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O Brasil, a Alemanha e uma amizade



 

A intenção inicial era treinar a língua inglesa. Foi com essa motivação principal que Rafael Pentiado Poerschke se inscreveu no programa de apadrinhamento da Secretaria de Apoio Internacional (SAI).  Rafael é dourando da UFRGS e graduado em Economia pela UFSM, até hoje mantém vínculo com a Universidade através do curso de Estatística, que está fazendo aos poucos, devido às demais atividades em que está envolvido.

A Alemanha que veio para o Brasil

Natural de Santa Maria, Rafael mora sozinho em um apartamento na cidade e estava com um quarto vago, quando chegou ao Brasil sua primeira afilhada. O apadrinhamento consiste em acolher o estudante estrangeiro que chega: mostrar a UFSM, buscar na rodoviária, instruir quanto à carteira de ônibus, da biblioteca. Mas, naquele momento, Rafael teve a oportunidade de oferecer também a hospedagem. Passou, então, a conviver com a afilhada que ele mesmo buscou no aeroporto em Porto Alegre.

Imke não veio de um país de língua americana, e ao invés de aperfeiçoar o inglês, Rafael teria contato com um idioma novo para ele: o alemão. Aceitou o desafio com entusiasmo em conhecer uma nova cultura. A barreira do idioma não foi um problema para os dois, uma vez que Imke trazia uma bagagem muito grande de viagens, experiências e estudo de línguas. O idioma que mais ajudou na comunicação inicialmente foi o espanhol, mas a alemã fazia questão, sempre que possível, de falar português.

Rafael pôde, ainda, ajudar Imke academicamente, uma vez que ela tinha algumas aulas no mestrado de Economia, área de conhecimento do estudante. Além de levar Imke para conhecer a cidade, foi com ela para cidades vizinhas como Itaara, cidades da Quarta Colônia e deu dicas de viagem, sugerindo lugares e mostrando rotas. Imke conheceu, entre julho de 2012 e janeiro de 2013 várias cidades brasileiras como Mata, Gramado, Foz do Iguaçu, Florianópolis, Curitiba e Rio de Janeiro, onde assistiu ao último dia de carnaval na Sapucaí. Aproveitou a proximidade e viajou para Buenos Aires, na Argentina.

 

O padrinho teve oportunidade de mostrar o país para Imke, que se surpreendeu com o povo brasileiro, com os hábitos calorosos e costumes gentis. Rafael percebeu que o estrangeiro tem uma imagem distorcida do país, acreditando que existe mais violência e mais malandragem.  No Brasil, tem muito mais diversidade do que a que é vendida no exterior. “A Imke não tinha ideia de que tinha uma forte herança cultural da Alemanha aqui no Brasil”, exemplificou Rafael. Imke, que só conhecia o samba e Michel Teló, conheceu vários ritmos e bandas nacionais e acabou gostando muito do samba rock.

Em contrapartida, Rafael conheceu uma cultura totalmente nova. Montou o Calendário de Natal – costume alemão de pendurar saquinhos de doces em um varal para cada dia do mês de dezembro, até o dia 24. “Mas claro, tivemos que adaptar ao clima brasileiro e colocar o varal na geladeira, para os doces não derreterem”, conta ele. Durante as refeições os dois aproveitavam para conversar sobre a cultura dos países, aprendendo um com o outro. Muitas vezes essa troca acontecia no próprio preparo, onde amigos de Rafael, que se tornaram amigos de Imke, juntavam-se para preparar pratos típicos.

 

Satisfeito com a primeira experiência, hoje Rafael tem uma nova afilhada, Jennifer, que veio dos Estados Unidos em janeiro, como intercambista do curso de Engenharia de Produção. Ao mesmo tempo que lamenta o contato um pouco mais restrito com Jenny, devido às idas e vindas de Porto Alegre, Rafael continua convivendo com intercambistas na UFRGS, onde cursa  seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais (PPGEEI).

O Brasil que foi para a Alemanha

Como resultado principal dessa convivência, surgiu uma amizade. Em janeiro, Imke Hundt voltou para a Alemanha e mantém contato com Rafael via internet, os dois compartilham arquivos e conversam com frequência. Foi assim, através de e-mail, que Imke relatou a experiência e os meses que viveu em Santa Maria.

“Eu não só quero experimentar a vida brasileira, mas também quero vivê-la”, foi este apelo, escrito por Imke em sua carta de motivação para realizar o intercâmbio no Brasil, que foi atendido, quando a alemã teve as portas da UFSM abertas para a realização de parte de sua pós-graduação aqui.

Para Imke, e também para sua família, a existência de um padrinho dentro da UFSM deu muita segurança. Além do apoio com o idioma, que embora ela tivesse uma boa base prévia e a fluência em espanhol, não dominava, o padrinho garante um bom início, ajudando nas formalidades iniciais. Mas para Imke, a maior ajuda que recebeu de Rafael foi nos aspectos culturais e inserindo-a em seu grupo de amigos. “Para mim, estas coisas são mais importantes do que ajudar com algo da universidade, por exemplo. Pois a lembrança da cultura e dos amigos são mais duráveis, permanecendo na memória”, escreve Imke.

Imke ficou surpresa com a influência alemã, especialmente em Santa Catarina, identificando indícios na culinária, na arquitetura e nas características físicas das pessoas, descobrindo, inclusive, que até hoje muitos descendentes de imigrantes falam alemão. Imke fascinou-se também com o povo brasileiro “muito social, hospitaleiros e que quase nunca está de mau humor”, segundo ela.

Após visitar diversas cidades, estados e até países vizinhos, a intercambista concluiu que “Rio é, sem dúvida, a cidade maravilhosa!”. Mas ficou fascinada também por Foz do Iguaçu. Para ela, o Brasil é um país incrível, quanto a natureza, cultura, língua e povo. Mas percebeu um aspecto negativo: a desigualdade social.

 

Em Santa Maria, Imke conheceu diversos amigos, foi a bares, bibliotecas, museus… Mas acabou encontrando dificuldades de adaptação no próprio ambiente acadêmico. Na Alemanha, é mais organizado, no Brasil acaba sendo um pouco mais disperso. “Acho que é importante aceitar algumas coisas como estrangeira, para que seja mais fácil integrar-se”, ponderou ela. No entanto, sua maior dificuldade foi o clima da cidade no verão. “Uma das primeiras palavras que aprendi lá: abafado!”, brinca.

Como resultado da experiência, ficou um grande carinho pelo país. Questionada sobre a possibilidade de voltar, a alemã registrou: “Com certeza. Já estou morrendo de saudades! O país me encantou!”.

Fotos: Arquivo pessoal/Imke Hundt.

Repórter: Patricia Michelotti – Acadêmica de Jornalismo.

Edição: Lucas Durr Missau.

 

 

 

 

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