Na manhã de
sexta-feira (12), aconteceu no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) uma
audiência para tratar da superlotação no seu setor de Pronto Socorro. A reunião,
convocada pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa,
teve como objetivo discutir as possíveis soluções para o problema enfrentado no
hospital. Entre elas, está a busca por uma resolução rápida sobre quem irá
administrar o Hospital Regional de Santa Maria, cuja obra tem como previsão de
entrega, segundo a Secretária de Obras, o fim do mês de março.
A mesa da audiência contou com a presença do reitor da
UFSM, Paulo Burmann, do superintendente em exercício e do diretor clínico do Husm,
respectivamente João Batista Vasconcellos e Larry Argenta, do deputado estadual
Valdeci Oliveira, do vereador João Chaves e do representante do Conselho
Municipal de Saúde, Rogério Rosado.
O Hospital Universitário tem aproximadamente 400 leitos,
que estão todos permanentemente ocupados. Segundo o chefe da Divisão da Gestão
de Cuidado do Husm, Salvador Penteado, falar em superlotação não é afirmar que
o hospital está inapto para receber e atender pacientes de urgência e
emergência. “O problema é que quando esses pacientes vêm e são atendidos,
medicados e assistidos, eles estabilizam e, quando isso acontece, eles precisam
de leitos”, afirma.
A instituição necessita, então, dos chamados leitos de retaguarda.
Ou seja, os pacientes, assim que atendidos, medicados e estabilizados, seriam
levados para leitos – e não para macas nos corredores, como vem acontecendo –
para terem uma melhor recuperação. Tal medida, segundo Salvador, “desafogaria
nosso espaço físico, desafogaria nossa equipe, daria agilidade para os
atendimentos e qualificaria o serviço”.
Com o objetivo de melhorar a estrutura, obras estão sendo
realizadas. A expansão da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), cuja obra está
parada, tem previsão de retorno ainda para este ano. Quando concluída, possibilitará
a duplicação do número de leitos para a unidade, que hoje dispõe de 40. Mas,
para aliviar a alta demanda sobre o Pronto Socorro do Husm, será necessária a
colocação em funcionamento do Hospital Regional. Além da expectativa pelo fim
das obras, há um impasse: quem irá administrá-lo?
Na opinião do reitor, o Hospital Regional pode ter outra
gestão que não a da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), desde
que ela seja completamente pública e comprometida com a rede pública de saúde.
Para Burmann, é clara a existência de um embate político referente à possível
administração do Hospital Regional pela estatal. No entanto, “é lamentável,
nesse processo, que as pessoas não se deem conta do impacto que isso tem sobre
a saúde da população”, frisa.
O reitor afirmou ainda que é necessária, de fato, uma
ação emergencial. “Nós devemos buscar este encontro emergencial com as
autoridades de saúde do Estado e colocar a situação do Husm. Eu imagino que o
Estado tenha a dimensão da importância desse hospital para a saúde do Estado”. Burmann
informa, no entanto, que a UFSM busca desde o início do governo Sartori uma
agenda para tratar desses assuntos e recentemente recebeu mais uma negativa de
audiência. “Caso for necessário, adotaremos um caminho paralelo para esclarecermos
ao governador do Estado qual a realidade desse hospital”, reforça.
O deputado estadual Valdeci Oliveira defendeu não haver
nenhuma possibilidade de o Estado do Rio Grande do Sul assumir o Hospital
Regional, devido à crise financeira vivenciada na atualidade, que não permite
sequer que os recursos sejam enviados para os demais hospitais da região
central.
Além
disso, defendeu o deputado, o Estado não teria sequer recursos para realizar
concursos para chamar os servidores necessários. Para Valdeci, “nada melhor do
que já entregar para uma empresa que tem experiência, recursos, capacidade e
pessoal à disposição. Nesse momento, não aprovarem a gestão da Ebserh é uma
burrice. Eu espero que a sociedade não continue pagando por essa burrice”,
defendeu.
Ainda
que não tenham ficado decisões muito concretas sobre como resolver
imediatamente os problemas no Pronto Socorro, foi consensual entre as
autoridades do município, do estado, da UFSM e do Husm a necessidade de novas
reuniões, que deverão acontecer já nas próximas semanas.
Texto: Germano Molardi, acadêmico de
Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
