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Prêmio Jovem Pesquisador é da UFSM



 

Um trabalho desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Ciência do Solo da UFSM conquistou, durante o 33° Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, realizado em Uberlândia, Minas Gerais, entre os dias 31 de julho a 5 de agosto, o Prêmio Jovem Pesquisador. O prêmio, fornecido pelo International Plant Nutrition Institute (IPNI) tem por objetivo reconhecer pesquisadores do país que contribuam com pesquisas relevantes sobre o manejo responsável dos nutrientes das plantas.

A pesquisa premiada, Mineralização das formas de fósforo do tecido de plantas de cobertura, faz parte da tese de doutorado do professor Carlos Alberto Casali, com a participação dos acadêmicos do curso de Agronomia, Fabiano Elias Arbugeri e Rogério Piccin e do engenheiro agrônomo, Alexandre Doneda, sob a orientação do professor João Kaminski e colaboração do professor Danilo Rheinheimer dos Santos. O trabalho concorreu com cerca de 1.500 trabalhos da área de fertilidade e nutrição de plantas apresentados no congresso.

Carlos Casali (esquerda) recebendo a placa do Prêmio Jovem Pesquisador. Foto: divulgação.

O projeto

O uso racional de insumos agrícolas é trabalhado dentro da área de fertilidade e nutrição de plantas, desde 1996, na UFSM. Segundo o professor João Kaminski, a preocupação com o tema se justifica pela filosofia corrente em nosso país de fazer adubação e não tratar da fertilidade do solo. “Nós somos um país que importa 85% do fertilizante que consome. Somos o quinto maior consumidor de fertilizantes do mundo” – afirma o professor. Ainda segundo ele, o Departamento de Solos da UFSM é um dos poucos departamentos do Brasil que segue essa linha de uso racional dos insumos agrícolas, preocupando-se com as consequências que eles trazem ao meio ambiente.

A pesquisa premiada trata de um dos grandes vilões da poluição ambiental largamente utilizado nas lavouras: o fósforo. Ele é um nutriente indispensável para as plantas, pois interfere nos processos de fotossíntese, respiração, armazenamento e transferência de energia, divisão celular e crescimento das células. Por interferir em vários processos vitais das plantas, deve haver um suprimento adequado de fósforo desde a germinação. Entretanto, como não se encontra livre na natureza, mas em combinações como os fosfatos, não ocorrem em abundância formas de fósforo combinado que possam ser utilizados pelas plantas. Para suprir essa falta, são utilizados cada vez mais fertilizantes a base do elemento nas lavouras.

Fósforo e Poluição Ambiental

Associadas às crescentes utilizações do fósforo nas plantações estão as práticas não conservacionistas do uso do solo que, visando ao lucro, buscam maneiras de aumentar a produtividade sem se preocupar com as conseqüências. “O solo também se polui. Ele também se desequilibra, se degrada na parte química e ambiental. Então, o nosso interesse aqui é voltado para essa questão ecológica” – afirma o professor João Kaminski. Por ter a capacidade de formar compostos solúveis, o fósforo é facilmente carregado pela água da chuva para os lagos e rios, sendo justamente nessa etapa que podem ocorrer sérios danos ao meio ambiente.

Por ser um nutriente limitante do crescimento de plantas, especialmente, as de ambientes aquáticos, o elemento, em grandes quantidades, causa o processo de eutrofização.

Eutrofização no Arroio Estrela - Bacia Taquari. Foto: divulgação/Associação Estrelense de Proteção ao Ambiente Natural.

O fenômeno se dá quando há excesso de nutrientes na água, aumentando a quantidade de algas e outras plantas aquáticas. As principais consequências desse processo estão relacionadas à degradação da qualidade da água utilizada para consumo e diminuição dos níveis de oxigênio no rio ou reservatório, podendo acarretar na morte de espécimes.

O trabalho do professor Carlos Casali tenta melhorar essa situação, pensando racionalmente o uso do nutriente através da busca de formas alternativas de seu aproveitamento. Uma dessas formas é a utilização de plantas de cobertura.

 

Plantas de cobertura: alternativa para o meio ambiente

As principais culturas econômicas brasileiras são de verão, principalmente, o milho e a soja. Durante o inverno, o solo fica descoberto, facilitando o processo de erosão e a consequente perda de nutrientes do solo. Em meados dos anos de 1970, começou a se pensar em alternativas para esse problema, acarretando no uso das plantas de cobertura, que, segundo o professor Carlos Casali, “vem ao encontro com a ideia do uso racional do fósforo, pois reciclam o elemento já existente no solo e torna ele mais disponível para a próxima cultura, diminuindo assim a sua aplicação”.

Todo o nutriente armazenado no tecido dessa planta tenderá a ser liberado ao solo, dependendo da planta escolhida a velocidade de liberação e a quantidade dos nutrientes. Essa planta, na maioria das vezes, não termina seu ciclo, ela cresce até o período de novo plantio e então é dissecada ou roçada, plantando-se sobre ela a cultura de interesse comercial.

A pesquisa focou-se nas principais plantas de cobertura utilizadas na região: aveia, nabo forrageiro, centeio e a ervilha forrageira. A partir de dados experimentais da dissertação de mestrado do engenheiro agrônomo Alexandre Doneda, foi acompanhada a taxa de decomposição da cultura, a fim de se descobrir quais as formas que se decompõem mais rapidamente para contribuir com a planta que já está estabelecida naquele meio. Foram analisadas a velocidade de liberação do nutriente, bem como as suas quantidades e as formas.

Esse estudo é preliminar e faz parte da escolha da metodologia da tese de doutorado do professor Carlos Casali. Será aprimorada pela análise de um experimento localizado no Paraná, no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) sob a responsabilidade do pesquisador Ademir Calegari, que o instalou em 1984 querendo estudar os efeitos das plantas de cobertura associadas ao plantio direto e convencional.

Inovando com uma prática antiga: a importância da pesquisa

O uso das plantas de cobertura teve seu apogeu no final da década de 1980 e início da década de 1990 e, hoje, segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, encontra-se marginalizada. As pesquisas mais recorrentes no campo de fertilidade e nutrição de plantas são as que envolvem adubação. Nelas, o fósforo é trabalhado de forma oposta a da pesquisa premiada: adição, sem preocupação com as consequências. As plantas de cobertura, quando são objeto de estudo, concentram-se no elemento nitrogênio.

Os trabalhos envolvendo plantas de cobertura e o elemento fósforo, segundo o professor Kamisnki, não são trabalhos comuns ou fáceis de serem encontrados nas revistas científicas. Isso pode ter levado o trabalho, que como afirma o professor Carlos Casali “foi inscrito sem nenhuma pretensão no congresso” a ter conquistado um prêmio tão importante na área. Além disso, o trabalho ajudou a romper as barreiras do departamento de fertilidade e nutrição de plantas. Aos poucos, os projetos vão tornando-se interdisciplinares, com a colaboração de profissionais dos cursos de Química e Engenharia Florestal.

A preocupação ambiental é recorrente nos trabalhos da área de fertilidade e nutrição de plantas da UFSM, como atesta a frase do professor Kamisnki “Nós estamos aqui tentando estabelecer algumas bases para fazer com que essa mentalidade (de adubação irracional) mude. Vamos olhar para o nosso futuro. Não é a preocupação de produzir agora. É muito melhor você produzir 40 sacos de soja por hectare por 300 anos do que produzir 50, 60 sacos por 20 anos”. E é com esse intuito que os trabalhos da área vêm sendo desenvolvidos.

Da esquerda para a direita, Flávio Camargo (presidente da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo), Carlos Casali (vencedor do prêmio Jovem Pesquisador), Ibanor Anghinoni (professor da UFRGS vencedor do prêmio Pesquisador Sênior), Bernardo van Raij (Vencedor do prêmio Pesquisador Sênior do ano passado), Luis Prochnow (Diretor Geral do IPNI Brasil) e Valter Casarin (Diretor adjunto do IPNI Brasil). Foto: divulgação.

 

 

Repórter:

Julia do Carmo – Acadêmica de jornalismo.

Edição:

Lucas Durr Missau – Jornalista.


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