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Disciplina de Comunicação trabalha em parceria com ONG’s da cidade



 

Dentre tantas funções que a universidade exerce na vida de um estudante, além da formação profissional, pode-se destacar também a carga de experiências pessoais que são adquiridas durante os anos de faculdade. Mostrar aos acadêmicos outras realidades de vida e a importância do trabalho social e o voluntariado, por exemplo, é uma das atribuições da disciplina de Comunicação para Terceiro Setor desenvolvida para as turmas do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A disciplina, que é parte teórica e parte prática, trabalha com a inserção dos alunos em Organizações Não-Governamentais (ONG’s) de Santa Maria, com o propósito de atendê-las quanto aos problemas relacionados à comunicação. Com a reformulação do currículo para o curso de Comunicação Social, Comunicação para o Terceiro Setor será integrada, a partir de 2014, à disciplina de Comunicação e Cidadania.

Entre as ONG’s de Santa Maria, pode-se destacar em parceria com a disciplina de Comunicação para o Terceito Setor, o Museu Treze de a Maio, o Centro de Apoio à Criança com Câncer (CACC), a Associação dos Cegos e Deficientes Visuais (A.C.D.V.), o projeto Cultura, Inclusão, Cidadania e Artes (CUICA), a ONG Infância-Ação e o Instituto de Apoio a Educação e Assistência Social Lar Acalanto. A disciplina é coordenada pela prof. mestre em Comunicação e Informação (UFRGS) e doutora em Antropologia Social (UFSC), Sandra Rubia da Silva. As ações de comunicação são elaboradas pelos alunos a partir de um diagnóstico que é feito com os representantes de cada ONG, preferencialmente alguém que possa dar subsídios para falar dos problemas de comunicação. A professora Sandra Rubia destaca a oportunidade de os acadêmicos trabalharem a partir de habilidades e conhecimentos adquiridos em outras disciplinas junto aos conceitos vistos em Comunicação para o Terceiro Setor.

O desenvolvimento de campanhas, a produção de cartazes, o trabalho em redes sociais e a assessoria de imprensa são algumas das ações realizadas pelos acadêmicos dentro das ONG’s. “A partir dos primeiros contatos que eu fiz com as ONG’s percebendo essa grande necessidade que eles tinham de trabalhar com alunos de comunicação, que foi como a chuva caindo no deserto, praticamente, eu tomei a opção de trabalhar com ações de comunicação de tal forma que, essas ações pudessem ser elaboradas e pudessem ser executadas e finalizadas no período da disciplina”, explica a professora.

Sandra Rubia foi quem elaborou a proposta e a metodologia para trabalhar com as ONG’s, mas destaca a importância do trabalho e da experiência da professora Rosane Rosa, também do curso de Comunicação Social, em disciplinas parecidas, como Mídias e Políticas Públicas, para o desenvolvimento da ideia. Para Sandra a experiência foi muito bem sucedida, com alguns casos bastante positivos, como a campanha realizada ano passado, por alunos das habilitações de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, em parceria com o Museu Treze de Maio com o tema “Cem anos de história vivida, dez anos de história contada”. A professora assume que há uma identificação maior de determinados alunos com a proposta, muitas vezes em função de personalidade e de disposição pessoal, no entanto em alguns casos os alunos se identificaram tanto que seguiram trabalhando de forma voluntária.

A ideia é mostrar aos acadêmicos que o campo das organizações sociais é complexo e marcado por sutilezas, dilemas e polêmicas.  Além das contribuições práticas, de ajudar com as deficiências na comunicação e elaborar as peças necessárias para buscar solucionar minimamente esses problemas, um dos propósitos da disciplina é mostrar aos estudantes a realidade dessas Organizações Sociais. “A sociedade não tem conhecimento de quantas batalhas esses empreendedores sociais tem que travar, do nível de desprendimento que eles tem que ter, até em relação a sua vida pessoal, para que esses projetos possam continuar sendo tocados”, argumenta Sandra Rubia. Segundo ela, colocar os alunos em contato com essa realidade é contribuir para a experiência de vida de cada um e pode resultar, ainda, em futuros contatos profissionais.

“Eu acho bastante positivo que o curso de Comunicação da UFSM tenha mantido, em seu novo currículo, a proposta de trabalhar com o social, pois é uma influência muito positiva na formação humanística dos acadêmicos. A universidade pública federal, gratuita deve primar por esse compromisso na formação dos seus alunos”, conclui Sandra Rubia.

Sandra Rubia da Silva é natural de Santa Catarina. Ingressou na UFSM em março de 2012, onde leciona a disciplina de Comunicação para Terceiro Setor. Já tinha um engajamento com essa área, especialmente, a partir de uma vivência como pesquisadora, no período do pós-doutorado, quando morou na cidade de Rio de Janeiro no período de agosto de 2011 a fevereiro de 2012, e acompanhou projetos sociais desenvolvidos na comunidade Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, localizada próxima aos bairros de Copacabana e Ipanema.

Foto: Estéfany Della Flora – Acadêmica de Publicidade e Propaganda.

Repórter: Franciele Varaschini – Acadêmica de Jornalismo.

Edição: Lucas Durr Missau.

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