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​Pesquisadores da UFSM descobrem o potencial do açaí no tratamento de doenças psíquicas



A mais nova esperança para o tratamento de doenças
neuropsiquiátricas, entre elas o transtorno bipolar, pode estar vindo do
Brasil, mais especificamente da floresta amazônica, de um fruto que é cada vez
mais popular no país como energético e fonte de vitaminas e minerais: o açaí. A
pesquisa que gerou essa descoberta teve origem a alguns milhares de quilômetros
ao sul, no Laboratório de Biogenômica da UFSM, que teve como instituições
parceiras a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Universidade de
Toronto, do Canadá.

As propriedades do açaí como anti-inflamatório já são estudadas
por cientistas brasileiros. O diferencial da pesquisa realizada na UFSM, sob a
orientação da professora Ivana Beatrice Mânica da Cruz, do Departamento de
Morfologia, é que a investigação foi direcionada especificamente para testes
com células semelhantes às do cérebro humano. Em razão da maior disponibilidade
de recursos e equipamentos no Canadá, esses experimentos foram conduzidos na
Universidade de Toronto. Sob a orientação da professora Ana Andreazza, a
pesquisa foi realizada pelo então doutorando em Farmacologia pela UFSM Alencar
Kolinski Machado, atualmente professor de Biomedicina do Centro Universitário
Franciscano (Unifra).

No Laboratório de Biogenômica, Alencar e Ivana pesquisam as propriedades de frutos amazônicos

No cérebro humano, o açaí atuaria como corretivo da
disfunção mitocondrial, que – de acordo com diversas correntes de pesquisadores
da fisiologia das doenças psiquiátricas – está associada a patologias como o
transtorno bipolar e a esquizofrenia. A mitocôndria é uma organela que, no
interior da célula, tem a função de transformar substâncias como a glicose em energia. Quando a
disfunção acontece, em vez de energia, a mitocôndria gera calor e radicais
livres. Por sua vez, os radicais livres causam estresse oxidativo e inflamação.

Na pesquisa realizada no Canadá, a disfunção mitocondrial em
células cerebrais foi simulada em laboratório. E, quando aplicado o extrato de
açaí, a reversão desses efeitos nocivos chegou a atingir taxas de 80% a 90%.
Isso indica que o açaí pode ter efeitos terapêuticos (de diminuição dos sintomas)
em pacientes psiquiátricos, e até mesmo preventivos. Por conseguinte, o estudo
também aponta o forte potencial do açaí como base para a produção e
desenvolvimento de fármacos psiquiátricos no futuro.

Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico
Oxidative Medicine and Cellular Longevity, em um artigo intitulado Efeitos
Neuroprotetivos do Açaí (Euterpe oleracea Mart.) em Contraste com a Exposição
In Vitro de Rotenona
. Detalhes de como a pesquisa foi realizada também
podem ser encontrados na tese Análise das
Propriedades Neurofarmacológicas da Euterpe oleracea: Estudo In Vitro do
Potencial Uso no Tratamento de Doenças Psiquiátricas
, defendida por Alencar
neste ano na UFSM.

Para a sua realização, a pesquisa teve o apoio financeiro da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que
forneceu a bolsa de estudos para Alencar no Canadá, e também do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que contribuiu com
um aporte financeiro de aproximadamente R$ 400 mil.

Outros estudos –
O Laboratório de Biogenômica da UFSM há anos realiza pesquisas com frutos
encontrados na flora amazônica, em parceria com a UEA. A ligação com a
Universidade de Toronto surgiu em um congresso na França, no qual a coordenadora
do Laboratório de Biogenômica da UFSM, Ivana da Cruz, apresentou trabalhos
sobre o guaraná.

Ao final deste semestre, o laboratório da UFSM também
planeja fazer um experimento que vai testar se o açaí tem a capacidade de
combater o estresse. A pesquisa, que ainda está em fase de elaboração, pretende
testar se o açai poderia reduzir os efeitos do estresse em estudantes
universitários, principalmente durante o período de provas.

Ao mesmo tempo, prosseguem no laboratório as pesquisas sobre
a ação anti-inflamatória do Açaí. Nesse sentido, testes com animais já começaram
a ser conduzidos no Canadá.

Texto e fotos: Lucas Casali

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