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Entrevista Especial: Helenise Sangoi, candidata a reitora



A Agência de Notícias segue, nesta terça-feira (6), com a publicação das entrevistas com os candidatos à
Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria. Conforme sorteio, realizado na
presença dos representantes das três campanhas, a ordem é a seguinte: Chapa 2
na segunda (5), Chapa 3 na terça (6) e Chapa 1 na quarta (7).

A entrevistada de hoje é a professora
Helenise Sangoi, do Departamento de Metodologia de Ensino, atual diretora do Centro de
Educação. Helenise é candidata à Reitoria pela Chapa 3, Coragem para mudar pela
base, e tem como vice a professora Laura Fonseca, do Curso de Serviço Social,
do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH)

Agência de Notícias – Qual o perfil adequado para o(a) reitor(a) da
UFSM, e como sua trajetória está adequada ao desempenho desta função?

Helenise Sangoi – Consideramos que um reitor tem a obrigação de
apresentar uma proposta de gestão embasada pela construção coletiva e pelo diálogo
permanente com a comunidade universitária e a sociedade. Isso é mais do que
discurso, é experiência, conhecimento e compromisso com os mecanismos
institucionais que viabilizam este diálogo. Construímos uma proposta voltada à busca
de paridade de gênero, étnica e de categoria nos cargos de gestão. Acumulamos a
experiência necessária para esta mudança ao longo de quatro anos como vice-diretora
e sete anos como diretora do Centro de Educação, realizando um trabalho
coletivo, transparente e horizontal com a nossa comunidade. Por isso, fomos
agraciadas com o prêmio da Controladoria Geral da União
(CGU) e da Fundação Nacional de Qualidade, sendo que, ainda neste
semestre, receberemos uma comenda por liderança
na área da educação. Como educadora, percebemos que temos muito a contribuir com
a UFSM, ampliando a democracia, resgatando a autonomia, corrigindo disparidades
e melhorando a qualidade daquilo que fazemos.

Agência de Notícias – A UFSM tem quatro campi físicos (Santa Maria,
Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul). Após um período
de expansão, as universidades federais passam por um momento de redução de
investimentos. Como sua gestão pretende enfrentar esta situação, garantindo a
manutenção da estrutura e dos recursos humanos necessários?

Helenise Sangoi – Em primeiro lugar, a gestão da UFSM precisa saber
diagnosticar a sua realidade, avaliar e planejar as
suas ações, levando em conta o real interesse da
sociedade e não os interesses de projeção pessoal e partidária, carreira
política e instâncias privadas. Em segundo lugar, os gestores da UFSM
necessitam conhecer a gestão pública e não atuar com um modelo de gestão
ultrapassado, burocrático, analógico e anacrônico. Temos uma equipe que há anos
estuda a matriz orçamentária da ANDIFES e sabemos como aprimorar a gestão na
busca de mais recursos. Universidades públicas que lideram em termos de
qualidade de gestão e de quantidade de recursos investem e valorizam seus docentes,
seus técnico-administrativos e seus estudantes, para juntos construírem saídas
coletivas à melhoria dos índices envolvidos na distribuição de recursos do MEC.
Sem privilégios e com rigoroso planejamento estratégico, conseguiremos avançar.
Desafios para quem realmente quer ser um gestor e não um político no exercício
da sua função.

Agência de Notícias – O perfil do aluno da UFSM tem mudado, com a
consolidação do acesso aos cotistas provenientes de escolas públicas,
portadores de deficiência, indígenas, afrodescendentes e refugiados. Qual sua
política para o sistema de cotas e para a assistência estudantil a este
público?

Helenise Sangoi – Desde a Política Nacional da Educação Especial, na perspectiva da Educação Inclusiva (2008), não se
fala mais em “portadores de deficiência”, mas sim, “pessoa com deficiência”. Da
mesma forma, e em respeito ao debate acumulado nos movimentos sociais, pensamos
em políticas para a população negra, e não para “afrodescendentes”. São
questões terminológicas, mas que ensejam a verdadeira compreensão do problema e
de como enfrentá-lo. Somos a única chapa que defende a implantação imediata de
cotas para a pós-graduação. Urge a construção de um projeto de formação
continuada, fortalecendo as instâncias que irão
nos auxiliar nesta necessária transformação pedagógica, como as Unidades de
Apoio Pedagógico, NDES, Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED) e comissões setoriais e centrais de avaliação
institucional. É fundamental a união entre os Centros de Ensino, voltada para melhorar a qualidade dos cursos de
graduação, preparando nossos estudantes para um mundo mais diverso, onde não
apenas o conhecimento, mas a capacidade de inovar, dialogar, interpretar e
cooperar serão cada vez mais exigidos.

Agência de Notícias – O sistema de ponto eletrônico para os servidores
técnico-administrativos em educação foi um dos grandes debates na eleição
anterior. Qual sua posição sobre o atual sistema? Há outra alternativa para o
controle da carga horária dos técnico-administrativos?

Helenise Sangoi – É preciso lembrar, inicialmente, que a imposição
do ponto eletrônico decorreu dos sucessivos descumprimentos de prazo na gestão
Felipe e Dalvan em responder ao Ministério Público acerca dos mecanismos de
controle do trabalho na UFSM. A candidatura Burmann e Bayard prometia resolver
a questão e apenas a aprofundou, com a licitação do ponto biométrico para
servidores já ao final da gestão. Nós somos contrárias a este mecanismo de
controle da jornada de trabalho, pois ele tem se mostrado ineficiente no
objetivo a que foi proposto. A
frequência e a produtividade no trabalho decorrem da valorização dos
profissionais e da divisão das responsabilidades no processo de gestão. Acreditamos
sim em um amplo e rigoroso processo de avaliação institucional que seja participativo,
emancipatório e educativo, que leve em consideração a qualificação e a valorização
do servidor público federal.

Agência de Notícias – Qual a sua avaliação sobre a influência e a
relação da UFSM com a comunidade de Santa Maria e para o desenvolvimento deste
e dos demais municípios em que atua? A crítica histórica de que a UFSM é uma
instituição fechada em seus muros é pertinente?

Helenise Sangoi – A UFSM, infelizmente, é seletiva. Para algumas
demandas é historicamente fechada. Para outras, parece cada vez mais aberta,
especialmente no que se refere à venda de serviços e institucionalização de
parcerias público-privadas que comprometem o caráter público da instituição. A
UFSM precisa ter um papel educativo frente à sociedade, tendo em vista o seu
compromisso com a emancipação e a autonomia dos seres humanos. Não é só a
transferência de conhecimento que a UFSM precisa buscar, mas a sua inserção na
arte, na cultura e na melhoria da educação pública deste país. É fundamental,
dentro de uma gestão pública, democrática, autônoma e comprometida com a
sociedade, o acompanhamento de toda a sua política e plano de ação por um conselho de representantes dos diversos segmentos da
sociedade, para diagnosticar, acompanhar, avaliar e aconselhar acerca das escolhas
que venham ao encontro das necessidades desta sociedade. Precisamos aprimorar o
diálogo com os movimentos sociais, conselhos municipais e prefeituras, a fim de que a UFSM deixe de
ser uma ilha e se torne protagonista de um desenvolvimento regional endógeno,
sustentável e com qualidade de vida.

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