A Incubadora Social da UFSM (IS-UFSM) prepara-se para dar início à
incubação das propostas selecionadas pelo Edital 01/2016, que teve como objetivo
apoiar
a execução de projetos concebidos a partir de demandas locais/regionais na
perspectiva da sustentabilidade socioambiental, visando à geração de trabalho e
renda para grupos em situação de vulnerabilidade social e em processo de
organização solidária.
Constituída em 2012 como um projeto piloto da Pró-Reitoria de Extensão (PRE),
a Incubadora Social desenvolveu suas atividades até 2015 com recursos captados
via editais externos. A partir de 2016, o projeto foi reestruturado e institucionalizado
como Órgão de Apoio da Administração Superior,vinculado à PRE para fins administrativos. Segundo a
equipe da IS-UFSM, essa foi uma importante conquista em relação ao projeto
inicial, pois a destinação orçamentária anual permite atuar com maior segurança
junto aos grupos incubados.
Outro diferencial em relação ao projeto inicial é a constituição do
Colegiado Gestor da Incubadora Social, responsável pela definição das
diretrizes e procedimentos a serem adotados ao longo de todo o processo. Todas
as unidades de ensino e campi da UFSM,
assim como a comunidade externa, têm representação nesse Colegiado, o que
garante a pluralidade de ideias e a interação de diferentes perspectivas. Segundo a equipe da IS-UFSM, a participação de membros externos
enriquece o trabalho do Colegiado Gestor à medida que traz para a
universidade a vivência e os saberes de diferentes grupos sociais, permitindo
melhor compreender sua dinâmica bem como as questões que eles colocam para a
universidade.
O primeiro edital dessa nova fase da IS-UFSM selecionou dez grupos para
o período de pré-incubação, que iniciou em abril e se encerrará no dia 30 de
junho. Em abril aconteceu o primeiro encontro com os grupos pré-selecionados,
que permitiu que todos se conhecessem e compartilhassem suas experiências e
expectativas em relação à incubação. No início de maio, realizou-se a reunião
geral com os responsáveis institucionais, que são servidores da UFSM
indicados pelos próprios grupos para acompanhar as atividades e auxiliar na
execução das propostas. Durante todo o mês de maio, além de
reuniões específicas para orientação aos grupos e responsáveis institucionais, foram
realizadas visitas do Colegiado Gestor às comunidades, com o objetivo de
conhecer a realidade dos grupos pré-incubados e compreender suas reais
necessidades. Depois de finalizadas e cumpridas todas as etapas da
pré-incubação, e havendo as condições objetivas para a execução das propostas, os
grupos passarão para a incubação propriamente dita, que iniciará em 1º de julho
de 2017 e poderá durar até três anos.
Entre as propostas pré-selecionadas há associações formais e informais, com
atuação em diferentes ramos de atividade: agroecologia (Grupo
de Agricultores Orgânicos da Região Central do RS; Associação Comunitária
Remanescentes Quilombolas de Júlio Borges; Associação Quilombola Linha Fão); alimentação (Marias Bonitas fazendo história); construção civil (Nível 8 – Mulheres na Construção Civil); produção artística e cultural (Ará Dudu – Coletivo de Arte
e Cultura Negra; CORAP – Coletivo de Resistência Artística Periférica;
Comunidade de Terreiro Ilê Axé Ossanha Agué); produção de artesanato (Ketaju
Tegtu & Guaviraty Porã – grupo das aldeias Kaingang e Guarani Mbya de Santa
Maria); coleta e reciclagem de materiais (Associação de Catadores de Materiais
Recicláveis Palmeira Verde).
O trabalho desenvolvido pela
Incubadora Social pode variar de acordo com as demandas de cada grupo. Segundo
informações prestadas pelos próprios grupos no ato da inscrição das propostas,
todos desenvolvem suas atividades há pelo menos um ano. Eles precisam formalizar
e/ou qualificar o que já fazem para poder se inserir no mercado de trabalho em
melhores condições. Muitos grupos atuam na informalidade, o que às vezes limita
seu campo de atuação.
Entre as ações previstas para
o período de incubação destacam-se as capacitações e consultorias. O processo
formativo é assim contínuo, tanto para os grupos incubados quanto para servidores
e estudantes envolvidos na execução das propostas.
Para a equipe da IS-UFSM, todo
esse trabalho é também uma forma de a Universidade cumprir seu papel social, contemplando,
através de ações de extensão, as necessidades de uma parcela significativa da população
cujas demandas nem sempre são atendidas pelo poder público. Além disso, essa experiência
permite a todos os envolvidos vivenciar outra
concepção de universidade, comprometida com as
demandas de grupos sociais historicamente ignorados, mediante a transformação
dessas demandas em problemas de pesquisa e processos educativos que
possam gerar novos modelos de organização social,
pautados pelos princípios que norteiam a ação da IS-UFSM: participação, solidariedade, autonomia, autogestão e
sustentabilidade socioambiental.
Com informações da Pró-Reitoria de Extensão