A agricultura familiar é caracterizada pela
pequena produção agropecuária, mantida predominantemente em núcleo familiar.
Atualmente, é responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos no país,
segundo dados do governo federal.
Porém, um dos grandes problemas que esses
pequenos produtores enfrentam é a falta de incentivo, principalmente quando se
fala da produção de alimentos orgânicos.
No âmbito da UFSM, novas iniciativas vêm dando
mais espaço para os pequenos produtores, como a aquisição de alimentos da
agricultura familiar pelo Restaurante Universitário e a Feira Orgânica do EIV.
No RU, foi instituída chamada pública para
aquisição de gêneros alimentícios da agricultura familiar e do empreendedor familiar
rural, destinada ao atendimento da modalidade compra institucional do Programa
de Aquisição de Alimentos (PAA), conforme decreto de 2012.
A partir disso, algumas quantidades de
alimentos são necessariamente adquiridas dos pequenos produtores, como arroz
polido (80 mil quilos/ano) e feijão preto (20 mil kg/ano).
Segundo a nutricionista e responsável técnica
do RU Campus I, Ana Paula Kretzmann, a aquisição dos alimentos de agricultura
familiar por parte do RU incentiva a diversificação da produção e a melhoria na
qualidade dos produtos.
“Acreditamos que há um incentivo para a
agricultura familiar com a compra dos gêneros alimentícios pelo RU. Porém, os
produtores não possuem capacidade de atender aos pedidos na totalidade, visto
que o preparo de aproximadamente 10 mil refeições diárias exige quantidades bem
consideráveis de produtos”, comenta a nutricionista.
Neste ano, foram acrescentados na lista de
produtos adquiridos de pequenos produtores alimentos como tomate longa vida (60
mil kg) e banana caturra (20 mil kg), entre outros.
Feira de orgânicos deverá ser periódica
Já o Estágio Interdisciplinar de Vivência (EIV),
ao promover, no dia 28 de abril, a 1ª Feirinha Orgânica do EIV, no hall do
Restaurante Universitário, incentivou, além da agricultura familiar, o consumo
de alimentos orgânicos.
A feirinha contou com a presença de pequenos
produtores de orgânicos e de seus assistentes técnicos. Segundo o assistente
técnico Claudir Capeletto, a intenção é que a feirinha se torne semanal, e que
a partir deste primeiro contato, os produtores se aproximem cada vez mais da
universidade.
“Acho que essa é a forma mais correta que tem
para comercializar, vindo direto do produtor que produz orgânico. Além disso, é
importante que quem estiver comprando conheça quem está produzindo. O ideal
seria ir até a propriedade e conhecer, ver de que forma é feito. Mas como nem
sempre é possível, o contato com o produtor já ajuda”, comenta Capeletto.
Fernanda de Potre, a produtora de orgânicos
que Capeletto acompanhava, produz os alimentos que comercializa
produtora conta que sua maior dificuldade é lidar com a contaminação de
agrotóxicos. “Nós estamos no berço da soja, há uma contaminação muito grande
por agrotóxicos, principalmente na linha das frutíferas. Até porque o ar já
está contaminado, então acaba afetando a produção”, afirma Fernanda.
Além disso, a questão técnica ainda é muito
precária. “Nós não temos uma tecnologia apropriada para esse tipo de produção.
Nas lojas especializadas se encontram produtos diversos para qualquer tipo de
produção, mas para orgânicos não há. Porque quem patrocina a pesquisa é a
industria química, e como não há patrocínio para a indústria de orgânicos, ela
fica à margem. A única tecnologia que existe é a tecnologia empírica, elaborada
pelo próprio agricultor”, ressaltou Capeletto, destacando que, por isso,
iniciativas como a da feira orgânica são tão importantes.
A parceria dos pequenos produtores com o DCE e
principalmente o EIV não vem de hoje. O EIV teve sua 13ª edição em fevereiro
desse ano e contou com a participação de alunos da UFSM de diversos cursos. O
estágio surgiu de uma demanda dos alunos do curso de Agronomia do Brasil todo,
que sentiram falta de uma proximidade com o campo.
Depois de algumas discussões, os estudantes perceberam
que o campo não precisa apenas de agrônomos, mas de pessoas de todas as áreas e,
assim, ofereceram a oportunidade para os demais alunos.
A feira é uma continuidade da proposta do EIV
de 2016, organizada pelos alunos que produziram o estágio. “Este ano, conseguimos
dar uma continuidade, fazendo essa atividade pós-estágio de vivência, e com o
objetivo principal de dar um retorno para os agricultores que nos recebem nas
suas casas. A primeira atividade pós-EIV foi a organização da feirinha”,
comenta uma das organizadoras, a estudante de Engenharia Florestal Anna
Victoria Silva.
Anna ainda ressalta que o estágio ocorre todos
os anos e que o MST é o maior parceiro do EIV.
Os estudantes e funcionários que costumam frequentar
o RU avaliaram positivamente a feira, principalmente aqueles que possuem
restrições na alimentação, seja por questões de saúde ou por opção.
É o caso da estudante de Artes Visuais, Rebeca
da Silva. “Eu sou vegana, então é ótimo saber que tem uma feirinha na saída do
RU, não precisa ir até o lugar, às vezes é até difícil a locomoção e também difícil
encontrar esses produtos”, comentou.
Mais do que uma questão de incentivo, comprar
de pequenos produtores, principalmente daqueles que produzem alimentos orgânicos,
é uma questão de consciência ambiental e cuidado com a própria saúde.
Texto e fotos: Taísa Medeiros, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias

