Ouvir as demandas e trazer as comunidades para dentro da Universidade. Esse foi o objetivo maior do encontro entre a Administração Central (Gestão Burmann-Bayard) e prefeitos da região Central, que aconteceu na manhã deste sábado (25), no Campus sede da UFSM. Segundo o reitor Paulo Afonso Burmann, os municípios tem que enxergar a Universidade Federal de Santa Maria como parceira para suas demandas. “A universidade pública, com todas suas dificuldades, é o celeiro de tecnologia do país. A UFSM é uma das instituições brasileiras que mais registra Patentes entre as universidades públicas”, ressaltou ele. Na ocasião, foram apresentadas as ações da Instituição, bem como um panorama atualizado de seus avanços.
Os prefeitos ou representantes dos municípios de Palmeira das Missões, Faxinal do Soturno, Julio de Castilhos, Cachoeira do Sul, Dilermando de Aguiar, Itaara, Ivorá, Jaguari, Paraíso do Sul, Santiago, Pinhal Grande, São João do Polêsine, São Vicente do Sul, Silveira Martins, Santa Maria, e Dona Francisca, acompanhados do reitor, do vice-reitor, Paulo Bayard, de pró-reitores, diretores de Centros de Ensino, coordenadores dos mais variados setores da Universidade, fizeram um tour pelo Campus, no qual conheceram a Infraestrutura que está à disposição da sociedade. Dentre esses, o Centro de Convenções, que será inaugurado dia 28 de abril, e que se constitui no maior espaço cultural do interior do estado.
Ao destacar a vocação regional da UFSM, Burmann também salientou o Plano de Desenvolvimento Institucional 2016-2026, que contou com a contribuição de Prefeituras de municípios da região. A implantação do SISU, que marca um índice de ocupação das vagas de 96% em 2016, sendo que 95% são do Rio Grande do Sul, 55,13% são de Santa Maria, e 44,8% das demais cidades.
A criação do Campus de Palmeira das Missões, de Frederico Westphalen, a reestruturação do Campus de Silveira Martins e a implantação do Campus de Cachoeira também foram apontados. A transformação e abertura do Campus sede em opção de lazer para a comunidade santa-mariense e regional, através da iniciativa Viva o Campus, que aos domingos recebe em torno de 6 mil pessoas, bem como a construção da Pista Multiuso; a criação do Transporte Intracampus (Circular) no Campus, que conta com 300 usuários/dia, e do Transporte Intercampi, que faz a linha Palmeira das Missões, Frederico Westphalen, Santa Maria, e que em breve fará o trajeto para Cachoeira do Sul, também foram apontados pela gestão. O Descubra, que em 2016, trouxe 25 mil visitantes à UFSM, íntegra o rol de realizações.
Burmann ainda apresentou alguns números da Instituição, como o número de 28.217 alunos matriculados, sendo 20.786 na Graduação, 5.070 na Pós-graduação e 2.361 no Ensino Básico, Técnico e Tecnológico, assim como crescimento dos Programas de Pós, que hoje somam 88 cursos, entre presenciais e a distância. A classificação como 15a melhor universidade do Brasil, incluindo as instituições de ensino privado, foi referenciada. “Essa classificação não nos satisfaz, queremos mais”, disse ele.
A Assistência Estudantil, para o reitor, deve garantir que o aluno conclua seu curso. “Se 5.000 estudantes ingressarem, temos que garantir que 5.000 concluam sua Graduação. Para isso, hoje temos 4.000 alunos atendidos pelo Benefício Socioeconômico, com 2.047 vagas na moradia estudantil e 1.818.060 refeições servidas ao ano.
A queda do orçamento repassado pelo Governo Federal desde 2014 também foi revelado aos presentes, ao mesmo tempo em que demonstra o crescimento de investimentos, obras concluídas e em andamento, além do aumento das despesas de custeio, devido à expansão da Universidade. Para Burmann, a regra é simples: “a gestão compartilhada, comprometida, definindo prioridades com todos os envolvidos, explica essa matemática.
Interação – Para a gerente Regional da Emater, Regina Helena Santarém Hernandes, a UFSM está dando experiência e exemplo no que se refere à gestão. “Todos representantes de municípios que aqui estão tem agora um modelo a ser seguido. Ética é uma palavra de ordem e devemos exercitá-la. A Universidade é a articulados para o desenvolvimento da região”, enfatizou ela.
A representante do Corede-Centro, Valserina Gassen, incentivou aos presentes, que através de sua experiência como ex-prefeita de São João do Polêsine, a parceria, o trabalho conjunto com a UFSM pode mudar a vida dos envolvidos, do aluno à comunidade. “A sabedoria está aqui e a UFSM tem o poder de mudar o panorama dos municípios”, disse ela. Nesse sentido, o prefeito de reeleito de Palmeira das Missões, Eduardo Russomano Freire, disse que a Universidade é a maior conquista da história do município, que permite o crescimento e a evolução da cidade. O prefeito de Julio de Castilhos, João Vestena, ex-morador da Casa do Estudante Centro, destacou a gestão: “se inicia aqui, uma nova proposta de parceria. Precisamos fazer gestão de resultados”. O vice-prefeito de Santa Maria, Sérgio Cechin, salientou que há duas eras na cidade: “antes da UFSM e depois”.
O prefeito de Cachoeira do Sul, Sérgio Ghignatti, contou que é médico formado pela UFSM, em 1973. Morador do apartamento 21 da Casa do Estudante Centro, na época fazia suas refeições no Restaurante Universitário (RU). “Sou muito grato à UFSM, e precisamos de união para que a Universidade siga crescendo com seus Campi. Cachoeira do Sul está engajada e mobilizada pelo Campus da Universidade. Não vamos aceitar que o Governo Federal faça esses cortes, na Educação e também na Saúde”.
Burmann salientou que a Universidade não tem partido político, como as prefeituras municipais. “Assim apelo àqueles que tem apoio de parlamentares que solicitem auxílio e apoio para o Campus de Cachoeira”, solicitou aos presentes. O pedido deve-se ao corte de verbas para o seguimento de obras e estruturação do mais novo Campus da UFSM, implantado em 2014, cuja data marca também o não recebimento de incentivos federais, por parte do Governo Federal. “Não temos como incrementar o Campus, temos fôlego apenas para encerrar o 1o semestre de 2017. Não tem milagre. O Governo Federal tem que olhar a Educação, e não a construção de presídios, como saída para a sociedade”, finalizou o reitor.
Texto e fotos: Graziela Braga, jornalista


