As avenidas Nossa Senhora Medianeira e Nossa Senhora das Dores concentram alguns dos principais desafios de mobilidade de Santa Maria. Para apoiar o planejamento de futuras intervenções nesse corredor viário, pesquisadores do Centro de Tecnologia da Universidade Federal de Santa Maria (CT-UFSM) desenvolvem um estudo técnico solicitado pela Prefeitura.
A pesquisa busca caracterizar os principais gargalos do tráfego e produzir um diagnóstico técnico que permita avaliar a viabilidade de soluções capazes de melhorar a fluidez da circulação e aumentar a segurança de motoristas, ciclistas e pedestres. O trabalho é conduzido pelo Laboratório de Mobilidade e Logística (LAMOT), sob coordenação dos professores Alejandro Ruiz Padillo e Tatiana Cureau Cervo, do Departamento de Transportes do CT.
A Prefeitura já havia identificado problemas de mobilidade ao longo desse corredor viário e procurou o LAMOT para desenvolver um estudo capaz de embasar tecnicamente futuras intervenções. Segundo o professor Alejandro, o objetivo é analisar a viabilidade de soluções para esse importante eixo da cidade, utilizando dados objetivos e análises de engenharia de tráfego para formular propostas capazes de enfrentar os problemas de circulação observados na região.
O corredor formado pelas avenidas Nossa Senhora Medianeira e Nossa Senhora das Dores desempenha um papel estruturante na mobilidade urbana de Santa Maria. Nos horários de pico, são frequentes os congestionamentos, a formação de filas em interseções críticas e o aumento dos conflitos entre diferentes fluxos de veículos, fatores que comprometem a fluidez do trânsito e a segurança viária. É esse cenário que o estudo busca compreender para subsidiar futuras intervenções.
Dados para orientar decisões
A primeira etapa do trabalho consistiu na realização de contagens volumétricas de tráfego em horários de maior movimento. A coleta permite identificar como os veículos se distribuem ao longo do dia, quais são os principais movimentos realizados nas interseções e onde estão os gargalos que afetam a circulação.
Essas informações servirão de base para avaliar o desempenho da infraestrutura existente e orientar a análise da mobilidade urbana na região. Conforme explica o professor Alejandro, os resultados poderão subsidiar diferentes propostas de intervenção. “Será possível fundamentar propostas voltadas à melhoria da fluidez do tráfego, à redução de conflitos viários e ao aumento da segurança de todos os usuários do sistema, incluindo pedestres, ciclistas e condutores”, afirma.
Entre as alternativas que poderão ser analisadas estão medidas operacionais de menor custo, como adequações na sinalização, ajustes no controle do tráfego e reorganização de movimentos em interseções, além de intervenções mais complexas, como reconfiguração geométrica de cruzamentos, otimização semafórica e reestruturação dos corredores de circulação.
Aprendizado além da sala de aula
Além de contribuir para o planejamento da mobilidade urbana, o projeto aproxima estudantes das condições reais de operação do sistema viário. Participam da pesquisa o doutorando Matheus Nobia Alves e os estudantes de Engenharia Civil Carolina Costa Canavezi, Jonatan Poersch Ciotti e Otávio Silva Marafiga. Para o doutorando, o trabalho de campo permite integrar diferentes disciplinas da engenharia de transportes e compreender, na prática, a complexidade das condições reais de operação do sistema viário, algo que dificilmente seria vivenciado apenas em sala de aula.
Durante as atividades de campo, um dos aspectos que chamou a atenção da equipe foi o fato de os volumes efetivamente observados se mostraram superiores ao previsto. “O que reforçou a importância da coleta de dados em campo para a calibração e validação dos estudos de tráfego”, explica Matheus. Segundo ele, esse tipo de levantamento torna as análises mais precisas e confiáveis para subsidiar decisões sobre a mobilidade urbana de Santa Maria.
Após a conclusão das análises, os resultados irão compor o diagnóstico técnico que subsidiará a avaliação de futuras intervenções pela Prefeitura de Santa Maria. Mais do que mapear problemas de circulação, o estudo demonstra como a pesquisa desenvolvida na universidade pode contribuir para decisões técnicas voltadas à melhoria da mobilidade urbana em Santa Maria.
Interessados em conhecer o trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Mobilidade e Logística (LAMOT) ou estabelecer parcerias para estudos e projetos na área de mobilidade urbana podem entrar em contato pelo e-mail ou acompanhar as atividades do laboratório pelo site e pelo Instagram.
Texto por Lia Guerreiro, acadêmica de jornalismo, com supervisão da Subdivisão de Comunicação do CT/UFSM.
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