A primeira audiência pública sobre o Restaurante Universitário (RU) aconteceu na manhã desta quinta-feira (7), no Espaço Multiuso.
Contando com a presença do reitor, Paulo Afonso Burmann, do representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Lúcio Antunes, e da Casa do Estudante (CEU), Jeison de Paula, foram debatidas questões como a gratuidade das refeições para alunos com Benefício Socioeconômico (BSE), a política do agendamento e a infraestrutura dos restaurantes de todos os campi. A mediação foi do pró-reitor de Assuntos Estudantis, professor Clayton Hillig. O evento reuniu técnico-administrativos, professores e estudantes. Todos os presentes tiveram direito à fala.
Conforme a fala inaugural do reitor, a proposta da audiência foi criar um espaço de diálogo democrático, com caráter consultivo, para a reformulação da regulamentação do funcionamento do RU, objetivando melhorias no conforto, qualidade e redução de filas. Esta necessidade é decorrente do crescimento exponencial de estudantes na UFSM e da alteração no perfil do estudante universitário, uma vez que, atualmente, 40% dos alunos possuem BSE.
O representante do DCE, Lúcio Antunes, disse que as alterações no RU são um tema urgente e relevante, e que a nova gestão objetiva representar todos os estudantes, defendendo-os de forma igualitária e universal. Conforme o representante da CEU, Jeison de Paula, a extinção da tarifa do RU para estudantes com BSE é essencial para a permanência destes na Universidade.
Cumprimento do PNAES
O reitor, Paulo Afonso Burmann, destacou o comprometimento da UFSM no cumprimento do que estabelece o Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES).
Conforme Burmann, os estudantes da Universidade têm um perfil socioeconômico definido, sendo assim, há políticas de acesso e permanência a estes indivíduos, gerando a autonomia como cidadãos.
Na questão do agendamento, há a necessidade de programar para receber uma certa quantidade de pessoas, buscando evitar o desperdício de recursos públicos e de alimentos, uma vez que, atualmente, é feita uma média de nove mil refeições por dia, sendo que destas, 6,8 mil apenas no campus sede, o que gera prejuízos nos dias em que menos alunos comparecem. Esse sistema só vai ser implantado após haver condições necessárias de funcionamento, devendo ser realizados testes no segundo semestre de 2016.
Burmann afirmou que a necessidade do agendamento de refeições é uma questão humanitária, para evitar o desperdício. Uma campanha de conscientização está sendo elaborada pela Facos Agência, para estimular esse hábito na comunidade acadêmica. A divulgação da campanha terá início no próximo semestre.
As manifestações de estudantes, técnico-administrativos e docentes foram referentes a aspectos como a falta de obras de infraestrutura que ampliem o espaço físico, o porquê de a opção vegetariana ser feita apenas de soja, bem como contra o formato punitivo do agendamento caso o usuário agende e não realize a refeição.
Conforme uma representante das nutricionistas do RU, Tiane Tambara, a UFSM é pioneira em oferecer a opção vegetariana aos estudantes, e já houve evoluções através do acréscimo de diferentes molhos e das almôndegas de soja. Há debates internos sobre a questão, mas não há condições, no momento, de realizar alterações no cardápio.
Agendamento e gratuidade
Segundo o reitor, em momento algum foi falado que o agendamento teria caráter punitivo, e, em relação à infraestrutura, disse que é necessário planejar o futuro, como vem sendo feito. Ele afirmou que a ampliação da cozinha não está atrasada por faltarem recursos, e sim pela demora nas licitações e readequações de projetos, uma vez que duas empresas desistiram da obra. Afirmou ainda que uma nova empresa assumiu a conclusão da obra na cozinha há aproximadamente um mês.
Outra questão bastante discutida na audiência foi a respeito da gratuidade nas refeições para alunos com Benefício Socioeconômico, que, há meses, vem sendo reivindicada por representantes estudantis. Estudantes apontaram dificuldades financeiras enfrentadas por muitos.
Segundo o professor João Batista Dias de Paiva, antigo pró-reitor de Assuntos Estudantis (Prae), a UFSM é a única universidade pública do estado que não tem gratuidade, e que isso é algo que deveria ser implantado sem discussão. Além disso, há uma dificuldade na articulação com os estudantes, uma vez que uns defendem o agendamento como necessário, e outros, não.
No entanto, existe o receio de que a gratuidade acarrete no aumento do custo para os demais usuários do RU. Segundo o reitor, serão acrescidos R$ 208 mil ao ano no orçamento da Universidade em função da gratuidade. A política de agendamento pode implicar na redução desse valor, uma vez que o desperdício de alimentos também causa prejuízos financeiros.
Burmann afirmou que ainda não há uma resolução sobre o aumento na tarifa. As readequações serão definidas pelo Conselho Universitário (Consu).
Audiência foi marco histórico
A audiência pública sobre o Restaurante Universitário representou um marco histórico para a UFSM, segundo o reitor. “É uma primeira experiência de trazer ao debate público os assuntos que dizem respeito à comunidade universitária. Isso é muito importante. Hoje nós tivemos aqui estudantes, docentes, técnico-administrativos, gestores dos mais diferentes níveis da instituição, acompanhando e trazendo sua opinião sobre o Restaurante Universitário e todos os desdobramentos que podem advir”, comentou.
Com relação à gratuidade nas refeições
para alunos com Benefício Socioeconômico (BSE), a questão será encaminhada ao Conselho de Curadores, já que
tem impacto financeiro, para então ser apreciada pelo Conselho Universitário
(Consu), o que deve ocorrer até o final do mês.
Texto e fotos: Gabriela Pagel e Paola Brum, acadêmicas de Jornalismo, bolsistas da Agência de Notícias
Foto de capa: Aquivo
Edição: Ricardo Bonfanti

