A Comissão “Paulo Devanier Lauda” de
Memória e Verdade da Universidade Federal de Santa Maria realizou a primeira
audiência na última sexta-feira (15). Instituída em junho de
objetivo de investigar possíveis casos de violação dos direitos humanos na UFSM
no período de
1988.
Segundo o atual coordenador geral, professor
Diorge Konrad, a audiência foi com o professor aposentado Eduardo Rolim,
readmitido nos quadros da UFSM durante a gestão do ex-reitor Gilberto Aquino Benetti
(1985-1989). Rolim prestou declarações sobre casos de violações dos direitos
humanos ocorridos a partir do Golpe de 1964.
A fim de aprofundar a investigação, a comissão solicitará documentos
produzidos na UFSM à Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Estes
documentos foram enviados, durante o período ditatorial, para a sede do extinto
Serviço Nacional de Informações (SNI), por meio da Assessoria Especial de Segurança e Informação (AESI), órgão que monitorava a instituição.
Durante o ano passado, o trabalho da
Comissão da Verdade se restringiu à organização interna. A investigação iniciou
com levantamento da documentação da UFSM, junto ao Departamento de Arquivo
Geral (DAG), na busca do paradeiro dos documentos produzidos nesse recorte
histórico.
A primeira audiência seria realizada em
2015 com Lys Lauda, filha de Paulo Devanier Lauda, professor do curso de
Medicina ‘expurgado’ da UFSM na época do golpe militar.
No entanto, a audiência foi transferida
para este semestre. “Ao longo desse trabalho inicial
da comissão, algumas pessoas entraram em contato para se colocar à disposição
no sentido de fornecer informações ou mesmo documentos relativos ao período”,
conta Konrad.
Grupo conta com a colaboração de voluntários
A comissão busca voluntários que
contribuam com a investigação. Cerca de dez estudantes voluntários já compõem a
equipe. Além disso, a comissão pretende se reunir com a Reitoria, na próxima semana,
para discutir a demanda por bolsistas, situação normal em outras comissões da verdade.
“O trabalho exige paciência e tem sido ainda bastante lento haja vista que a comissão
só conta com os seus componentes, todos com atividades acadêmicas e funcionais
cotidianas, sem tempo para dedicação integral à comissão”, explica Konrad.
Como é formada a comissão
A Comissão da Verdade é formada por
várias representações: um integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE),
um da Associação dos Servidores da Universidade
Federal de Santa Maria (ASSUFSM) e um da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm), além da
representação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção de Santa Maria; um
representante do Conselho Universitário; representantes docentes dos
Departamentos de História, de Documentação e de Direito da UFSM e; representantes
discentes dos cursos de História, de Arquivologia e de Direito.
As reuniões deste ano foram retomadas
na segunda semana de março, após o recesso de fevereiro, e acontecem todas as
sextas-feiras na sala 209 do Prédio da Administração Central, no campus.
Paola Brum, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias