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Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas

MELHORAMENTO E PROPAGAÇÃO VEGETATIVA DE PLANTAS (MPVP)

Ver no Diretório de Grupos da CNPq Pesquisa Em Atividade

Contato:

dilson.bisognin@ufsm.br (55) 3220-8900 Prédio:77 Sala:40 à 60

Apresentação

O Núcleo de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas (MPVP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) dispõe de infraestrutura de espaço físico e de equipamentos, adquiridos com recursos financeiros oriundos de projetos de desenvolvimento científico e tecnológico, para dar suporte as atividades de ensino, pesquisa e inovação e para melhor qualificar os recursos humanos.

No Núcleo de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas são realizadas pesquisas científicas e tecnológicas e de desenvolvimento de tecnologias, produtos ou processos, em conformidade com a Lei 13.243/2016. Os recursos financeiros necessários para a manutenção e ampliação da infraestrutura e para a condução das pesquisas são captados a partir de projetos aprovados por Instituições Públicas, como CNPq, CAPES, FINEP e FAPERGS, e como resultado de Acordos de Parceria com Empresas Privadas.

As pesquisas científicas e tecnológicas realizadas no MPVP são em genética e melhoramento e em propagação vegetativa de plantas. As atividades de pesquisa inicialmente se concentraram em genética e melhoramento de batata, devido ao treinamento e a possibilidade de financiamento junto a instituições públicas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico e a consolidação do grupo de pesquisa em Genética e Melhoramento de Batata. Como consequência, os principais projetos de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico, incluindo o de pesquisador do CNPq, são com a cultura da batata.

A ampliação e modernização da infraestrutura para a pesquisa científica e tecnológica e para o treinamento de recursos humanos possibilitou desenvolver tecnologias inovadoras em propagação vegetativa de espécies anuais e perenes. A consolidação da pesquisa e a utilização de técnicas de produção massal de mudas criou as condições necessárias para o desenvolvimento de métodos e estratégias de melhoramento genético para a propagação vegetativa dessas espécies. O melhoramento para a propagação vegetativa atualmente direciona todas as ações de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico do Núcleo de Melhoramento e Propagação Vegetativa da Universidade Federal de Santa Maria.


 

Descrição Geral

O sucesso de uma nova cultivar de espécies anuais e perenes propagadas vegetativamente depende, em grande parte, da disponibilidade e facilidade de acesso a mudas de alta qualidade genética e fitossanitária. A disponibilidade e acessibilidade a mudas pode também afetar o custo final de produção, pois é um dos fatores determinantes do mesmo. Também, a produtividade e a qualidade da produção estão diretamente relacionadas com a qualidade das mudas utilizadas. Portanto, o sucesso de um empreendimento agrícola ou silvicultural com espécies propagadas vegetativamente depende de um sistema adequado de produção e distribuição de mudas de comprovada origem genética e com estado fisiológico e fitossanitário adequados.

A implantação de um sistema de produção de mudas de uma determinada espécie requer o atendimento aos procedimentos legais e o desenvolvimento de técnicas de manejo da produção. A legislação brasileira prevê que a certificação de mudas, material de propagação vegetal que tenha a finalidade específica de plantio, somente é possível se proveniente de uma planta básica ou matriz, ou seja, que tenha origem conhecida. Em muitas espécies anuais de propagação vegetativa, como batata (Solanum tuberosum) e morangueiro (Fragaria x ananassa) ou perenes, como erva-mate (Ilex paraguariensis), louro-pardo (Cordia trichotoma), ipê-roxo (Androanthus leptaphylla), cabreúva (Myrocarpus frondosus) e acácia-negra (Acacia mearnsii) existe carência de tecnologias e disponibilidade de mudas de alta qualidade genética e fitossanitária, o que justifica a pesquisa com estas espécies.

A produção de mudas de espécies anuais, como a batata e o morangueiro, depende de algumas técnicas da cultura de tecidos. A cultura de ápices caulinares possibilita a eliminação dos patógenos, principalmente viroses, associados aos propágulos vegetativos que causam a degeneração da cultivar. Propágulos livres de vírus são micropropagados (propagados in vitro) e um grande número de plântulas pode ser produzido. Uma das etapas críticas dessa técnica é a passagem da condição in vitro para a condição ex vitro (aclimatização), pelo fato das plantas cultivadas in vitro estarem em um ambiente livre de qualquer tipo de estresse e apresentarem anatomia, morfologia e fisiologia anormal. A micropropagação, apesar de ser muito utilizada para a propagação de culturas anuais, ainda é uma tecnologia com custos elevados, implicando em altos investimentos pelos produtores.

A produção de mudas de espécies perenes, como erva-mate, louro-pardo, ipê-roxo, cabreúva e acácia-negra, apresenta ainda entraves tecnológicos. Um aspecto importante é que as mudas são produzidas a partir de sementes coletadas de plantas selecionadas. Nesse caso, as plantas da progênie têm uma relação genética de meio-irmãos e, em muitos casos, de baixa qualidade genética, devido à contribuição do genitor masculino não selecionado. Além disso, as mudas apresentam uma grande variabilidade genética, o que é indesejável em plantios comerciais, pelas dificuldades impostas para o manejo das plantas e pela baixa produtividade e qualidade do produto. Portanto, novos povoamentos dessas espécies devem ser estabelecidos com mudas propagadas vegetativamente, por possibilitar a produção massal de mudas altamente uniformes e idênticas geneticamente à planta matriz.

Nesse contexto é importante desenvolver novas tecnologias de multiplicação e produção de mudas de alta qualidade genética e fitossanitária. A qualidade genética depende diretamente da propagação vegetativa e do controle da origem do material propagado. A qualidade fitossanitária está associada à técnica de propagação vegetativa utilizada. Alta qualidade fitossantária é alcançada com a micropropagação, porém é uma técnica ainda muito onerosa, sendo necessário o desenvolvimento de protocolos para aclimatização de plantas que permitam maximizar a sobrevivência das mudas ex vitro e a taxa de multiplicação do material comprovadamente livre de patógenos. A propagação ex vitro, como o uso da miniestaquia de haste juvenil e adulta, permite produzir várias plantas a partir de um indivíduo sadio e manter a qualidade fitossantária. Portanto, a produção de mudas por propagação vegetativa pode ser realizada através de várias técnicas, dentre os quais se destacam a estaquia, a miniestaquia, a microestaquia, a enxertia e a micropropagação. A escolha da técnica depende de vários fatores, como a espécie a ser propagada, os objetivos a serem alcançados e a qualidade e o preço de mercado das mudas produzidas. Além disso, a taxa de multiplicação e a qualidade fitossanitária podem ser maximizadas pela produção de mudas em sistemas de cultivo sem solo.


 

Objetivos

Os objetivos gerais são desenvolver clones de espécies anuais e perenes, adaptados a produção massal de mudas e as condições de cultivo e que atendam às necessidades dos produtores e consumidores.

Os objetivos específicos são:

  • Estudar as bases genéticas e moleculares dos caracteres mais importantes no desenvolvimento de novos clones de espécies anuais e perenes.
  • Desenvolver estratégias de seleção precoce para estes caracteres, visando maximizar o ganho genético e facilitar o desenvolvimento de novos clones.
  • Desenvolver tecnologias para a multiplicação de clones nas diferentes etapas do programa de melhoramento e reduzir os custos de produção de mudas.
  • Formar recursos humanos em nível de graduação e de pós-graduação em melhoramento genético e propagação vegetativa de plantas.

 

Missão

Formar recursos humanos altamente qualificados em melhoramento e propagação vegetativa de plantas.


 

Melhoramento e Propagação

Tanto o melhoramento genético quanto a propagação vegetativa estão direcionados para o treinamento de recursos humanos em nível de graduação e de pós-graduação e no desenvolvimento de novos clones de espécies anuais e perenes propagadas vegetativamente. No melhoramento para a propagação vegetativa, populações segregantes são avaliadas com o objetivo de selecionar clones superiores e também para realizar estudos genéticos e moleculares. Assim, são desenvolvidos novos clones de espécies anuais e perenes e também estratégias de seleção precoce para o principais caracteres de produção e industrialização.

No programa são propagadas cultivares, clones selecionados e também plantas matrizes selecionadas. As atividades realizadas em propagação vegetativa tem como finalidade o desenvolvimento de novas tecnologias e também a produção de mudas para atender as demandas do programa de melhoramento. Os trabalhos de pesquisa científica e tecnológica desenvolvidos em propagação vegetativa são realizados a partir de plantas matrizes selecionadas, fornecedoras dos propágulos vegetativos e, em alguns casos, de sementes. A maioria das plantas matrizes de espécies nativas de interesse silvicultural requer o rejuvenescimento, a fim de fornecer propágulos com competência de enraizamento. O rejuvenescimento é realizado principalmente por estaquia e miniestaquia seriada e, em alguns casos, por micropropagação. A utilização de sementes ou embriões zigóticos se restringe ao melhoramento genético. Neste caso, progênies segregantes são utilizadas para a identificação de genótipos com alta competência ao enraizamento de miniestacas e de clones adaptados as condições de cultivo e superiores para os principais caracteres para a produção e a industrialização. Em alguns destes casos, sementes ou embriões zigóticos são germinados in vitro, micropropagados e aclimatizados.

Plantas micropropagadas e miniestacas enraizadas são utilizadas para a formação dos minijardim clonais para a produção de mudas. Mudas produzidas por miniestaquia de clones selecionados também são utilizadas para formar os minijardins clonais (Figura 1). No minijardim clonal, as mudas são submetidas a poda drástica para formar as minicepas, fornecedoras das miniestacas. As miniestacas são enraizadas em câmara úmida, aclimatizadas em casa de sombra e rustificadas em pleno sol, onde se desenvolvem até o plantio dos experimentos de avaliação de clones em condições de cultivo dos produtores.

Imagem de um fluxograma com fundo verde claro detalhando as "Principais possibilidades de produção de mudas em minijardim clonal". Setas indicam que métodos de "Macropropagação" (enxertia, estaquia convencional e poda drástica) e de "Micropropagação" (microestaquia) convergem para um bloco central verde escuro representando o "Minijardim Clonal". A partir do bloco central, o fluxo segue para o "Enraizamento e aclimatização", resultando em "Mudas rustificadas".

Figura 1 – Esquema de propagação utilizado no Núcleo de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas da Universidade Federal de Santa Maria para  desenvolver tecnologias de clonagem de espécies anuais e perenes em minijardim clonal.


A utilização de sistemas de cultivo sem solo possibilita aumentar a taxa de multiplicação e, com isso, reduzir os custos de produção de mudas. Isso se deve a eliminação de patógenos radiculares, desde que utilizado material oriundo da cultura de tecidos e substrato inerte, e ao melhor controle sobre a nutrição das plantas, através do uso de solução nutritiva com concentração e quantidade adequada a cada espécie propagada. As principais vantagens atribuídas ao sistema de cultivo sem solo são a maior taxa de multiplicação, a eliminação do risco de contaminação das raízes das plantas por patógenos de solo, a facilidade de manejo e a dispensa de produtos químicos para a desinfestação do solo.

O cultivo em areia como substrato apresenta vantagens adicionais, como o baixo custo, a simplicidade operacional, a redução dos problemas de crescimento e desenvolvimento das raízes e a ampliação do controle da nutrição mineral das culturas. Neste sistema, a água e os nutrientes minerais são fornecidos através da fertirrigação para suprir a demanda das plantas. A utilização de um sistema fechado de cultivo, no qual a solução nutritiva é reutilizada, ainda supera outro sério problema, que é a perda da solução nutritiva para o ambiente.

Considerando a importância do desenvolvimento de novas tecnologias de propagação vegetativa que possam auxiliar o desenvolvimento de clones nas diferentes etapas do programa de melhoramento e reduzir os custos de produção de mudas, o Grupo de Pesquisa em Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas vem trabalhando no sentido de desenvolver um sistema fechado de cultivo sem solo adaptado para a aclimatização de plântulas, a multiplicação de plantas matrizes e a produção de mudas. O sistema foi inicialmente desenvolvido para atender a demanda das diferentes etapas do programa de melhoramento genético de batata (Figura 2).

Ilustração esquemática colorida em corte lateral de um sistema fechado de cultivo, evidenciando plantas na superfície sobre camadas internas de areia e brita, além das entradas e drenos de solução nutritiva.

Figura 2 – Sistema fechado de cultivo com uso de areia grossa como substrato.

Após a aclimatização, as plantas pré-básicas de batata podem ser plantadas no mesmo sistema para a produção de tubérculos semente ou serem utilizadas como fonte de miniestacas para a produção de mudas (Figura 3). As miniestacas são enraizadas e, após 18-21 dias, estão prontas para serem transplantadas para canteiros maiores, no mesmo sistema fechado de cultivo sem solo, para a produção de tubérculos semente (Figura 4).

Montagem fotográfica colorida vertical com três imagens mostrando as etapas de desenvolvimento e enraizamento de pequenas estacas verdes de batata.

Figura 3 – Mini estacas obtidas a partir de plantas aclimatizadas (acima), plantadas no sistema fechado de cultivo sem solo para o enraizamento (meio) e mudas prontas para o plantio (abaixo) para a produção de tubérculos semente.

Como todo o processo é realizado em casa de vegetação protegida contra insetos, os tubérculos semente mantém a mesma qualidade genética e fitossanitária oriundas do cultivo in vitro. Os tubérculos semente são armazenados em condições de temperatura e umidade controladas até o plantio, quando se encontram no estádio fisiológico de plena brotação. Como todo o processo é realizado em casa de vegetação protegida contra insetos, os tubérculos semente mantém a mesma qualidade genética e fitossanitária oriundas do cultivo in vitro. Os tubérculos semente são armazenados em condições de temperatura e umidade controladas até o plantio, quando se encontram no estádio fisiológico de plena brotação.

Montagem com quatro fotos coloridas mostrando as fases do cultivo de batata-semente em uma estufa, desde o plantio das pequenas mudas em canteiros suspensos até o momento da colheita dos pequenos tubérculos avermelhados na areia.

Figura 4 – Produção de batata semente em sistema fechado de cultivo com areia como substrato a partir de plantas micropropagadas, minitubérculos e miniestacas enraizadas. Os tubérculos semente são colhidos a partir de 70 dias de cultivo e armazenados em condições de temperatura e umidade controlados.

A produção de mudas de espécies perenes é também realizada em sistema fechado de cultivo sem solo (Figura 2) a partir de uma planta matriz selecionada para caracteres de produtividade e qualidade silvicultural e para produtividade e qualidade das mudas. As plantas matrizes são mantidas no banco de germoplasma, sendo que o processo de produção de mudas é iniciado a partir de miniestacas enraizadas, buscando aproveitar ao máximo a juvenilidade dos propágulos vegetativos e a maior competência ao enraizamento. As miniestacas são produzidas tanto por microcepas mantidas in vitro quanto em casa de vegetação, em micro ou minijardim clonal (Figura 5). Neste caso, a micropropagação é necessária para o rejuvenescimento e para a manutenção da planta matriz e a casa de vegetação para a produção das microestacas para formar o microjardim clonal. Plantas mantidas em casa de vegetação fornecem miniestacas para formar o minijardim clonal.

Imagem de um fluxograma com fundo verde claro contendo duas vias paralelas de processos que convergem na base, detalhando o esquema de produção de mudas a partir de plantas mantidas in vitro ou em casa de vegetação, finalizando na etapa de mudas rustificadas.

Figura 5 – Esquema de produção de mudas de espécies anuais e perenes utilizado no Núcleo de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas da Universidade Federal de Santa Maria.

Tanto o microjardim quanto o minijardim clonal são mantidos em sistema fechado de cultivo sem solo, que utiliza areia grossa como substrato. As plantas do microjardim e do minijardim clonal são submetidas a poda drástica para formar, respectivamente, as micro e as minicepas que fornecem as microestacas e  ministacas. Tanto as microestacas quanto as miniestacas são enraizadas em câmara úmida, aclimatizadas em casa de sombra e rustificadas em pleno sol, onde se desenvolvem até o plantio em local definitivo.