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Acadêmica com Síndrome de Turner forma-se em Nutrição na UFSM



O dia 24 de agosto foi um dia especial para 41 alunos dos cursos de Ciências Biológicas, Ciências Econômicas e Nutrição, que participaram da Formatura Institucional Integrada da UFSM, Campus Palmeira das Missões. No entanto, essa data foi ainda mais especial para a formanda do curso de Nutrição, Caroline Mattana. Carol, como é carinhosamente chamada por todos, possui o diagnóstico de Síndrome de Turner (condição genética na qual as meninas nascem com um dos dois cromossomos X incompleto ou ausente). Entre os sintomas da doença, está a dificuldade de aprendizagem. Para João Eli Mattana e Marli Linn Mattana, pais da Carol, ver a filha se formar foi a realização de um sonho. “Foi uma alegria, um orgulho tão grande de ver ela em meio a tantos formandos, colocando o chapéu de ninho de passarinho como ela sempre se referia”.

Caroline Mattana formou-se em cerimônia institucional integrada dos cursos de Nutrição, Ciências Econômicas e Ciências Biológicas

Caroline Mattana, 31, nasceu em Palmeira das Missões. Com 9 anos, os pais descobriram que a menina tinha ainda diabetes e hipotireoidismo. Carol chegou a frequentar a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), mas não se adaptou e continuou a frequentar apenas a escola convencional. Os pais chegaram a pensar que ela não iria se alfabetizar, mas para a surpresa de todos ela acabou aprendendo a ler e a escrever antes até que alguns de seus colegas. “Sempre foi uma luta constante, pois ela era a mais pequena em tamanho, hiperativa, falava muito, não gostava de ficar sentada na sua carteira e a maior dificuldade era para passar para o papel seu conhecimento. Na 7ª série pedimos aos professores para que fizessem prova oral, pois oralmente ela sabia muito e nas provas ela não conseguia concluir seu raciocínio. Grandes conhecimentos e notas baixas”, lembram.

Carol sempre teve o sonho de ser professora. Quase terminou o Magistério, mas não concluiu o estágio final. No entanto, depois de um tempo, Caroline decidiu colocar mais um desafio em sua vida e se inscreveu para o vestibular para o curso de Enfermagem da UFSM, Campus Palmeira das Missões. Iniciativa que surpreendeu os pais. “Infelizmente, nessa primeira tentativa, ela não conseguiu passar. Sempre a tratamos normalmente, mas no outro ano conversei com ela sobre ser especial e ter uma oportunidade de usar isso para se inscrever. Ela, sem comentar conosco, se inscreveu como tal e, na segunda tentativa, passou no curso de Nutrição. Foi uma alegria tão grande, um orgulho imenso em ver nossa baixinha dentro de uma universidade federal do porte e gabarito da UFSM”, contam com orgulho.

Deste então, foram 9 anos de muitos desafios e obstáculos dentro da universidade. Todos foram superados graças, principalmente, aos professores e técnicos do campus, “sempre preocupados e de olho nela”, conta seu João. As reuniões eram frequentes para acompanhar o desempenho e a evolução da acadêmica. Tudo acompanhado de perto pelo Núcleo de Acessibilidade e Núcleo de Apoio Pedagógico da universidade, que deram todo o suporte necessário através de acompanhamento psicológico, orientação e suporte para os professores e disponibilização de tutores para os estágios e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Para auxiliar no TCC, uma monitora foi disponibilizada para ajudar a Carol a se organizar. A professora Giovana Ceni, orientadora do trabalho, salienta a determinação da acadêmica e persistência para superar todos os desafios. “No TCC a aluna desenvolveu e testou receitas de bolo de cenoura, com farinha de arroz e adoçantes artificiais. Ela queria uma preparação que pudesse ser saudável e consumida pelos pacientes diabéticos como ela. O resultado foi um sucesso”, relata a docente.

Para a professora Silvania Bottaro, ter Caroline como aluna foi uma experiência de ensino gratificante principalmente pelo fato de ter conseguido atingir seu objetivo, que era tornar-se uma nutricionista. “Muitas vezes, nós professores questionamos a melhor pedagogia que atendesse todas as habilidades e competências para a formação da profissional. Os maiores entraves aconteceram nos estágios curriculares obrigatórios. Neste momento, a aproximação dos monitores por meio do Núcleo de Acessibilidade da UFSM foi fundamental. Mas, o fator determinante desta experiência foi a Caroline nunca desistir”, afirma a professora.

E foi realmente a persistência da acadêmica que a fez superar todos os desafios durante essa jornada. Mas, como conta Carol, a ajuda de todos foi o que fez a diferença. “Tenho bastante orgulho pelas colegas de aula que eu tive, mas os primeiros anos não foram fáceis porque eu sempre tive problemas em entrar em grupos. Eu precisei da ajuda para os trabalhos em grupo, mas consegui superar tudo. Tive também a ajuda da minha família, dos meus pais que eu amo muito, meu irmão, os parentes, as professoras que eu amo de paixão, elas são muito especiais. Os técnico-administrativos que ajudaram também e, principalmente, minha monitora”.

Depois de tanta superação, Carol transborda de felicidade e emoção ao lembrar do dia em que realizou seu grande sonho: tornar-se uma nutricionista. “Ah, para mim foi um momento mágico, único também para minha família, estava feliz demais, emocionada. Para mim, significou tudo eu ter me formado como nutricionista em uma universidade tão boa como é a UFSM. Passou, literalmente, um filme mesmo na minha cabeça pelos 9 anos que eu estava no curso e agora, ser nutricionista, formada pela UFSM é o melhor de tudo, eu amo”.

Seu João e dona Marli agradecem a todos que fizeram parte desta grande conquista. “Agradecemos a todos esses professores maravilhosos que sempre se preocuparam com ela, com sua saúde, com seu jeito um pouco diferente de ser e que querem o seu sucesso. Obrigado a todos pelo grande carinho e consideração”.

Texto: Assessoria de Comunicação do Campus de Palmeira das Missões

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