“Não encontro gente pra fazer isso, ninguém tem paciência”. Desta forma, Araceli Aires Silva, responsável por entrelaçar cabelos doados, se refere à falta de mão de obra voluntária. O projeto é destinado à criação de um banco de perucas para o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm).
O projeto, que começou no início do ano, é uma parceria entre a Turma do Ique, o grupo Legião do Bem - ambas entidades que dão apoio a pacientes com câncer em Santa Maria - e a voluntária Araceli. O objetivo é criar um banco de perucas no Husm, o qual permanecerá sempre no local e será inaugurado quando 20 perucas estiverem estocadas. Estas serão destinadas a adolescentes e adultos carentes que estejam em fase de tratamento.
A previsão inicial de entrega, segundo Araceli, era julho de 2015. Entretanto, a falta de mão de obra impede a evolução do trabalho, que ficará pronto somente no fim do ano. “A demanda de cabelos é grande, mas a mão de obra muito pequena, só tem uma pessoa me ajudando a fazer vinte perucas”, declara a voluntária. É visível o atraso, pois, ao lado dos instrumentos manuais usados para a produção – tear, moldes de cabeça e linhas – está uma pilha de pacotes com as doações de cabelo.
A dificuldade, segundo a responsável, é que “é um trabalho delicado, tem que ter paciência e gostar”. Além disso, ela atenta para o fato de que a maioria dos voluntários estuda e trabalha. Apesar de tão minucioso, para Araceli o sentimento de ter feito alguém sorrir com seus entrelaçamentos não tem preço.
Para ser voluntário é necessário fazer uma breve entrevista, realizada pela psicóloga Katia Barros, que atende no Oncocentro (no Hospital Caridade, 11º andar). Lá é possível também deixar doação de cabelo ou levar ao Centro de Apoio à Criança com Câncer (Rua Erly de Almeida Lima, 365, Camobi). Lembrando que as mechas devem estar em bom estado e medir no mínimo 15 centímetros. Mais informações pelos telefones (55) 3221-9000 e (55) 3226-4949.
Texto e fotos: Mayara Souto Collar, acadêmica de Jornalismo

