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Estendendo o estudo acadêmico à comunidade



As doenças do aparelho
cardiovascular recebem destaque no âmbito da Saúde Pública brasileira e mundial,
sendo a falta de suprimento sanguíneo a principal causa de parada
cardiorrespiratória (PCR) em adultos. A PCR corresponde à falta da circulação sistêmica e/ou da respiração,que ocorre em consequência da interrupção súbita e inesperada dos batimentos cardíacos. Mais de 50% das paradas cardíacas
ocorrem fora do ambiente hospitalar, e se não forem realizados procedimentos de
salvamento nos cinco primeiros minutos, a vítima pode ter danos cerebrais irreversíveis
ou até mesmo vir a óbito. Assim, a ação de um leigo capacitado é muito superior
à simples espera por ajuda especializada.

Devido à necessidade
de capacitação que se observou sobre as condições para atender as pessoas, surgiu
ao final de 2012 o projeto Reanima! A ideia partiu de quatro alunos que na época cursavam
o 4° semestre de Medicina na Universidade Federal de Santa Maria: Pedro Canova
Mosele, Raphael Palma, Rodrigo Reis e Rafael de Ávila. A proposta visava, num
primeiro momento, aproximar e estender o estudo acadêmico à comunidade. Treinados em
Reanimação Cardiopulmonar (RCP) em aula curricular do curso de Medicina e em um
curso fornecido pelo HUSM, ministrado pela enfermeira Noeli
Terezinha Landerdahl, os acadêmicos buscaram capacitar alunos de 2° ano
do Ensino Médio de oito escolas da cidade de Santa Maria (RS),
selecionadas aleatoriamente.

Um grupo de apoio, com nove
alunos de Medicina e uma aluna de Fisioterapia, auxiliou na aplicação de
um questionário para avaliar o conhecimento prévio dos alunos sobre RCP, e,
após o curso, o mesmo questionário foi aplicado para medir o quanto tinham
aprendido. A capacitação se deu através de aulas teóricas e expositivas de
60 minutos, embasadas nos seguintes temas: “Causas de morte no
Brasil”, “Como o coração funciona”, “As causas da parada
cardíaca”, “O coração pode voltar a bater só com a massagem
cardíaca?”, e os “Elos da Cadeia de Sobrevivência das Diretrizes da American
Heart Association para RCP”.

A parte prática consistiu em um treinamento
de 40 minutos com grupos de até 15 alunos. Os passos a serem seguidos para a
execução da Reanimação Cardiopulmonar foram ressaltados. Primeiramente é
necessário o reconhecimento e verificação da situação. Feito isso, é preciso
procurar ajuda especializada ao chamar o Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência (SAMU). Só então, o indivíduo pode realizar a Reanimação com a
Massagem Cardíaca. Para tanto, na simulação os alunos puderam aprender
procedendo a técnica sob manequins especializados que emitem um aviso sonoro
quando pressionados em local e profundidade correta.

Os alunos puderam ainda esclarecer
suas dúvidas a
respeito do assunto, desde a diferença entre infarto e parada cardíaca (e o entendimento do
primeiro como uma possível causa da segunda) até a necessidade do uso de
equipamentos e medicações específicas para a reversão da parada
cardiorrespiratória. Além disso, o curso ressaltou também a importância da
aquisição, por empresas e governos, do Desfibrilador Externo Automático (DEA).
Esse equipamento, ao se fazer disponível em locais de grande circulação de
pessoas, contribuiria com um atendimento mais rápido e efetivo das vítimas.

Orientado
pela professora Marinel Dall’Agnol, e financiado com recursos do
Fundo de Incentivo à Extensão (FIEX – UFSM) e da Coordenação do curso de
Medicina da UFSM, o projeto beneficiou um total de 261 de alunos do 2º ano do
Ensino Médio e cerca de 100 alunos de 1º e 3º anos de escolas com turmas
pequenas. Além disso, no Colégio Militar de Santa Maria, também foi realizada
a capacitação com aproximadamente 30 professores do corpo docente.

Os idealizadores do projeto como
agentes da Saúde, relatam que a necessidade de dar algum retorno à sociedade
continua. Segundo eles, muito ainda precisa ser feito em razão da falta de
conhecimentos sobre o assunto por parte da
população: “Ao final das capacitações, através da receptividade
das escolas e do interesse dos alunos, viu-se que a troca de saberes e
vivências com a comunidade pode ser verdadeiramente transformadora, não
apenas para os alunos e professores participantes, mas para todos os
envolvidos”, destacam. 

* Tainara Luísa Liesenfeld, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Coordenadoria de Comunicação Social

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