Escolhido em
pesquisa popular como uma das grandes personalidades gaúchas do século 20, José
Mariano da Rocha Filho completaria cem anos nesta quinta-feira (12). Seu
centenário é marcado por um legado: a fundação da UFSM, a primeira universidade
federal com sede em um município do interior do país. Falar dele é falar de
todas as lutas envolvendo a educação, desde a época de estudante de Medicina
até o período como reitor da UFSM.
Pioneirismo
sempre foi uma característica marcante em sua carreira. Enquanto estudante de
Medicina, fundou e presidiu a Federação dos Estudantes Universitários de Porto
Alegre e criou a primeira Casa do Estudante Universitário do Rio Grande do Sul.
Na época em que foi diretor da Faculdade de Farmácia de Santa Maria, organizou
o 1º Congresso de Medicina da cidade. Criou a Associação Santa-Mariense Pró
Ensino Superior e foi seu primeiro presidente. É um dos fundadores da
Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), tendo sido o seu primeiro
vice-presidente. Fundou ainda a Faculdade de Medicina de Santa Maria e foi seu
diretor.
Introduziu também
a televisão em circuito fechado no ensino da cirurgia na América do Sul. Com a
fundação da UFSM, tornou-se o primeiro reitor da instituição e trouxe para a
cidade os cursos de Odontologia, Politécnica, Agronomia, Veterinária, Filosofia
e Belas Artes. Nos anos seguintes, criou o Fórum de Reitores das Universidades
Brasileiras, inaugurou a primeira Expofeira Agropecuária de Santa Maria –
promovida pela UFSM e Associação Rural. Foi também o responsável pela
instalação, na cidade de Boa Vista (RR), do primeiro campus avançado de uma
universidade na Amazônia, o qual posteriormente daria origem à Universidade
Federal de Roraima.
Todas essas
conquistas visavam à criação de um ensino superior público de qualidade e,
principalmente, à concretização do ideal que norteou sua vida e carreira: a
interiorização desse ensino. Após cinco anos estudando Medicina em Porto Alegre,
a partir do momento em que José Mariano da Rocha Filho voltou para Santa Maria
começou a sua busca pelo ensino de qualidade no interior.
Ele retornou à
cidade para lecionar na Faculdade de Farmácia de Santa Maria, fundada e
dirigida por seu tio Francisco Mariano da Rocha. A direção da faculdade foi
assumida por José Mariano da Rocha Filho em 1945. Considerando as dificuldades
financeiras pelas quais passava a instituição, ele iniciou uma campanha para
incorporar os cursos de ensino superior do interior do Rio Grande do Sul à
então Universidade de Porto Alegre. Três anos depois, seu projeto foi aceito e
a Faculdade de Farmácia começou a receber verbas para melhorar seu funcionamento.
Nos anos
seguintes, os contornos da UFSM começaram a ficar mais claros com o início da construção
do seu primeiro prédio, na esquina das ruas Floriano Peixoto e Astrogildo de
Azevedo. A partir de 1960, com a universidade já funcionando oficialmente, José
Mariano da Rocha Filho dedicou-se a levar não só a instituição a conhecimento
mundial, mas também seus ideais de ensino superior. Com esse objetivo, publicou
livros como USM, A Nova Universidade
e A Terra, o Homem e a Educação. Além
disso, representou o Brasil proferindo conferências e apresentando trabalhos em
diversos países.
“A universidade
está aí. O desafio foi feito. Não havia outro caminho a ser seguido. Ela foi
criada nas melhores condições possíveis. Se isso veio no tempo certo ou não,
não me cabe julgar. O fato é que eu pude realizar aquilo que havia sonhado”. A
vida e carreira de José Mariano da Rocha Filho foram marcadas por esse sonho,
que lhe rendeu o título, entre outros, de Educador das Américas. Trouxe grande
reconhecimento para Santa Maria e possibilitou o ensino superior público de
qualidade para o interior do estado. Outras informações sobre sua vida e obra
podem ser acessadas aqui.
Texto: Luana Mello, acadêmica de Jornalismo
e bolsista da Agência de Notícias
