Aconteceu de 10 a 14 de agosto, em Brasília-DF, o 1º Congresso Nacional de Residência Agrária: Universidade, Movimentos Sociais e Produção de Conhecimento no Campo Brasileiro, organizado pela UFSM em parceira com o Incra/Pronera.
Com o objetivo de fortalecer o diálogo e o relacionamento entre as universidades e movimentos sociais, o encontro debateu sobre os cursos de pós-graduação promovidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), via Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O evento reuniu mais de 600 pessoas, entre estudantes de 35 cursos de Residência Agrária do Brasil, asseguradores do Incra, agricultores assentados beneficiados pelo programa e membros de movimentos sociais.
O congresso contou com a participação de diversas autoridades, entre elas o ministro de Desenvolvimento Agrário (MDA), Patrus Ananias, que disse, em sua avaliação, que o programa garante um direito básico do cidadão aos assentados da reforma agrária. “A educação tem característica própria, como direito fundamental, porque é um bem da comunidade. Não podemos pensar em processo de desenvolvimento do país em todos os níveis, político, econômico e social, sem a base principal da pessoa, da comunidade e do país, que é a educação”, afirmou.
A presidente do Incra, Maria Lúcia Falcon, também ressaltou o caráter essencial da educação por meio do programa. “Estamos vendo o milagre do crescimento do ser humano através da educação, da nossa realização plena, através do conhecimento e da produção inovadora”, afirmou.
O presidente do CNPq, Herman Chaimovich, salientou sua satisfação ao ver os resultados do ‘Residência Agrária’. “Esse programa constrói o saber do século XXI. Não temos que olhar pela janela e ver o camponês como no século XIX. A ciência que estamos levando com esse programa é a mais qualificada. Eu posso garantir que, do ponto de vista do CNPq, esse programa se mantém, se renova e cresce”.
Durante o encontro foram apresentados 294 artigos produzidos por estudantes dos 35 cursos de Residência Agrária no país, aprovados através da chamada pública CNPq/MDA-Incra.
O curso de especialização em Agricultura Familiar Camponesa e Educação do Campo da UFSM participou com 22 trabalhos distribuídos em diferentes temas.
Entres as temáticas discutidas nos grupos de trabalhos do evento estiveram Agroecologia, com 66 artigos; Tecnologias de Produção, com 30 artigos; Questão Agrária, Direitos e Conflitos do Campo, 47 artigos; Cooperação, Agroindústria e Organização da Produção, com 33 artigos; Práticas Pedagógicas e Metodológicas da Residência Agrária, 25 artigos; Cultura, com 23 trabalhos; Educação do Campo, com 70 trabalhos.
Os cursos de Residência Agrária
Há dez anos ocorreu a criação da primeira versão do curso de especialização em Educação do Campo e Agricultura Familiar Camponesa. Essa experiência teve um caráter de projeto piloto no início de 2005, em parceria entre algumas universidades do país, o Incra e movimentos sociais e sindicais do campo. Buscava-se não apenas refletir e influenciar sobre os perfis profissionais que as universidades formavam, mas também criar nessas instituições um ambiente de discussão e elaboração acadêmica sobre a reforma agrária no país.
Desde então foram realizadas várias outras versões do curso em diversas áreas do conhecimento, que passou a ser chamado de Residência Agrária. Os cursos envolvem estudantes que estão concluindo suas graduações, profissionais de nível superior que prestam assessoria às comunidades rurais e assentamentos, além dos próprios agricultores e agricultoras assentadas. Atualmente são 35 cursos de Residência Agrária em todo país, com diferentes formatos, metodologias e conteúdo programático.
O 1º Congresso Nacional dos Cursos de Residência Agrária foi um espaço de socialização e balanço das experiências que foram construídas em todo país, contribuindo com o fortalecimento e relação entre as universidades e movimentos sociais no âmbito da pesquisa, ensino e extensão, de modo a articular as múltiplas potencialidades do desenvolvimento dos projetos de assentamentos rurais.
Com informações da Comunicação Social do MDA

