocínio da Eny Esportes. “Patrocinaram 150 medalhas e 10 troféus, para cobrir esses torneios mensais, já a partir de março” explica Ota, como é popularmente conhecido. Como há os atletas efetivos, o Núcleo cobra uma pequena taxa mensal de R$ 3,00 para manutenção básica, como comprar bolinha, rede, trave e lixa pra lixar as mesas.
Como a “sede” dos campeonatos e treinos fica na UFSM, e há os prédios de funcionários, há muitas crianças, filhas desses servidores. E o objetivo central dos apaixonados pelo futebol de mesa é o de juntar essas crianças com os veteranos, que não estavam jogando mais, fazendo com que haja uma troca de saberes entre diversas idades, dos 12 até os 55 anos.
No regulamento interno do NUFUME, consta que é possível trazer pessoas de fora da comunidade acadêmica, até porque não há outro local na cidade que pratique esse esporte. “A maioria desse pessoal de fora que vem jogar já passou pela UFSM, pelos bancos dessa Universidade, se formaram aqui. É uma espécie de volver do futebol de mesa. Então não tem como não deixar jogar”, conta o funcionário. Para ele, e para a grande maioria dos apaixonados pelo esporte, o Futebol de Mesa serve como uma ferramenta para estimular a união e uma verdadeira troca de conhecimento.
Repórter: Andréa Ortis – acadêmica de Jornalismo.
Editor: Lucas Dürr Missau.
