O Grupo de Pesquisa Cinema e Educação (GECED) e o Laboratório de Artes Visuais e Mediações, ambos do Curso de Artes
Visuais, promoveram a criação de vídeos experimentais por 11 alunos da
disciplina de Criação. A apresentação dos audiovisuais, com a temática “Narrativa de Si”, ocorreu no dia 20 de abril, e teve 60 espectadores. A
proposta, coordenada pelo professor Lutiere
Dalla Valle, tinha como finalidade
explorar a efemeridade e a subjetividade do cotidiano ao seu redor.
Nova forma de estimular a criatividade
O curso de Artes Visuais já
trabalha com curtas-metragens. Porém, até a apresentação das produções, não
havia um projeto em que a produção experimental estivesse vinculada ao
desenvolvimento de uma disciplina.
A iniciativa foi proposta
por Lutiere, tendo em vista o crescente interesse pela produção de narrativas
visuais que utilizam a linguagem cinematográfica dos jovens que cursam bacharelado
e licenciatura
Visuais na UFSM. O professor estuda há quase 10 anos a importância do cinema no campo
educativo e devenolve abordagem metodológica com foco na “Potência Edu(vo)cativa
do Cinema na Formação”. Devido a esse campo de pesquisa, o professor teve a ideia de propor
ao grupo a realização de curtas. “Quando se escreve sobre cinema ou audiovisual, penso que é sempre
uma aproximação, uma espécie de tecido provocativo, pois o cinema e sua
especificidade não podem ser traduzidas. Mas podem ser sentidas, absorvidas de
maneiras infindáveis como em vídeos”, explica. Lutiere
conta que dentro do curso há ênfase no desenvolvimento de materiais voltados ao
plano gráfico, ao exercício de composição no espaço, como desenho, grafismo,
cor e composição. O enfoque está nas experimentações plásticas. Raras vezes o
vídeo se configura como recurso pedagógico na formação artística.
Narrativas
de Si
O tema Narrativas de
Si surgiu da necessidade de partir de elementos do cotidiano juvenil e da
singularidade. Ou seja, refletir sobre a efemeridade da vida, o ambiente
subjetivo e o que circunda os diferentes entornos. O foco, portanto, está na
subjetividade e sua relação com o ambiente externo. O acadêmico Pablo Torri, do
segundo semestre do bacharelado em Artes, foi um dos integrantes do GECED. Com cenas subjetivas e uma
trilha levemente dramática e tranquila, ele expôs em seu curta o modo como
observa a efemeridade do cotidiano.
O vídeo ‘Atlas’ pode ser conferido a seguir
O projeto foi elaborado no âmbito coletivo. Lutiere observa que os
universitários tiveram muita cumplicidade e contribuíram uns com os outros:
quem tinha conhecimento mais avançado ajudou quem desconhecia a linguagem.
“Foi totalmente intuitivo e experimental o processo de criação. Não
consiste em trabalho final. Na avaliação do percurso, na semana passada, os
alunos avaliaram que foi uma da propostas mais desafiadoras e instigantes que
tiveram. Além disso, comentaram que foi gratificante, pois os resultados
superaram suas expectativas”, avalia. Por meio do
grupo de pesquisa, algumas projeções estão sendo organizadas para, no futuro,
serem apresentadas outras séries de vídeos. Um dos modos sugeridos é o debate de
filmes que relacionem percepções visuais das imagens que explorem as questões
sociais, culturais e ideológicas. Com a recepção positiva da atividade, Lutiere
pontua que a produção de vídeos no curso valoriza o audiovisual como proposição
didático-pedagógica. “Acredito que pode contribuir significativamente à
disciplina, pois envolvem, além da experiência técnica e material, a construção
de narrativas de outra ordem”, observa.
A linguagem audiovisual
permanece
O GECED tem integrantes fixos e novos. Desde sua criação, voltava-se às
relações entre cinema e educação – o cinema como dispositivo de aprendizagens.
No momento, o grupo se encontra em fase
de mudança, pois há novos membros interessados no vídeo experimental. Os
encontros para a troca de ideias e para os trabalhos serem realizados ocorrem
de 15 em 15 dias ou mensalmente.
O coordenador do grupo não
descarta a possibilidade de serem produzidos, posteriormente, filmes ou outros
formatos que explorem o audiovisual. Os materiais já desenvolvidos e
apresentados serão retomados para a formação acadêmica. “Agora, estamos
repensando o plano de trabalho com o objetivo de dar continuidade aos vídeos.
Iremos retomá-los como dispositivos em nossos processos de formação”,
explica.
Texto: Bruno Steians, acadêmico de Jornalismo e bolsista da Agência de
Notícias
Edição: Maurício Dias