Em geral, os trabalhos
acadêmicos, tanto de graduação quanto de pós-graduação, após sua apresentação,
ficam armazenados em seus respectivos departamentos e bibliotecas. Apesar de
serem publicados em revistas científicas, é menos comum ver sua divulgação no
meio empresarial e para o grande público.
No entanto,a revista Vida Simples, da Editora Abril,foi em busca da tese de doutorado de Marcelo
Trevisan, professor do Curso de Administração e do Programa de Pós-Graduação em
Administração, pertencentes ao Departamento de Ciências Administrativas da
UFSM, para utilizá-la em uma matéria da edição 148, de agosto de 2014.
Intitulada “Um jeito mais parceiro de trabalhar”, assinada por Ana Holanda e
Ricardo Ampudia, a matéria trata do ecoparque da empresa de cosméticos e
perfumaria Natura, inaugurado em março deste ano em Benevides, cidade próxima a
Belém do Pará, e da relação que o meio industrial pode ter com a natureza.
Considerado o primeiro
ecoparque industrial da América Latina, sua criação foi necessária em vista de a
matéria-prima da empresa Natura estar na floresta Amazônica e como forma de
conciliar o processo industrial com a natureza, visando mais integração e menos
destruição do meio ambiente.
Apesar de os ecoparques serem uma novidade no meio empresarial
brasileiro, no Japão há pesquisas sobre o tema desde os anos 1960 e que remetem
ao conceito de ecologia industrial. Bastante difundida no Japão,
Dinamarca, Estados Unidos, Canadá, Suécia, entre outros países, a ecologia
industrial refere-se à reutilização sistemática de materiais e resíduos pela indústria como forma de
diminuir a extração de matéria-prima e os impactos ambientais.
Nesse sentido, a tese do
professor Marcelo Trevisan, intitulada “A
ecologia industrial e as teorias de sistemas, institucional e da dependência de
recursos a partir dos atores de um parque tecnológico”, que teve como
objeto de estudo a Associação Parque Tecnológico de Santa Maria (Santa Maria
Tecnoparque), trata sobre a ecologia industrial e remete ao conceito de “simbiose
industrial”. Uma analogia às relações de sistemas ecológicos, de tal forma que
o resíduo de uma indústria se torna matéria-prima para outra, proporcionando
interações mutuamente benéficas, como ocorre com a simbiose observada na
natureza.
Como cita o professor em sua
tese, “a ecologia industrial possui sua
origem vinculada à metáfora entre os ecossistemas naturais e industriais. Ela
nasce da aspiração humana de integrar seus sistemas artificiais com os sistemas
pertencentes à natureza. Dentro dessa perspectiva, oferece uma visão holística
que considera, concomitantemente e de modo amplo, as necessidades da natureza e
dos homens, não só as econômicas, mas também as sociais”.
Além disso, o professor Marcelo
Trevisan destaca que “esses
relacionamentos simbióticos requerem, além de longo prazo, a criação de uma
cultura de cooperação consciente não apenas entre as empresas, mas que também
inclua os demais atores sociais locais (tais como as instituições de ensino e
os setores público e privado)”.
Com a construção do ecoparque da
Natura, espera-se que outras empresas sigam o exemplo, difundindo o conceito de
ecologia industrial ereconhecendo que interagir com a natureza é mais
interessante do que a destruir.
Dessa forma, a utilização do estudo
elaborado pelo professor Marcelo como apoio para a matéria da revista Vida
Simples sugere que, muito mais que um trabalho de sucesso na academia, suas
conclusões podem ser difundidas no meio empresarial, auxiliando na adaptação às
ideias contemporâneas sobre desenvolvimento sustentável.
Eduardo Molinar, acadêmico do 6º semestre de Jornalismo
e bolsista da Assessoria de Comunicação do CCSH.
