Recentemente, o projeto RElona, uma iniciativa pioneira do programa
de extensão Grupo Incorpore: Ações Coletivas para o Meio Ambiente, do Centro de
Ciências Naturais e Exatas (CCNE), foi
matéria do programa “Como Será?”, da Rede Globo. A idealizadora, professora
Marta Tocchetto, relata que, a partir de matéria produzidas e veiculadas pela
RBS TV Santa Maria nos jornais locais, regionais e também no Bom Dia Rio Grande,
a produção do “Como Será?” entrou em contato com a equipe da RBS TV e solicitou
que fosse produzida matéria sobre o projeto.
Desde a exibição, a repercussão tem sido bastante positiva.
No dia após a veiculação do programa, o projeto já recebeu um e-mail da
Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto, manifestando interesse em replicar
a experiência lá, entre outros pedidos de informações. “Esperamos que surjam
ainda mais, tanto para conquistarmos mais entidades que desejam desenvolver o
projeto, como voluntários e também doadores, em especial de equipamentos e
máquinas”, diz Marta.
Para quem ainda não conhece o RElona, trata-se de um projeto
que tem como objetivo reaproveitar as lonas de banners para confecção de
bolsas, sacolas e outros objetos. O projeto surgiu em 2014, pensado pela coordenadora do Grupo
Incorpore, mas começou a ser implantado em março de 2015, junto à Associação de
Apoio à Pessoa com Câncer (Aapecan).
Marta conta que em um primeiro momento, o projeto surgiu
devido à preocupação ambiental com as lonas de banners. As lonas vinílicas, que
as trabalhadas no projeto, são produzidas com plástico sobre uma malha têxtil a
fim de aumentar a resistência ao rasgo. Este material, em função das suas
características, não é reciclado, ou seja, acaba sendo destinado aos aterros ou
mesmo aos lixões. Apesar de a Política Nacional de Resíduos Sólidos ter
determinado a extinção dos lixões em agosto de 2014, praticamente 50% dos
municípios brasileiros ainda utilizam este tipo de alternativa para destinação
dos resíduos domiciliares.
“Resolvemos, então, aliar a preocupação ambiental com a
social, tendo em vista nosso
entendimento de que a Universidade deve demonstrar, por meio de suas
ações, responsabilidade com o meio ambiente e com a comunidade em que está
inserida”, completa Marta.
A equipe do projeto são os dois bolsistas do programa, Aliar
Jung e Juliana Gonçalves, além de Marta, como coordenadora, e as voluntárias
Lise Brasil, Quele Oliveira e Juraci
Terezinha, além de outros voluntários que participam com menor
frequência. As sacolas, bolsas, capas de blocos e outros produtos são
produzidos na Aapecan, na Rua Borges de Medeiros. Lá, a associação
disponibiliza três máquinas de costura domésticas e o espaço no qual realizam
uma oficina semanal com voluntárias, onde costuram as sacolas e outros objetos.
A oficina acontece às segundas-feiras, das 13h30min às 17h. As lonas usadas são
todas de doação e vêm de campanhas
publicitárias e também eventos científicos, como da Ulbra Santa Maria e IFF
Panambi. Ocasionalmente, algumas entidades, como Sesi e Sicredi, também
encaminham seus banners para o projeto.
Os objetos produzidos têm duas finalidades: serem utilizados
como ferramenta de educação ambiental (por exemplo, serem doados em eventos) e também
serem vendidos. Esta renda é revertida para a entidade parceira, a Aapecan.
Atualmente, ainda não é feita venda, porque a produção é pequena. O projeto
quer firmar mais parcerias com entidades, porém, a limitação é possuir máquinas
de costura e voluntárias para a costura, o que acaba dificultando, pois há uma
carência na cidade de associações que possuam a infraestrutura necessária.
“Nossa esperança é que o projeto cresça em infraestrutura, para aumentarmos a
variedade de produtos em produção para atendermos pedidos para eventos e
empresas, e também para termos quantidade suficiente para comercializar os produtos”, completa a
professora.
O projeto, que está vinculado ao Departamento de Química
(CCNE) e que ainda conta com a colaboração do curso de Desenho Industrial da
UFSM, é inédito em universidades, há somente iniciativas de cooperativas
Paulo e Rio de Janeiro. Em breve, a equipe terá uma estagiária do curso de
Ciências Contábeis da UFSM que desenvolverá seu trabalho de final de curso,
estudando os custos das sacolas e bolsas produzidas pelo RElona. Marta conta
que estão sendo buscados acadêmicos interessados para trabalhar no
aproveitamento dos perfis de madeira dos banners e também da área da
Comunicação Social, para produzir um informativo do programa e do projeto.
Interessados em auxiliar com doação de material, máquinas ou
em levar o projeto para sua entidade podem entrar em contato pelas páginas do RElona, do Incorpore, ou pelo e-mail marta@tocchetto.com.
Sábrina Cáceres – acadêmica de Jornalismo, bolsista da
Agência de Notícias
Fotos: divulgação


